SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Frente Parlamentar Mista pela Auditoria da Dí­vida Pública com Participação Popular sugere PEC de controle de gastos com a dí­vida

Durante a primeira reunião da Frente Parlamentar pela Auditoria da Dí­vida Pública com Participação Popular, na última terça-feira, 11, representantes de diversas entidades da sociedade civil e parlamentares debateram medidas para tentar conter o avanço de projetos que desmontam o Estado e destinam cada vez mais recursos para o pagamento da dí­vida pública. O Sintrajufe/RS esteve representado pelo diretor Rafael Scherer.

O senador João Capiberibe (PSB-AP) abriu os trabalhos da Frente ressaltando a força do poder financeiro, que se sobressai sobre as demais urgências no Brasil: Precisamos fazer com que a sociedade compreenda que quem lucra com a dí­vida são os rentistas, não há retorno à população , enfatizou.

A coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dí­vida, Maria Lucia Fattorelli, criticou a aprovação da PEC 241/16 pela Câmara dos Deputados, no dia anterior. Ela afirmou que, em audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, especialistas desqualificaram argumentos do governo para aprovação da proposta: ela não se sustenta sob nenhum prisma, e isso foi mostrado claramente na reunião , destacou.

Contribuições

Os deputados Ivan Valente (Psol-SP), Chico Alencar (Psol-RJ), Adelmo Carneiro Leão (PT-MG), Elvino Bohn Gass (PT-RS) e Janete Capiberibe (PSB-AP), presentes na reunião, também questionaram a legalidade da PEC 241/16, que congela gastos e investimentos por 20 anos, mas libera recursos para o pagamento da dí­vida pública: especialistas mostraram que, atualmente, os investimentos primários são da ordem de 20%. No futuro, com a PEC, poderão cair para 13%, afetando áreas como segurança, habitação, entre outras , afirmou Adelmo Carneiro Leão (PT-MG). Ele acrescentou que, ainda que seja suspensa após alguns anos, os efeitos devastadores da PEC serão sentidos por anos seguidos.

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A unanimidade midiática em torno da aprovação da PEC 241/16, em que os contrapontos e as contradições não são apresentados à maioria da população, foi questionada pelo deputado Ivan Valente: Parece que é uma necessidade inquestionável, reforçada pelo bordão ˜Quem é contra a PEC é contra o Brasil™, que em muito se assemelha ao slogan da ditadura militar ˜Brasil, ame-o ou deixe-o™ , comparou.

Chico Alencar lembrou que, mesmo nos tempos da ditadura, quando ocorria censura, tortura e falta de transparência, existiam os planos nacionais de desenvolvimento, cujo escopo era alavancar o desenvolvimento: Algo que a PEC 241 não possui, ela nos tira essa possibilidade de prosperidade social e econômica , criticou. Alencar lembrou ainda que é necessário combater a guerra de palavras para que se consega chegar ao coração das pessoas: É preciso sabedoria para traduzir, numa linguagem compreensiva, o sentido das palavras , frisou.

Janete Capiberibe salientou que o Congresso Nacional não mais se configura como a casa do povo, já que milhares de pessoas são barradas pela segurança e impedidas de se manifestar nas comissões e votações: esse Congresso não é o espelho da sociedade. Ele é composto por polí­ticos que tiveram seus mandatos comprados pelo setor privado , lamentou. último a se manifestar, Elvino Bohn Gass lembrou que no centenário de Ulisses Guimarães o parlamento brasileiro se submete à aprovação de um projeto que rasga a Constituição de 1988 e retira ainda mais direitos do cidadão: precisamos investigar a questão da dí­vida pública para fazermos a população conhecer os fatos , destacou.

Proposições

A coordenadora da Auditoria Cidadã da Dí­vida sugeriu que seja criada uma proposta de emenda à Constituição (PEC) de controle dos gastos com a dí­vida, como um contraponto ao avanço de projetos que retiram cada vez mais recursos públicos para o pagamento de uma dí­vida nunca auditada. Uma PEC pode ser apresentada pelo presidente da República, por um terço dos deputados federais ou dos senadores ou por mais da metade das Assembleias Legislativas. A Frente decidiu que o recolhimento das assinaturas comece pelo Senado.

Na avaliação do diretor Rafael Scherer, a Frente é uma iniciativa importante no sentido de chamar a atenção do Congresso e da sociedade para o problema de desvio de recursos públicos por meio do serviço da dí­vida: “hoje, mais de 42% do orçamento da União é destinado para juros e amortizações da dí­vida pública, enquanto para a saúde e para a educação, áreas essenciais, são destinados cerca de 4% para cada uma delas. Ao contrário do que se imagina, muito dessa dí­vida contraí­da pelo poder público não teve uma contrapartida social, e ninguém sabe o quanto dela é ilegal ou ilegí­tima. Por isso uma auditoria da dí­vida com participação popular é tão importante”. A sugestão de uma PEC de controle de gastos com a dí­vida também é oportuna, uma vez que a PEC 241/16 busca estabelecer teto de gastos para as áreas essenciais, mas não para o serviço da dí­vida, o que favorece os banqueiros e as famí­lias mais ricas do paí­s, em detrimento da população usuária dos serviços públicos.


Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Auditoria Cidadã da Dí­vida