SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Jornalista mostra, em artigo, como o governo usou cargos e orçamento para manter veto à reposição salarial do Judiciário Federal

Em seu blog, o jornalista Fernando Rodrigues escreveu um artigo sobre o veto ao PLC 28/15. No texto Saiba como o govero usou a fisiologia para impedir o aumento do Judiciário , Rodrigues afirma que nomeação de apadrinhados para cargos estratégicos, realinhamento polí­tico com o governo e pressão direta de ministros, governadores e aliados foram as principais causas da vitória apertada do governo para manter o veto à reposição salarial dos servidores do Judiciário Federal.
 
 

Em resumo, afirma Rodrigues, o Palácio do Planalto usou a fisiologia (distribuição de cargos e promessas de benefí­cios) como moeda de troca para recompor sua base de apoio dentro do Congresso. Os acertos fisiológicos nunca são divulgados, mas o jornalista levantou 14 casos individuais (listados ao final). Esse foi o padrão da articulação polí­tica. Cruzamento de dados feito pelo Blog do Fernando Rodrigues mostra que pelo menos 89 deputados mudaram de ideia e viabilizaram a manutenção do veto. No fim da sessão, 251 deputados votaram pela derrubada, 6 a menos que os 257 necessários.

 
Esses 89 deputados tinham prometido aos servidores do Poder Judiciário que derrubariam o veto de Dilma ao ao PLC 28/15. Na hora da votação, entretanto, 28 desses 89 votaram com o governo, 60 faltaram à sessão e 1 se absteve.
 
 
Em análises de vetos presidenciais, o deputado que falta à sessão está ajudando a manter a posição do governo. A derrubada do veto garantiria reposição salarial aos servidores Judiciário Federal, que acumulam perdas de quase 50%.
 
 
Na noite da votação, 17 de novembro, o levantamento feito pelos servidores contava 288 votos pela derrubada, bem mais que os 257 necessários; 71 disseram que manteriam o veto; 87 estavam em dúvida e 67 disseram que seguiriam a orientação da bancada.

 
Confira aqui a lista elaborada pelo Sintrajufe/RS, mostrando como votaram os deputados do estado. A tabela abaixo mostra os deputados que prometeram derrubar o veto, mas mudaram de ideia.

 

 
O mapa da fisiologia

 
O blog elenca razões que ajudam a compreender a mudança de opinião de alguns deputados. Todos os listados abaixo prometeram apoio aos servidores do Judiciário. Fatos recentes envolvendo cada um deles ajudou na aproximação com o Palácio do Planalto:
 
 
Arthur Lira (PP-AL)seu pai, o senador Benedito de Lira (PP-AL), indicou recentemente o novo presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Anteriormente ligado ao PSDB, Marco Fireman fez campanha para Benedito de Lira em 2014. A nomeação ocorreu em meados de outubro. Arthur votou com o governo.



Ronaldo Lessa (PDT-AL)após queda de braço, conseguiu manter o primo, Israel Lessa, no comando da Superintendência Regional do Trabalho (SRT) de Alagoas. Trata-se de cargo federal ligado ao Ministério do Trabalho e Previdência Social, pasta da qual o PDT foi apeado na reforma ministerial. O cargo do primo continuará rendendo dividendos eleitorais para Lessa, que faltou à sessão de análise de vetos presidenciais na semana passada.

 
Dagoberto Nogueira (PDT-MS)emplacou um aliado para o cargo de superintendente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde, órgão do Ministério da Saúde) em Mato Grosso do Sul. A nomeação foi em 15 de outubro. Sérgio Roberto Castilho Vieira, o Serginho, é secretário-geral do PDT no estado. Dagoberto preside o PDT local. Serginho foi nomeado após dura disputa entre Dagoberto e o deputado Vander Loubet (PT-MS). Dagoberto votou com o governo.

 
Beto Mansur (PRB-SP)parte do núcleo duro de apoio a Eduardo Cunha e atual primeiro-secretário da Câmara, Beto Mansur enviou ofí­cio a Michel Temer em 22 de julho pedindo a nomeação de 3 diretores na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Duas das nomeações foram oficializadas em 18 de setembro. Mansur, que havia prometido apoio aos servidores do Judiciário, faltou à sessão.

 
Milton Monti (PR-SP)coordenador da bancada ruralista na Câmara, Monti subscreveu uma das indicações da Codesp presentes no ofí­cio enviado por Beto Mansur. Ele votou com o governo.

 
José Carlos Araújo (PSD-BA)Araújo conseguiu em outubro a indicação de um afilhado polí­tico para a superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artí­stico Nacional (Iphan) na Bahia. O deputado preside o Conselho de Ética da Câmara e esta foi a principal razão para a nomeação. Votou com o governo.

 
Wellington Roberto (PR-PB)em 15 de novembro, o plenário do Senado aprovou a indicação de Gustavo Adolfo Andrade de Sá para o cargo de diretor-executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Meses antes, Wellington Roberto indicou o nome de Gustavo ao Executivo, que acabou encaminhando a indicação ao Senado. Wellington votou com o governo.

 
Aní­bal Gomes (PMDB-CE) ­“ investigado na Lava Jato, o deputado cearense é fortemente ligado à ala do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Renan e seu grupo estão em lua de mel com Dilma. Votou com o governo.

 
José Reinaldo (PSB-MA)ligado ao governador maranhense Flávio Dino, do ultragovernista PC do B. O sobrinho de Reinaldo, Marcelo Tavares, é secretário da Casa Civil do Estado. No começo do ano, a mulher de Reinaldo, a delegada Ana Karla Silvestre, foi nomeada corregedora-geral de Alagoas. Faltou à sessão.

 
Rosângela Curado (PDT-MA)suplente de Weverton Rocha, presidente do PDT do Maranhão. Weverton é ligado ao ministro das Comunicações, André Figueiredo. O titular afastou-se da Câmara por 6 meses em 8 de setembro de 2015, para tratar de interesses particulares . Como suplente, Rosângela recebe ordens diretamente de Weverton. Faltou à sessão.

 
Mauro Lopes (PMDB-MG)pertence ao grupo interno do vice-presidente da República, Michel Temer, e é secretário-geral do PMDB. Ajudou no convencimento da bancada peemedebista em setembro, na reforma ministerial. Chegou a ser cotado para ministro. Votou com o governo.

 
Manoel Júnior (PMDB-PB)apesar de próximo a Eduardo Cunha, vem flertando com a ala governista do PMDB da Câmara. Em setembro, chegou a ser indicado pelo lí­der da bancada, Leonardo Picciani (RJ), como um dos nomes do partido para o Ministério da Saúde. Acabou perdendo a disputa para Marcelo Castro (PI), mas se manteve fiel à orientação de Piccianique sonha em presidir a Câmara no futuro e se aliou diretamente à presidente Dilma Rousseff. Manoel Júnior faltou à sessão.

 
Jorge Côrte Real (PTB-PE)atual presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), é fortemente ligado ao ministro Armando Monteiro, titular da pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Faltou à sessão.

 
Flávio Nogueira (PDT-PI)assumiu como deputado depois de Marcelo Castro (PMDB-PI) tornar-se ministro da Saúde. Como tal, é obediente às orientações do ministro. Foi um dos 11 deputados que se abstiveram.

 
Na pressão
 
 
Houve também quem mudasse de ideia a favor dos servidoresdeputados que prometeram manter o veto de dilma, mas voltaram atrás. A diferença nos números mostra a eficácia do apelo governista. Apenas 7 deputados que prometeram votar com o governo acabaram votando pela derrubada.
 
 
Desses, 4 são de partidos da base aliada ao governo: Erika Kokay (PT-DF), Orlando Silva (PC do B-SP), Dulce Miranda (PMDB-TO) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).
 
 
Quem agiu assim também sofreu pressão por parte do governo. Eu sei que vou ‘para a geladeira™. Deixaram isso bem claro para mim , disse um desses congressistas ao Blog, sob condição de anonimato.

 
Voto ideológico
 
 
Embora minoritário, houve também o voto ideológico, de deputados que entenderam que a derrubada seria prejudicial às contas públicas. Dois deputados do PSDB votaram com o governo (o paulista Samuel Moreira e o gaúcho Nelson Marchezan Júnior) por este motivo. Um dos lí­deres da ala rebelde e anti-Dilma do PMDB, Darcí­sio Perondi (RS), abriu uma exceção e votou pela manutenção do veto. Era uma questão de responsabilidade com o paí­s , disse ele ao Blog.

 
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Blog do Fernando Rodrigues
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