Em 1º de abril de 2015, completam-se 51 anos do golpe que depôs João Goulart, o presidente constitucional. Alegando agir “em nome da democracia”, militares apoiados por grandes empresários, pela Igreja e pela mídia tomaram o governo e mergulharam o Brasil em 25 anos de ditadura.
Logo nos primeiros dias, a ditadura mostrou sua face mais sombria: cassações de parlamentares eleitos, prisões arbitrárias, torturas. A ditadura extinguiu as liberdades individuais e coletivas, censurou a imprensa e as manifestações artísticas, arrochou salários, perseguiu, sequestrou, torturou e matou quem divergia do regime. Segundo relatório da Comissão Nacional da Verdade, que investigou os casos de violação de direitos humanos no Brasil de 1946 a 1988, foram 434 casos de mortos e desaparecidos pelo Estado brasileiro durante a ditadura civil-militar.
Modificações no mundo do trabalho e no ensino também foram levadas a cabo, a fim de colocar o Brasil, à força, nos marcos da economia internacional, retirando direitos dos trabalhadores, alterando a qualidade do ensino, do fundamental ao superior, de modo a eliminar conteúdos críticos e formatar as pessoas para o mercado .
No último período, intensificaram-se nas redes sociais manifestações favoráveis à ditadura. Esse movimento extravasou o espaço virtual e chegou às ruas, por exemplo, em meio aos protestos contra o governo no dia 15. Quem sai à rua pedindo a volta da ditadura não poderia estar nas ruas, se estivéssemos em uma ditadura. Quem pede a volta da ditadura pede a volta do autoritarismo, das prisões arbitrárias, da tortura generalizada. Quem pede a volta da ditadura pede a corrupção em todos os níveis, já que nos anos de chumbo o desvio de dinheiro em obras públicas, as propinas, as chantagens e outros itens similares faziam parte do cardápio. O problema era tão grande e descontrolado que o general-presidente Ernesto Geisel chegou a afirmar: A corrupção nas Forças Armadas está tão grande que a única solução para o Brasil é fazer a abertura .
Para que não se esqueça desse passado sangrento, que deixou uma herança de falta de punição e institucionalização da tortura nas prisões brasileiras, o Sintrajufe/RS afirma: ditadura nunca mais!
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