SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Governo adia votação da restrição a direito de greve para semana que vem

Sem acordo com sindicalistas, Jucá adia votação na Comissão Mista, mas insiste em votar projeto

Pressionado por dirigentes sindicais, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) aceitou retirar o projeto que restringe o direito de greve nos serviços públicos da pauta desta semana da Comissão Mista voltada para a regulamentação de itens da Constituição, mas disse que colocará a matéria em votação na reunião do dia 17 de dezembro, a última do ano.
 

O senador da base governista recebeu representantes das centrais sindicais na tarde de ontem. Estava presente o coordenador da Fenajufe Saulo Arcangeli, que expôs divergência total com a proposta. “Não concordamos com o projeto e vamos pressionar para que isso fique para o ano que vem”.
 
As negociações entre o relator do projeto, que tem aval do governo, e as centrais sindicais não levou a resultados significativos. Houve algum recuo nas restrições, mas não são capazes de mudar o perfil do projeto. Pelo texto atual, boa parte do serviço público é enquadrada como “essencial”. Aí­ se encontra o Judiciário Federal. Neste caso, as restrições são mais severas e, na prática, inviabilizam a greve. Um exemplo é a exigência de manutenção de 70% do efetivo do órgão paralisado trabalhando.
 
Mas mesmo setores não definidos como essenciais escapam das medidas que tentam cercear o constitucional direito à greveé o caso da exigência de manter 40% dos servidores trabalhando e a permissão para que a administração suspenda o pagamento dos salários após o iní­cio da paralisação, caso não haja acordo entre as partes.
 
Embora as centrais sindicais participem das mesmas reuniões e busquem atuar em conjunto, não há consenso sobre o tema entre a CSP-Conlutas e as outras cinco entidades, entre elas a CUT. A Central Sindical e Popular defende a posição aprovada nos fóruns das entidades nacionais do funcionalismo, que veem em qualquer tentativa de regulamentar o que é um direito já praticado o objetivo de cercear os movimentos paredistas e criminalizá-los. As centrais mais próximas ao governo, no entanto, querem atrelar a discussão do direito de greve à aprovação da negociação coletiva, o que pode levar a um desfecho em que admitam certas restrições.
 
Houve acordo entre todos os representantes sindicais em torno de 23 itens considerados contrários ao direito de greve previstos no projeto de Jucá. Há ainda consenso quanto à necessidade de evitar que ele seja votado agora na Comissão Mista das Regulamentações. “Temos que chamar as entidades a estarem presentes em Brasí­lia para não permitir que acabem com o direito de greve”, defende Saulo.  
 

Fonte: Luta Fenajufe Notí­cias