SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Lewandowski recebe servidores na véspera do ato em Brasí­lia


 
Presidente do STF diz que defenderá projeto salarial, mas admite que não há negociação e que “acha difí­cil” procurar Dilma antes da eleição

 
 
O ministro Ricardo Lewandowski recebeu representantes sindicais dos servidores nesta terça-feira, 9, véspera da solenidade em que tomará posse como presidente do Supremo Tribunal Federal e do ato público marcado pela categoria para a mesma data. O novo presidente do STF prometeu empenho na defesa do projeto salarial, mas não apresentou nada concreto quanto a isso e alegou ser muito difí­cil tratar do assunto com a presidente Dilma Rousseff (PT) antes das eleições de outubro.
 
 
A audiência, que não estava prevista, foi decorrência da preocupação do STF com a manifestação convocada pelo Comando Nacional de Greve para Brasí­lia durante a posse de Lewandowski. A direção do Supremo já demonstrara temer tanto o barulho quanto qualquer ˜confusão™ ao longo do protesto. Faz pouco tempo, o diretor-geral do STF, Amarildo Vieira, havia dito ser muito difí­cil o ministro conceder audiência aos servidores antes da posse.
 
 
Insatisfação
 
 
Foi a primeira vez que Lewandowski recebeu formalmente representantes sindicais da categoria desde que foi eleito para presidir o tribunal, perí­odo em que exerce interinamente o cargo por conta da aposentadoria do seu antecessor, Joaquim Barbosa. A reunião ocorreu no gabinete dele e também teve a participação do secretário da presidência e do diretor-geral, além do relator do projeto salarial (PL 7.920/14) na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara, deputado federal Roberto Policarpo (PT-DF).
 
 
Os servidores foram os primeiros a falar. Expressaram a insatisfação da categoria com as perdas salariais e cobraram do ministro a defesa do projeto salarial, enviado há pouco pelo tribunal ao Congresso Nacional com o mesmo conteúdo da proposta de texto substitutivo ao antigo PL 6.613/09, elaborada na comissão de negociação no primeiro semestre. Falamos sobre o corte no orçamento e a autonomia do Judiciário e que precisamos de uma reação forte por parte do STF. Dissemos que nossa demanda não é absurda, é razoável, está dentro da reposição das perdas salariais , relatou Tarcí­sio Ferreira, dirigente da Fenajufe que participou da negociação. Também participaram pela federação os servidores Cledo, Mara e João Evangelista, além de Jaí­lton, pelo sindicato de Brasí­lia (Sindjus-DF).
 
 
Greve nacional
 
 
Os trabalhadores destacaram que a categoria está em greve e criticaram o corte de ponto que ocorre em alguns tribunais. Disseram ainda que há uma inquietação entre os servidores por conta da falta de perspectivas de reversão do quadro de perdas salariais. Lewandowski disse que respeita o direto de manifestação e que a posição do STF é contra o corte de ponto. Prometeu trabalhar pela valorização salarial tanto dos servidores quanto dos juí­zes. Quando o assunto foi carreira exclusiva, perguntou qual era a posição das entidades sindicaisque são contrárias e defendem fortalecer a carreira única. Em seguida, comentou que seria um problema se cada tribunal defendesse a sua carreira . O ministro confirmou que enviou o projeto já com previsão de seis parcelas semestrais para facilitar o diálogo com o governo e que todos os passos serão dados em conjunto com a Procuradoria-Geral da República.
 
 
Os servidores disseram que a história das lutas da categoria mostra que os projetos salariais só avançam quando o chefe do Poder Judiciário procura o do Executivo para negociar. Lewandowski disse que vai procurar a presidente Dilma, responsável pelo corte na previsão de recursos para os projetos salariais antes mesmo de a proposta orçamentária chegar ao Congresso. No entanto, ressalvou que acha difí­cil que isso ocorra em meio à campanha eleitoral. Enfático ao assumir o compromisso de defesa dos projetos salariais, não demonstrou o mesmo quanto a exigir respeito à autonomia financeira do Poder Judiciário.
 
 
Ato em Brasí­lia
 
 
Diante da falta de perspectivas palpáveis, os servidores propuseram que ele procurasse abrir já um canal de negociação com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Lewandowski respondeu que tentará fazer isso. Os dirigentes sindicais também cobraram continuidade na negociação do Supremo com os servidores. Nova audiência ficou marcada para 8 de outubro, data mais próxima que o ministro disse ter encontrado na agenda.

 
Ao expressar preocupação com o ato que acontecerá na quarta-feira, 10, argumentou que o problema não está ali no Supremo, mas do outro lado da Praça dos Três Poderes. Referia-se ao Palácio do Planalto, sede do governo. Mas disse também ser um defensor da liberdade de manifestação. Receber os servidores na véspera do protesto foi um ní­tido gesto de boa-vontade. E também, não custa frisar, de receio com o barulho que os servidores podem fazer.
 
 
Nada, porém, muito além disso, por mais que alguns sindicalistas que apoiam a reeleição de Dilma tentem pintar um cenário bem mais azul nas relações com a nova gestão do STF. O protesto desta quarta repudiará o corte no orçamento imposto pelo governo. Não será desrespeitoso com o novo presidente da corte: vai apenas cobrar, mais do que boas intenções, ações efetivas que levem à negociação entre os chefes dos dois poderes e que livrem os servidores de oito anos de perdas salariais acumuladas.

 
Por Hélcio Duarte Filho, Luta Fenajufe Notí­cias