Na tarde de sábado, 24, o IX Congresso Estadual do Sintrajufe/RS abriu espaço para debater o processo de unificação dos colegas do Ministério Público da União (MPU) ao sindicato. O debate foi aberto no meio do ano pela renúncia da direção da seção sindical do Sinasempu no Rio Grande do Sul, com os então diretores apontando a unificação como caminho à categoria.
Eleição de delegados ao Congrejufe
Antes do debate, foi realizada a eleição dos delegados do Rio Grande do Sul ao X Congresso da Fenajufe (Congrejufe). A Chapa 1Oposições Unificadas obteve 61 votos e enviará ao Congrejufe 21 delegados; a Chapa 2Luta Sintrajufe recebeu 60 votos, ficando com 20 delegados. O X Congrejufe ocorrerá nos dias 28, 29 e 30 de abril e 1 de maio de 2019, em Campinas, interior de São Paulo.
MPU
Participaram do debate como painelistas os servidores do MPU Jean Loiola e Diego Ruassendo que este foi um dos diretores que renunciaram à seção sindical do Sinasempu. Compuseram ainda a mesa os diretores do Sintrajufe/RS Camila Breda, Leandro Costa e Ruy Almeida.
Jean Loiola, colega do MPT sediado em Uruguaiana, foi o primeiro a falar. Ele lembrou que já há estados em que a unificação das categorias é uma realidade, e que esta unidade existe,inclusive, na Fenajufe. Lembrou também que, no Rio Grande do Sul, esse debate já acontece há bastante tempo, tendo sido amadurecido nos últimos anos e, especialmente, nos últimos meses, tanto entre os colegas do MPU quanto no Judiciário Federal.
Loiola destacou que a unificação seria boa para ambas as categorias. Recordou que “em nenhum momento da história o reajuste dos servidores do MPU não esteve vinculado ao reajuste dos servidores do Judiciário” e que, todas as vezes em que isso foi tentado, os colegas do MPU ficaram sem reajuste. O painelista elogiou a grande greve construída pelos trabalhadores do Judiciário Federal em 2015, quando a reposição salarial atualmente em vigor foi conquistada. Na ocasião, o primeiro projeto de reposição foi vetado pela então presidente Dilma Rousseff, mas o projeto para os servidores do MPU sequer chegou a ser votado, por falta de força política e pelo isolamento. Para Loiola, para além das questões corporativas, é preciso ter em conta a defesa do serviço público, para o que a unidade máxima é de grande importância, fortalecendo as lutas das duas categorias e do conjunto da classe trabalhadora contra as ameaças que vêm crescendo. Pediu, por fim, que se coloque “a estrutura de um sindicato que tem uma história de luta aqui no RS à disposição de colegas que hoje vivem uma orfandade sindical”.
Diego Ruas, do Ministério Público Militar e ex dirigente da seção sindical do SindMPU, lembrou que uma grande pauta discutida ao longo do primeiro dia de Congresso foi a união dos trabalhadores, avaliando que “é isso o que viemos defender, a união dos trabalhadores do Judiciário e do MPU no Sintrajufe/RS”. Como Jean Loiola, também fez referência à greve dos trabalhadores do Judiciário Federal de 2015 como uma referência de luta e um exemplo da importância da unificação.
Ruas disse que falta luta no MPU não por causa dos servidores, que “são colegas valorosos e que estarão juntos na luta com os colegas do Judiciário”, mas pela falta de ação do SindMPU. Para ele, em momentos de ameaças crescentes, muitas pessoas pensam apenas em proteger o que é seu, e assim surgem sindicatos muito específicos, “mas isso está errado. O que vai fazer mudar é a força da união e da luta conjunta”, defendeu. Ele fez uma retrospectiva do histórico de proximidade entre as categorias, relacionando esse processo, inclusive, com a unificação ocorrida anos atrás entre os colegas dos diversos segmentos do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul. Falando sobre a votação eletrônica que está transcorrendo via área restrita do site do Sintrajufe/RS e que pretende realizar alterações estatutárias que permitam a unificação, destacou: “é muito importante que os colegas votem e tornem possível esse sonho antigo”.
O microfone foi aberto aos presentes após a fala de Diego Ruas. Os colegas expressaram algumas preocupações com aspectos jurídicos do processo, esclarecidos na sequência pelos painelistas e pela direção do Sintrajufe/RS e da Fenajufe. Nas falas, também foi ressaltada a importância da unificação dos colegas do MPU no Sintrajufe/RS para que as duas categorias se fortaleçam e ampliem sua capacidade de resistir aos ataques que já vêm acontecendo e que devem se aprofundar no próximo período.
Resoluções
Ao final do painel, foram aprovadas resoluções defendendo o processo de unificação das categorias no Sintrajufe/RS; defendendo a Fenajufe e a carreira nacional dos trabalhadores do PJU e do MPU frente à tentativa de criação de carreiras exclusivas; e repudiando a tentativa do Sindjus/DF de desfiliar-se da Fenajufe.









