SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Mais rico no Congresso, Tasso Jereissati apresenta parecer que levará a pensões de R$ 600,00

O mais rico dos senadores, segundo a declaração de bens informada à Justiça Eleitoral, apresentou parecer sobre a reforma da Previdência no qual mantém quase todas as mudanças de regras que eliminam direitos previdenciários – inclusive a possibilidade de trabalhadoras e trabalhadores cujos cônjuges tenham falecido receberem pensões inferiores ao salário-mí­nimo, em valores que podem ser de até R$ 600,00.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator da Proposta de Emenda Constitucional 06/2019, apresentou seu relatório nessa terça-feira, 27, anunciando duas mudanças – supressivas em relação ao Benefí­cio de Prestação Continuada (BNC) e à aposentadoria rural. Mas a essência da reforma foi mantida, com forte impacto sobre os valores das aposentadorias de quem venha a conseguir se aposentar – tanto dos setores privados quanto públicos – e instituição de tempo de contribuição e idade que tornam muito difí­cil alcançar o benefí­cio em sua integralidade. Além disso, manteve, sem alterações, as regras de transição para quem já está inserido nos sistemas  previdenciários, que em geral preveem pedágios e perdas expressivas para os trabalhadores.

Mais rico

Conhecido como o mais rico parlamentar do Congresso Nacional, detentor de uma fortuna declarada de R$ 389 milhões, Jereissati manteve a polêmica mudança que levará pensionistas a receber, em determinadas situações, benefí­cio previdenciário inferior a um salário-mí­nimo em caso de morte de cônjuge. Sendo aprovada a proposta desta forma, será a primeira vez que isso ocorre desde a Constituição de 1988.

No entanto, declarou ser contrário ao pagamento de benefí­cios aquém do mí­nimo – mas limitou-se a incluir a restituição do que hoje vigora numa PEC paralela, que iniciará a tramitação agora no Senado e pode ou não ir adiante.

Ao limitar as alterações à supressão de dois itens e a mudanças inseridas em outro projeto, o senador tucano quis evitar que a proposta pudesse ter que retornar à Câmara dos Deputados. O texto terá que ser votado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado – o que está previsto para a primeira semana de setembro – e depois no Plenário. As lideranças aliadas ao governo dizem querer concluir toda a votação no Senado até 10 de outubro.

PEC paralela

Nessa proposta paralela, Jereissati incluiu os servidores municipais e estaduais nas mudanças que eliminam direitos previdenciários. Também fixa o perí­odo mí­nimo de contribuição para usufruir da aposentadoria – quando cumprida a regra de 62 (mulheres) e 65 anos (homens), em 15 anos para todos, como vigora hoje em dia. No texto que vai a voto na CCJ estipula o tempo mí­nimo de 20 anos para homens que ingressem na Previdência Social após a reforma ser sancionada. No caso de servidores públicos, a exigência de tempo mí­nimo de contribuição no regime próprio no texto que saiu da Câmara e foi mantido pelo relator no Senado é de 25 anos. Ainda na PEC paralela, há a previsão de cobrança previdenciária de entidades filantrópicas e de exportações do agronegócio – esta última medida foi excluí­da do texto da PEC 06 aprovado na Câmara dos Deputados.

Não há notí­cia de que tenha havido quaisquer acordos polí­ticos entre as lideranças governistas para que as mudanças inseridas na proposta paralela sejam aprovadas. Há sempre o risco de que, na tramitação desta nova reforma lançada pelo senador tucano, sejam excluí­dos os itens que reduzem as perdas dos trabalhadores, mantidos os que cortam direitos e inseridas mais mudanças antissociais – como, por exemplo, a chamada capitalização.

Mobilização

Considerada o maior ataque a direitos da Previdência da história do paí­s, a reforma segue sendo alvo de movimentos contrários à sua aprovação. Segue também rejeitada pela maioria da população brasileira – 60% é contra a proposta, segundo a mais recente pesquisa, divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em parceria com o Instituto MDA. Reunidos nesta semana, representantes das centrais sindicais, entre elas a CSP-Conlutas, aprovaram a participação nos tradicionais atos do Grito do Excluí­dos, no 7 de Setembro, tendo como pauta central a rejeição da reforma que torna a aposentadoria menor, mais difí­cil ou até impossí­vel para a maioria dos trabalhadores do paí­s.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe Notí­cias, por Hélcio Duarte Filho.