Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada no último domingo, 24, o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, defendeu a realização de uma “reforma administrativa” que traria prejuízos importantes ao serviço públicotanto aos servidores quanto ao que é oferecido à população. O ministro indicou ainda que a proposta pode ser apresentada ainda neste ano, deixando-a pronta para o próximo presidente e encerrando o governo de Michel Temer (MDB) como começou e como avançou durante todo seu período: atacando os direitos dos trabalhadores brasileiros.
Colnago elogiou a Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos públicos pelos próximos vinte anos, e afirmou que, para cumprí-la, será necessário aprovar a reforma da Previdência, cortar investimentos em programas sociais e, também, implementar uma reforma administrativa que preveja “maior mobilidade de servidores entre os órgãos, alongamento da ascensão remuneratória, redução de salários iniciais e novos incentivos para o bom funcionário público”.
Na prática, isso significa precarizar as condições de trabalho, reduzir salários ao longo de toda a carreira e ampliar a cobrança de metas e produtividade. São caminhos que levam à piora nas condições de trabalho e na qualidade de vida dos servidores, além de, como todas as medidas com esse sentido, piorar os serviços oferecidos à população. Por isso, os trabalhadores devem enfrentar qualquer proposta nesse sentido, ao mesmo tempo que também é necessário fortalecer a luta pela revogação da EC 95, medida que prejudica as atuais e as futuras gerações de brasileiros em todos os seus direitosinclusive os mais básicos, como educação e saúde.
Além disso, o ministro afirmou a intenção de que o governo tente novamente adiar as reposições salariais dos servidores do Poder Executivo federal, medida barrada até agora pelo Supremo Tribunal Federal.
As novas ameaças só reforçam a necessidade que vem sendo defendida pelo Sintrajufe/RS e por outras entidades sindicais e movimentos populares no sentido de manter os trabalhadores em unidade e atentos. A vitória contra a reforma da Previdência neste ano não pode ser uma permissão para que as lutas possam arrefecer. Pelo contrário, é preciso estarmos constantemente mobilizados e organizados para enfrentar quaisquer governos e propostas que contrariem os interesses da maioria dos brasileiros.









