A greve nacional dos servidores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União vai começar. O movimento busca impedir que eventuais manobras do governo e de parlamentares façam retroceder a tramitação dos projetos salariais. A categoria tem pressa em aprová-los, já que são propostas que, em seus conteúdos, estão no Congresso Nacional há quase seis anos e que tentam recompor os salários diante da inflaçãoque só neste ano deve ultrapassar a marca dos 8%.
Â
Â
O projeto de reposição salarial dos servidores do Judiciário Federal (PLC 28/2015) está na pauta da sessão do plenário do Senado desta quarta-feira, 10, última etapa da tramitação no parlamento, após a maratona de comissões pelas quais passou na Câmara e no próprio Senado. O Sintrajufe/RS enviou caravana de 20 colegas que irão pressionar, nesta terça e quarta-feiras (9 e 10 de junho), por um desfecho positivo para a categoria.
Â
Silêncio do governo
Â
Não há dúvida entre as lideranças sindicais da categoria de que foi a mobilização, que já se desenrola há alguns anos, e a pressão cotidiana sobre os parlamentares o que levou o projeto até onde ele está. Por outro lado, muitos alertam que essa é a etapa mais difícil e que nada está assegurado.
Â
Na semana passada, o diretor-geral do Supremo Tribunal Federal (STF), Amarildo Vieira, disse a dirigentes da Fenajufe que o governo ficara de até a sexta-feira, 5, apresentar uma posição com relação ao PLC 28/2015. Isso, porém, não ocorreu, segundo informou o diretor-geral ao servidor Adilson Rodrigues, da coordenação-geral da Fenajufe. O governo parece querer ganhar tempo e empurrar com a barriga. Mais do que nunca, é preciso instalar a greve em todos os locais do país para enfrentar essa enrolação , disse o dirigente sindical.
Â
De acordo com o STF, as negociações entre o tribunal e o governo estariam acontecendo, mas não haveria, até o momento, qualquer acordo. O problema é que a falta de transparência tem sido a tônica desse processo até aqui. Os servidores cobram, sem resposta, participação direta nas negociações, por meio de sua representação nacional, a Fenajufe.
Â
O transcurso dessa situação é carregado de contradições. Há alguns dias, por exemplo, o STF informou aos servidores que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, havia apresentado uma proposta que jogava a primeira parcela do reajuste para 2016. Pouco depois, o próprio Delcídio disse ao dirigente sindical Antonio Melquíades, o Melqui, do Sintrajud-SP, que não era autor de proposta alguma e que estava muito envolvido com a tramitação das medidas provisórias do “ajuste fiscal”.
Â
Segundo Melqui, o senador voltou a informar, no final de semana, que não haveria ainda proposta do Ministério do Planejamento na mesa. Disse que, nesta segunda-feira, 8, participaria de uma reunião de governo na qual o assunto seria tratado. Para o servidor, no entanto, não se pode criar falsas expectativas. Se hoje o governo não tem proposta para um projeto que está lá desde 2009, não nos iludamos, não vamos acreditar que terá até quarta-feira , disse, ao defender a mobilização urgente de toda a categoria. Não dá para fingir que não estamos com o salário congelado há nove anos. Um governo que destina quase 48% do orçamento para juros e serviços das dividas públicas aos bancos tem como pagar os servidores , disse.
Â
Emenda sem acordo com o governo pode causar retrocesso; é preciso cuidado com armadilhas
Â
O governo fará de tudo para continuar tentando enrolar a categoria, criando subterfúgios para não negociar. Não podemos cair em armadilhas. Neste momento, por exemplo, setores cutistas da categoria trabalham em uma linha que não foi aprovada pelo conjunto dos servidores e que pode significar um retrocesso no que foi alcançado até agora. Em notícia divulgada no dia 2 de junho, no site do Sisejufe/RJ, um dirigente afirma que, com o PLC 28 incluído na pauta do plenário do Senado, vamos trabalhar intensamente nas articulações e mobilizações para votar o projeto com um substitutivo alternativo implementando o reajuste a partir de janeiro de 2016, mesmo com a contrariedade do governo federal .
Â
A apresentação de substitutivo significaria que o PLC 28/2015 teria de retornar à Câmara dos Deputados, onde poderia ficar parado por anos. A quem isso interessaria senão ao governo, que quer continuar fazendo ajuste fiscal à custa de retirada de direitos e congelamento dos salários?
Â
Para a direção do Sintrajufe/RS, quem luta de fato pela reposição salarial não deveria propor ou aceitar propostas rebaixadas antes mesmo de o governo ter apresentado uma contraproposta. Além disso, em nada colabora com o objetivo da luta uma proposta sem aval da categoria e que levaria a um retrocesso na tramitação legislativa. Defendemos, em vez de apresentar emendas sem respaldo, que se lute para forçar o governo Dilma a apresentar uma proposta concreta de negociação do projeto e que, sendo apresentada alguma proposta, haja espaço para consulta à categoria, que deverá decidir nas instâncias adequadas. Neste momento, portanto, temos de focar na luta, na greve e na defesa da negociação dos valores necessários à implementação do projeto.
Â
A greve vai começar
Â
É para evitar retrocessos e enfrentar a oposição do governo ao reajuste que os servidores iniciam a greve nacional por tempo indeterminado. Aos servidores da Justiça Federal do Paraná, juntam-se nesta semana, entre segunda e quarta-feira, os trabalhadores de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Tocantins, Distrito Federal e Pará/Amapá.
Â
Em outros estados a categoria faz paralisações ou atos, seguidos de assembleias que devem definir os rumos do movimento, inclusive com a possível adesão à greveé o caso dos servidores de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Justiça do Trabalho do Paraná, Bahia, Piauí, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Rondônia e Acre.
Â
Sindicatos de alguns estados ainda não divulgaram suas programações. Esse é possivelmente o quadro de mobilização mais forte na categoria em vários anos. Os desafios postos para a categoria, que enfrenta um governo empenhado em aprovar projetos que cortam direitos dos trabalhadores, no entanto, parecem exigir maior participação dos servidores, necessária para que se construa a mais poderosa greve dos últimos tempos no Judiciário Federal e no MPU.
Â
Sintrajufe/RS, com informações de LutaFenajufe Notícias, por Hélcio Duarte Filho








