SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Greve ganha mais peso no destino do PLC 28/15 após Renan adiar votação

O resultado da sessão plenária do Senado que poderia ter votado o projeto salarial dos servidores do Judiciário Federal, na quarta-feira, 10, reforça a necessidade de a categoria manter e ampliar a greve nacional iniciada esta semana. É o que afirmaram dirigentes sindicais ao final de um longo dia de mobilizações dentro e fora do Congresso Nacional.
 

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atendeu ao pedido do Planalto e adiou a votação do PLC 28/2015, sob o argumento de que um acordo estaria sendo negociado entre o Supremo Tribunal Federal e o Ministério do Planejamento. A decisão foi mal recebida por servidores que acompanhavam a sessão: teme-se que um golpe contra a categoria esteja sendo tramado pelo PT e o governo.
 

Pressão das galerias e das ruas

 
Renan disse que a matéria será pautada no dia 30 de junho, atendendo a solicitação do lí­der do governo Dilma no Senado, Delcí­dio do Amaral (PT-MS). A decisão foi tomada de forma unilateral, mas a pressão dos servidores, que iniciaram greve nacional da categoria, era visí­vel no plenário, seja nas manifestações nas galerias, seja nos pronunciamentos de senadores.

 
Ao anunciar o adiamento, Renan Calheiros disse haver um insistente pedido para que essa matéria seja apreciada somente no dia 30 . Disse ainda que de nada adianta o parlamento ousar na votação de algo que mais na frente possa sofrer uma restrição do Executivo , indicando, talvez sem querer, pouca disposição de derrubar eventual veto presidencial.

 
Lewandowski e Levy

 
Já Delcí­dio alegou que tem levado insistentemente o tema aos ministros da área econômica . Disse ainda que o ministro Nelson Barbosa (Planejamento) está atuando pela preparação de uma proposta que envolva não somente os servidores do Judiciário, mas o conjunto do funcionalismo público federal. Nesse momento, outra vez os servidores protestaram das galerias.

 
Em seguida, Delcí­dio disse que o Planejamento reconhece que há uma defasagem maior no Judiciário Federal e que pretende considerá-lasnão entrou em detalhes, porém, sobre como isso se daria. Pouco depois, o lí­der do governo disse que haveria uma reunião entre o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, e o ministro Joaquim Levy, da Fazenda, para tratar do assunto, ainda na quarta-feira. Questionado por outros senadores e pela reação dos servidores, Delcí­dio disse que no dia 30 o projeto será votado com ou sem avanços nas negociações.
 

O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) observou que o governo não é confiável e lembrou que em maio o Planejamento lançou uma nota cheia de incorreções sobre o projeto e a situação salarial dos servidores. O que podemos esperar do Planejamento e da Fazenda com relação a isso é que a matéria não avance , alertou. Paulo Paim (PT-RS) defendeu o acordo e disse que, seja qual for o desdobramento, a matéria será votada de qualquer jeito no dia 30 .
 

“Negociações transparentes”

 
Não faltam motivos para os servidores se preocuparem. Há seis anos o conteúdo da matéria tramita pelo Congresso sem uma definição. Outros compromissos já foram firmados com resultados inócuos. E não é fácil encontrar um servidor do Judiciário Federal que acredite na palavra do governo Dilma.

 
Existe, porém, um problema a mais, lembrado por dirigentes sindicais. Não há, até agora, participação direta e transparente dos servidores, por meio de suas entidades sindicais representativas, nas negociações. Isto é, o eventual acordo a que se referem Delcí­dio e Renan passa, até aqui, somente pela cúpula dos três poderesa mesma que, em dezembro passado, excluiu a categoria da proposta orçamentária e aprovou aumento nos subsí­dios dela mesma.
 

O risco, portanto, de algo muito rebaixado ser votado como se fosse fruto da celebração de um acordo, na verdade gestado dentro de quatro paredes entre a cúpula dos três poderes, segue mais vivo do que nunca. A resposta da categoria é a greve, que nasce essa semana com força superior a anos recentes: servidores de pelo menos 13 estados aderiram, entre eles as cinco maiores bases da categoria. Talvez por conta desse crescente envolvimento do servidor com uma causa que é sua, a questão salarial do Judiciário Federal está na ordem do dia. Fazer disso uma vitória real, capaz de superar o ajuste fiscal e entrar para a história, eis o desafio da greve e da nova maratona de mobilizações que vêm pela frente.
 

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe Notí­cias, por Hélcio Duarte Filho.