A Fenajufe, representada pela diretora Eugênia Lacerda, participou da reunião do Conselho Político da Auditoria Cidadã da Dívida que ocorreu no dia 4 de novembro, na sede da Auditoria Cidadã da Dívida, em Brasília.
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Apesar de a Constituição Federal (art. 26 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias) determinar expressamente que essa dívida seja auditada, isso nunca aconteceu. A população não sabe que dívidas são essas e quem são os credores. Em um país no qual se fala tanto em transparência, não é permitido acompanhar as transações das dívidas públicas. Os salários dos servidores públicos estão disponíveis na internet para quem quiser ver, mas isso não ocorre com relação aos credores da dívida pública.
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A Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fatorelli, ressaltou que auditar a dívida deveria ser uma rotina, afinal, estamos falando do maior gasto governamental. Não quer dizer dar calote , como às vezes se afirma na tentativa de descaracterizar e desqualificar, mas sim verificar a legalidade e a legitimidade das dívidas e pagar o que for devido.
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Para Eugênia Lacerda, o tema tem tudo a ver com os servidores do Poder Judiciário e do MPU: além da obrigação de cada servidor público exercer o papel de cidadão e se interessar pelos temas de nosso país, o problema da dívida afeta diretamente o salário dos servidores públicos. O argumento do governo para não cumprir o direito constitucional de reposição inflacionária é de que não tem dinheiro para isso, o que não é verdade. O problema é que o governo não prioriza os trabalhadores públicos, mas sim grandes empresas e bancos. Exemplo disso são as anistias fiscais e a desoneração da folha de pagamentos. Se o Brasil não tem dinheiro e precisa de mais arrecadação, por que abre mão de receber tributos de empresas e bancos enquanto os trabalhadores pagam altos impostos sobre tudo o que consomem e a tabela do imposto de renda está com defasagem de mais de 60%?
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Os servidores do Poder Judiciário estão há oito anos sem reajuste digno. Os 15,8 % remanejados dentro do próprio orçamento do Judiciário, parcelados em 3 anos, não repuseram nem a inflação do período. Mas como isso seria possível se o Orçamento Federal de 2014 destina ao Poder Judiciário, para que preste o serviço com eficiência, apenas 1,17%, enquanto ao pagamento da dívida pública destina mais de 40%?
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Durante a reunião também foram dados informes dos Núcleos da Auditoria Cidadã da Dívida. Atualmente, há núcleos funcionando no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas, São Paulo, Distrito Federal, Bahia, Ceará, Santa Catarina e Oeste do Paraná. No Rio Grande do Sul, o núcleo é coordenado pelo diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira. A necessidade de criação de núcleos em mais estados para o sucesso da causa foi ressaltada, além da ampliação dos núcleos já existentes.Outro ponto da reunião se referiu às investigações do Ministério Público relacionadas à CPI da Dívida Pública, que estão paradas há muito tempo. As entidades se comprometeram a continuar insistindo em sua apreciação.
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Também foi dado informe sobre a audiência realizada em agosto com o ministro do STF Luís Roberto Barroso, referente à Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 59/2004, impetrada pela OAB junto ao STF, para a realização da Auditoria da Dívida prevista na Constituição de 1988. O informe da reunião está disponível AQUI.
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A OAB ajuizou junto ao STF Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 59/2004 em 08.12.2004). Já foram quase dez anos e, nesse intervalo, foi realizada uma CPI da Dívida na Câmara dos Deputados, que demonstrou fortes indícios de ilegalidades e ilegitimidades no processo de endividamento brasileiro. O atual relator da ADPF é o ministro Luís Roberto Barroso. O STF deveria ser o guardião da Constituição Federal, que tem sido descumprida em relação à realização da auditoria da dívida pública, à reposição das perdas inflacionárias dos servidores públicos e ao atendimento de direitos essenciais a milhões de brasileiros.
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A mobilização social em torno da luta da Auditoria Cidadã da Dívida objetiva não só a melhoria dos serviços públicos, mas o respeito à dignidade da pessoa humana, princípio fundamental da nossa Constituição Federal, e a Fenajufe continuará lutando por essa causa.
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Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Fenajufe.








