Foi preso na manhã desta quarta-feira, 25, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado e um dos principais articuladores das tentativas de barrar a aprovação na Casa do PLC 28/2015, da reposição salarial dos servidores do Judiciário Federal. Delcídio foi preso após gravações demonstrarem tentativas suas de obstruir as investigações da Operação Lava Jato, incluindo articulações com outras lideranças políticas para facilitar a fuga do Brasil de Nelson Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, preso na Lava Jato. Também foram presos pela PF nesta manhã o banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual, e o chefe de gabiente de Delcídio, Diogo Ferreira.
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As gravações foram feitas por Bernardo Cuí±at Cerveró, filho de Nestor Cerveró, e mostram também o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, participando das articulações. O plano era conseguir um habeas corpus para Cerveró e fazer com que ele viajasse para a Espanha, impedindo novas revelações a partir da delação premiada assinada pelo ex-diretor da Petrobras. Para isso, segundo a Procuradoria Geral da República, Delcídio teria conversado diretamente com Dias Toffoli e Teori Zavascki, e teria prometido marcar uma conversa com Luiz Edson Fachin e pedir ajuda ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e ao vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), para falar com Gilmar Mendes.
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Delcídio é um dos principais líderes do PTtanto é assim que coordena a bancada governista no Senado. Desde 2002 é senador pelo Partido dos Trabalhadores, mas sua carreira começara muito antes: durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi diretor de Gás e Energia da Petrobras entre 2000 e 2001, quando trabalhou com Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, dois dos delatores da Operação Lava Jato.
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Foi em 2015 que, após ser derrotado pela segunda vez em uma eleição para governador do Mato Grosso do Sul (um ano antes), foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff (PT) como líder do governo no Senado. Com essa posição, foi um dos principais articuladores da batalha travada pelo governo contra o PLC 28/2015. Já com o projeto no Senado, Delcídio buscou de todas as formas impedir sua votação e aprovação, no que acabou sendo derrotado. Depois, com o projeto já vetado e de volta ao Congresso, atuou pela manutenção do veto, o que, com cargos rifados pelo governo, acabou se concretizando. No início da tarde desta quarta, um grupo de servidores do Judiciário Federal realizaram uma manifestação em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, comemorando a prisão de Delcídio.
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É a primeira vez que um senador brasileiro é preso. A prisão foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, mas depende de uma votação entre os demais senadores para ser mantida. A manutenção da prisão de Delcídio terá de ser referendada em uma sessão no plenário da Casa por maioria dos membros41 senadores.
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Com informações da Carta Capital.
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