SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Greve dos trabalhadores da Volkswagen é resultado de seguidos ataques a direitos trabalhistas

 

 

Os trabalhadores da montadora da Volkswagen em São Bernardo do Campo estão em greve desde o dia 6 de janeiro, depois que a empresa anunciou a demissão de 800 funcionários. A Volkswagen procurou justificar as demissões com o argumento de que houve queda nas vendas em 2014, mas descumpriu acordo assinado em 2012, que não permitia demissões sem negociação prévia com os trabalhadores. As demissões foram feitas nos últimos dias de 2014, quando os 800 funcionários estavam em férias coletivas e receberam um telegrama da empresa, com o aviso de que deveriam procurar informações na fábrica antes de entrarem na linha de produção. A decisão de entrar em greve por tempo indeterminado foi aprovada em assembleia por cerca de 7 mil trabalhadores e abrange os 13 mil metalúrgicos dos três turnos na fábrica.
 

Além dos 800 trabalhadores já demitidos, pelo menos outros 1300 têm seus empregos em risco, já que a Volkswagen anunciou publicamente entender que existem 2100 funcionários excedentes na fábrica de São Bernardo. A decisão da multinacional foi tomada após a negativa dos trabalhadores em aceitar a proposta do Plano de Proteção ao Emprego (PPE), que impunha a redução do salário como moeda de troca da manutenção dos empregos. Na ocasião o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC defendeu a proposta da empresa, mas foi derrotado pela assembleia da categoria. Já na assembleia que deflagrou a greve, o sindicato apoiou a decisão, mas voltou a defender o PPE como solução.

 
A proposta da empresa vai na mesma linha do que foi defendido por um grupo de centrais sindicais lideradas pela CUT e pela Força Sindical em reunião com o Ministério do Trabalho. Em encontro com o então secretário de Polí­tica Econômica do Ministério da Fazenda, Marcio Holland, em novembro passado, CUT e Força contaram também com o apoio da UGT, da CTB e da Nova Central, e sugeriram que, em momentos de crise, uma das medidas tomadas seja a redução dos salários dos trabalhadores. É o que a Volkswagen tentou aplicar, apoiada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mas a resistência dos trabalhadores impediu a aplicação da medida e agora se transforma em uma greve de grandes proporções.

 
A luta dos trabalhadores da Volkswagenda qual também participam os empregados da Mercedes Benz, onde foram 160 demitidos em dezembrobusca a reversão das demissões e um acordo que os proteja de novas dispensas nos próximos anos. Busca, enfim, que a crise criada pelos patrões não caia na conta dos trabalhadores, aprofundando um problema potencializado pelas recentes medidas anunciadas pelo governo federal, que retiram R$ 18 bilhões da Previdência.

 
Mesmo com vendas em baixa, somente em 2013, as montadoras multinacionais enviaram para suas matrizes US$ 3,3 bilhões, valor 35% superior ao de 2012, sendo o setor campeão de remessas de lucros ao exterior. No perí­odo entre 2010 e 2013, o montante chegou a US$ 15,4 bilhões. O lucro não é alto por acaso: enquanto o governo brasileiro já gastou R$ 12 bilhões com as reduções de IPI e R$ 27 bilhões em desonerações de impostos para as montadoras nos últimos dez anos, a média da margem de lucro da venda de um automóvel no Brasil é de cerca de 10% do valor pago pelo consumidor final, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, esse í­ndice é de cerca de 2%. A média mundial é de 5%.

 
Em um contexto de crise e no qual empresários e governos têm se colocado contra os interesses dos trabalhadores, é necessário fortalecer as mobilizações por mais direitos. Assim, o Sintrajufe/RS se solidariza com os grevistas do ABC, berço do sindicalismo de luta dos anos 1990, e ressalta a necessidade de união da classe trabalhadora para que a conta da crise não recaia sobre os ombros de quem não pode e não merece carregá-la.
 
 
Texto: Alexandre Haubrich; foto: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.