SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Greve continua por sanção; Barbosa fala em buscar consenso

A greve no Judiciário Federal continua para exigir que a presidente Dilma Rousseff (PT) sancione o PLC 28/2015, projeto aprovado no Congresso Nacional em 30 de junho que foi enviado ao Palácio do Planalto para sanção presidencial no dia seguinte. Em quase todos os estados, assembleias realizadas após essa data mantiveram a greve, considerada fundamental para o resultado da votação no Senado, ocorrida em meio a um dos maiores protestos nacionais da história da categoria, que reuniu entre 8 mil e 10 mil pessoas em Brasí­lia.

A avaliação que prevaleceu nas assembleias é de que a greve e a mobilização foram determinantes para a vitória no Senado, mas não há ainda nada assegurado que justifique o retorno ao trabalho. Demonstramos nossa força através da nossa mobilização para aprovar o PLC. Agora é aumentar a greve até a sanção presidencial sem vetos. Parabéns aos que acreditam e vão à luta , disse Cleber Aguiar, da direção da Fenajufe e do Sintrajud/SP, pouco depois do resultado da votação.

Assim que a proposta foi aprovada no Senado, o lí­der do governo na Casa, Delcí­dio do Amaral (PT-MS), deu uma declaração no plenário na qual afirmava que a presidente Dilma iria vetar o projeto. Decorridos seis dias, porém, não havia ainda um pronunciamento claro do governo sobre o que irá fazer, embora o veto continue a ser mencionado. O presidente do Supremo Tribunal Federal optou pelo silêncio. De todo modo, sabe-se que a decisão de vetar, mesmo que previamente desenhada, não é simples.

Dos Estados Unidos, ainda na viagem presidencial àquele paí­s, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, fez comentários sobre o PLC 28/2015 e a posição do Planalto que parecem reforçar a necessidade da greve para tensionar contra o veto e possí­vel rebaixamento da proposta. O ministro disse que o governo ainda trabalha para fechar um acordo dentro do prazo legal que a presidente tem para sancionar ou vetar o projeto, na í­ntegra ou parcialmente.

É o que relatou o repórter Leandro Perez, do jornal Valor Econômico, na edição de sexta-feira, 3, do diário. Estamos trabalhando para que antes do veto o grupo de trabalho [formado pelo Executivo e Judiciário] tenha uma proposta de consenso , disse Barbosa, que teria reafirmado que a base da negociação do governo são os 21,3% oferecidos ao conjunto do funcionalismo, em quatro parcelas anuais. Não estamos falando em não dar aumento. Calculamos uma proposta para o Executivo que mantém o gasto com pessoal estável em relação ao PIB. Estamos trabalhando em como aplicar esse princí­pio também lá, mas o Judiciário é um poder independente , disse. A data-limite para Dilma sancionar ou vetar o PLC 28/2015 é 21 de julho, 15 dias úteis após recebê-lo.

As declarações do titular do Planejamento não indicam detalhes do que estaria sendo negociado. Os comentários de Barbosa, porém, não podem ser desconsiderados. É ele que comanda o ministério que efetivamente negocia e define, em parceria com o Planalto e a Fazenda, as questões relacionadas aos servidores públicos. Ao falar em busca do consenso, reforça a ideia de que as negociações prosseguem, ao contrário das ameaças de senadores petistas de que a votação do PLC 28/2015 levaria tudo à estaca zero, inclusive nas negociações.

Manter a greve para conquistar a reposição

A greve e a mobilização dos servidores ocorrem para que o projeto seja aprovado na í­ntegra. Não há blefe nisso, que fique claro, como foi demonstrado na expressiva e contundente manifestação nacional promovida no dia 30 de junho. Mas o que muitos dirigentes sindicais avaliam é que, quaisquer que sejam os cenários, haja ou não novas negociações, a greve segue cumprindo um papel que poderá ser decisivo para o desfecho dessa luta.

Para o servidor José Júnior, da direção do Sindjus/DF, a demonstração de força da categoria tem que continuar. Ele diz que desde que entrou no Judiciário, há cerca de cinco anos, jamais viu uma manifestação nas proporções da realizada no dia da votação no Senadorecuar agora, avalia, seria deixar nas mãos do Supremo e do governo o destino do projeto salarial dos servidores.

O diretor do sindicato Sintrajufe/RS Ruy Almeida interpreta que é preciso repetir o exemplo da forte mobilização realizada até o dia 30 para garantir a conquista da reposição salarial: “nossa greve arrancou uma vitória importante no Senado, contra todas as expectativas, e é nesse exemplo que devemos nos espelhar. O caminho da conquista passa pela greve, e temos de fortalecer o movimento em cada canto do paí­s para garantir a reposição salarial que esperamos há tantos anos”, avalia.

Com similar preocupação, o coordenador da Fenajufe Adilson Rodrigues observa que é preciso manter a greve e a pressão sobre o Poder Judiciário e forçar o STF a exigir do governo que o projeto de sua autoria seja respeitado, algo que até agora o Supremo não fez. Com a memória de quem contribuiu com as lutas que levaram à aprovação de três planos de reestruturação salarial em 1996, 2002 e 2006, ele ressalta que a batalha para fazer o Senado votar o PLC 28/2015, com a greve instalada em todo o paí­s, foi uma das mais belas que já viu a categoria travar: Foi memorável, emocionante mesmo, com o Senado ˜ocupado™ por dentro e cercado pelos servidores por fora. Escrevemos uma página importante da nossa história , disse, ao alertar que a luta precisa continuar para forçar Dilma a sancionar. E se o veto vier, desde já convocamos toda a categoria a seguir atuando de forma unida e organizada, para enfrentar o que vier , concluiu.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe Notí­cias, por Hélcio Duarte Filho.