Ontem, a Fenajufe sediou o Encontro da Coordenadora do Cone Sul, no auditório das varas trabalhistas, em Porto Alegre. A atividade ocorreu dentro da programação do Fórum Social Temático, que ocorre de 21 a 26 de janeiro, e foi uma promoção conjunta da Fenajufe, da Federação Judicial Argentina (FJA) e da Associação de Funcionários do Judiciário do Uruguai (AFJU).
Participaram da mesa de abertura o diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira, o coordenador da Fenajufe Ramiro López, o diretor da FJA Hugo Blasco e o representante da AFJU Raul Vázquez. Primeiro a falar, Vázquez destacou os avanços do governo do presidente uruguaio Jose Alberto Mujica Cordano, como a legalização do aborto e da comercialização da maconha. Para o dirigente sindical, são políticas que avançam nos direitos humanos e indicam caminhos para a região, que ainda tem a caminhar para a emancipação dos povos.
Hugo Blasco destacou que a Argentina passa por grandes dificuldades, particularmente os trabalhadores do Judiciário. Ele informou que os conflitos já começaram há mais tempo no país por conta de discussões salariais de outras categorias. Em várias províncias, houve protestos de policiais, que conseguiram reajustes expressivos. Segundo Blasco, outras categorias estão conscientes de que também precisam de reajustes e, consequentemente, há conflitos. No entanto, nesses casos, a polícia está reprimindo fortemente as manifestações, inclusive utilizando métodos típicos do período da ditadura, como os sequestros.
As lutas no mundo árabe, na Europa, os protestos de 2013 no Brasil e na América Latina mostram que os trabalhadores têm a mesma luta, pois enfrentam um inimigo comum, disse o diretor Cristiano Moreira ao fazer a saudação aos presentes. Ele ressaltou a importância do encontro, para a troca de experiências entre os trabalhadores do Judiciário do Cone Sul, a fim de unificar as pautas e acumular forças para as lutas que temos pela frente . O dirigente destacou que não se via, desde 2003, quando da Reforma da Previdência, uma mobilização tão forte dos servidores federais quanto a de 2012, contra o congelamento de salários do governo Dilma. Cristiano destacou que essa unidade está se repetindo com a campanha salarial unificada deste ano, que teve lançamento estadual no dia 22. Para ele, outro ponto importante da mobilização em 2014 é a Copa do Mundo, que faz as atenções se voltarem para o Brasil e mostram a contradição de um governo que investe bilhões de dinheiro público nesse evento, mas tem um descaso enorme com os servidores e com a prestação de serviços essenciais à população.
Seguindo o mesmo argumento, Ramiro López afirmou que o inimigo dos trabalhadores é o mesmo no Brasil, na Argentina, no Uruguai, na áfrica, em todo o mundo. Ele citou como exemplo o Documento 319, do Banco Mundial, que traça mudanças que, segundo o capital internacional, seriam necessárias para o Judiciário da América Latina e do Caribe. O encontro, segundo Ramiro, é uma forma de compartilhar experiências para, juntos, os trabalhadores buscarem formas de luta e resistência.
O evento seguiu pela manhã e parte da tarde, com discussões sobre temas como reforma do Judiciário, previdência, Estatuto do Servidor do Judiciário, metas e precarização do trabalho.
Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS








