SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Irresponsabilidade: Bolsonaro descumpre indicações da OMS e do próprio ministério, cumprimenta apoiadores e exalta atos contra a democracia

O último domingo, 15, houvç novas demonstrações dos problemas causados ao paí­s pela ausência de um chefe de Estado que esteja à altura do principal cargo da nação. Descumprindo recomendações médicas e orientações da Organização Mundial da Saúde e do próprioMinistério da Saúde, Jair Bolsonaro (sem partido) desrespeitou o isolamento determinado a ele por conta da suspeita de coronaví­rus, saiu à rua, manteve contato fí­sico com apoiadores e voltou a convocar e exaltar os atos contra a democraciaque também haviam sido objetivamente desaconselhados pelas autoridades de saúde.

Irresponsabilidade

Dos mais dç 200 casos confirmados de coronaví­rus no Brasil, 11 são de integrantes da comitiva de Bolsonaro que foi recentemente aos Estados Unidos. Embora o presidente tenha testado negativo no primeiro exame, é necessário um segundo exame sete dias depois, já que o ví­rus pode demorar alguns dias para se mostrar detectável. É por isso que Bolsonaro estava isolado, evitando tornar-se um transmissor do coronaví­rus. Mas, buscando reforçar sua falsa imagem de rebelde, rompeu o isolamento, pode ter contaminado diretamente diversas pessoas (e, indiretamente, incontáveis) e deu um péssimo exemplo em um momento em que cada cidadão precisa conscientizar-se e fazer a sua parte para impedir o aumento da contaminação e o colapso do sistema de saúde.

Riscos

Após a ação desastrada de Bolsonaro, diversas lideranças polí­ticas e técnicas se pronunciaram. Até mesmo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou que a orientação de distanciamento social vale para todos. Ele explicou que, se cada um não fizer sua parte, a situação irá piorar rapidamente. A tendência, conforme especialistas, é que o pico da doença no Brasil seja entre abril e maio, mas apenas polí­ticas públicas e atitudes da população irão determinar o tamanho do problema e levar à redução ou ao aumento do número de infectados, de pacientes em estado grave e de mortes. No mundo todo, já são mais de 6 mil mortes, e os paí­ses que subestimaram os riscos da doença são os mais afetados. Por isso, enquanto o coronaví­rus ainda chega aos poucos à América do Sul, diversos dos vizinhos do Brasil fecham fronteiras, impedem aglomerações e tomam diversas medidas drásticas para frear a expansão da doença.

Ataques ao serviço público em vez de investimentos em saúde

Enquanto isso, no Brasil, Bolsonaro dá maus exemplos sanitários e tenta utilizar-se do momento para aprovar reformas que desmontam ainda mais o serviço público no paí­s. O presidente faz pouco caso de uma doença grave, que se espalha rapidamente e mata milhares de pessoas, e, ao mesmo tempo, busca aproveitar o caos para forçar o avanço de medidas como o “Plano Mais Brasil”, conjunto de propostas de emenda à Constituição (PECs) que, entre outras coisas, permitem a redução salarial de servidores e servidoras e desobriga investimentos em saúde e educação. Sequer cogita, por outro lado, o que diversas entidades têm defendido como uma das formas necessárias de enfrentamento ao coronaví­rus: a revogação da emenda constitucional 95/2016, que congelou os investimentos públicos e impede que o Brasil se prepare adequadamente para a graví­ssima crise sanitária que está chegando ao paí­s.