A greve e a mobilização dos servidores do Judiciário Federal e do MPU provavelmente obrigaram o governo a antecipar a apresentação de possível proposta salarial para o conjunto do funcionalismo federal. O Ministério do Planejamento convidou as entidades sindicais nacionais do setor para uma reunião, nesta quinta-feira, 25, às 14 horas, para expor o que diz ser uma contraproposta. A data marca manifestações nacionais do funcionalismo federal. No mesmo dia, em horário não divulgado, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, deverá levar ao Supremo Tribunal Federal a posição do governo com relação ao PLC 28/2015, o projeto que recompõe a tabela salarial dos servidores do Judiciário Federal.
Caso isso se concretize, o governo petista apresentará proposta salarial com antecedência inédita em sua gestão com relação aos prazos dos trâmites legislativos e orçamentários. Há, porém, forte receio por parte dos servidores do Judiciário de que a contraproposta ao PLC 28/2015 seja muito rebaixada e descaracterize o projeto, cujo conteúdo já tramita na Câmara há quase seis anos.
Em um dia marcado por expressivas e emocionantes manifestações da categoria, o diretor-geral do STF, Amarildo Vieira, recebeu dirigentes da Fenajufe e do sindicato do Distrito Federal (Sindjus/DF), na tarde da quarta-feira, 24. Ele informou aos servidores que haverá proposta nesta quinta-feira, mas não divulgou o horário da reunião da qual pode participar, pelo governo, além de Nelson Barbosa, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele disse não saber qual será a proposta apresentada , relata Adilson Rodrigues, um dos coordenadores da Fenajufe na reunião. Também participaram os dirigentes da Fenajufe Cledo Vieira e Mara Weber, além dos diretores do Sindjus-DF Eugênia Lacerda (também da coordenação da Fenajufe) e José Rodrigues Costa.
O diretor-geral admitiu que a proposta que será apresentada pode não contemplar a integralidade do projeto, mas disse que manter o conteúdo atual da tabela salarial segue sendo uma meta do STF. Também ressaltou que o Supremo trabalha com a possibilidade de fechamento de um acordo e que, em função disso, não descarta o possível adiamento da votação do projeto, previsto para ser analisado no plenário do Senado no dia 30 de junho.
Greve ganha força
Em assembleias e manifestações pelo país, os servidores têm reafirmado a disposição de lutar e manter a greve, uma das maiores da histórica da categoria, caso o governo apresente uma proposta rebaixada e que não contemple a reivindicação. Manifestações estão marcadas para os dias 29 e 30 de junho, com atos em Brasília e apagão no Judiciário e MPU. Um acampamento, liderado pelo Sindjus/DF, já está montado em frente ao Supremo.
Na quarta-feira, enquanto Amarildo informava aos servidores da reunião com o governo e revelava que os esforços do STF não serão canalizados para o cumprimento dos prazos acordados para votação do PLC 28/2015, os protestos da categoria nas ruas de São Paulo e de Brasília, assim como a paralisação por todo o país, davam uma demonstração da força da greve nacional do setor. A soma dos dois atos reuniu mais de seis mil servidores. Quando vi as fotos, já no acampamento do Sindjus/DF, não tive como não me sentar e conter as lágrimas da emoção , resumiu Adilson, que é servidor da Justiça Federal de Santos, no litoral de São Paulo. Ele não vê alternativa para os servidores além de manter o movimento para forçar o governo, o STF e o Congresso Nacional a respeitarem a proposta que não só recupera nove anos de perdas salariais: busca também corrigir uma injustiça.
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Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe Notícias, por Hélcio Duarte Filho.









