SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Em plenária lotada, Fórum em Defesa da Previdência aprova calendário de mobilização e ações contra reforma de Bolsonaro

 O auditório do Cpers, no Centro de Porto Alegre, ficou lotado nessa quarta-feira, 27, na plenária de mobilização em defesa da Previdência. Sindicatos e movimento social da capital e de diversas cidades do interior do estado participaram da atividade que tinha como objetivo organizar a luta para impedir que o governo Bolsonaro (PSL) acabe com o direito à aposentadoria dos brasileiros. Foram aprovadas diversas propostas e um calendário de mobilização. Colegas da categoria estavam presentes à atividade, convocada pelo Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência, integrado por diversas entidades, entre elas o Sintrajufe/RS.

 Ao falar no iní­cio da atividade, o diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira explicou que o Fórum foi criado como uma ferramenta dos trabalhadores para enfrentarem a reforma da Previdência do então presidente Michel Temer (MDB), falou sobre o protagonismo em mobilizações massivas, culminando com a derrota da proposta. Agora, afirmou o dirigente, enfrentamos ataques ainda mais perversos, e nossa já limitada democracia está ameaçada . Em janeiro, diante dos ataques aos trabalhadores promovidos por Bolsonaro da iminência de apresentação de reformaconcretizada com a proposta de emenda à Constituição 6/2019 “, o Fórum foi reativado, como um espaço para unir esforços em defesa da Previdência. Para Cristiano, é necessária e urgente a construção de uma greve geral e mobilizações massivas, pois o andar de cima está unido a favor da reforma; cabe ao lado de cá abrir mão das diferenças, unir esforços e parar este paí­s .

 Durante as diversas manifestações na plenária, uma palavra se destacou: unidade. Foi consenso que unificar os trabalhadores, deixando de lado divergências pontuais, é fundamental para derrotar a proposta de Bolsonaro, que utilizará de todos os meios para extinguir o sistema previdenciário atual. Nas falas, foi ressaltado que está em jogo o futuro dos atuais e futuros aposentados. A proposta de emenda à Constituição 95/2016 (EC 95/2016), a reforma trabalhista e esta proposta de reforma constituem, na prática, rasgar a Constituição Federal de 1988. Os trabalhadores, os jovens, as mulheres, os movimentos negro e LGBT precisam estar nas ruas, agregando a discussão sobre Previdência e aposentadoria a suas pautas para a construção de uma grande greve geral. Informar a população sobre o que está em jogo, sobre as mentiras a respeito do déficit, em uma linguagem direta e acessí­vel, com campanhas em redes sociais, rádio, TV, cartazes e outros meios foi outro ponto destacado: temos que disputar corações e mentes, muitos trabalhadores estão sendo enganados , disse um manifestante.

Em outras falas, foi afirmado que a proposta de Bolsonaro acaba com o atual regime, público, baseado na solidariedade entre gerações, e joga a aposentadoria para os bancos, que só visam lucro. Também foi advertido que sem Previdência pública vários municí­pios podem falir, pois os benefí­cios de aposentados são um dos principais propulsores da economia, principalmente em pequenas localidades. É um novo modelo de sociedade, não apenas de Previdência, um modelo em que não há solidariedade, apenas cada um por si. A CPI da Previdência, que provou a falácia do déficit, foi citada, assim como a Auditoria Cidadã da Dí­vida, ambas com dados importantes que precisam ser divulgados de forma ampla e direta para a sociedade. Também foi proposto que se pare de falar em reforma , porque o que o governo propõe é a extinção, o desmanche.

 
Em sua manifestação, o diretor do Sintrajufe/RS Rafael Scherer ressaltou que o ataque à Previdência não é algo isolado, mas se insere em um conjunto de outros ataques que usam o mesmo discurso, como se fosse incorreto o trabalhador reivindicar seu direito a trabalho e direito à aposentadoria e o melhor fosse ser empreendedor , com trabalho precarizado e sem direitos. O dirigente lembrou aos presentes o caso do Chile, cujo sistema de capitalização da Previdência, implantado na ditadura de Augusto Pinochet, levou aposentados à miséria e mesmo ao suicí­dio. Rafael concluiu fazendo um chamamento à unidade e à luta, contra Bolsonaro, sem esquecer os ataques ao funcionalismo promovidos pelos governos de Eduardo Leite (PSDB), no estado, e Nelson Marchezan Jr. (PSDB), na prefeitura de Porto Alegre: a gente vai pra cima, rumo à greve geral .

Propostas aprovadas

A plenária aprovou, por unanimidade, o Manifesto em defesa da Previdência: construir a luta ao lado do povo, rumo à greve geral .

Foram aprovadas, ainda, as seguintes propostas:

“ Produzir uma campanha contra a reforma da Previdência;

“ Convidar a seção regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para que participe do Fórum;

“ Usar a palavra extinção , em vez de reforma da Previdência;

“ Inserir nos sites das entidades um simulador de aposentadoria;

“ Realizar atividades do Fórum no interior do estado.

 
 Calendário de mobilização:

“ 8 de março: Dia Internacional de Luta das Mulheres, atividades a partir das 7h30min no Largo Glênio Peres, Centro de Porto Alegre, e caminhada às 18h;

“ 14 de março: ato público em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes, às 18h, na Esquina Democrática, Centro de Porto Alegre;

“ 22 de março: Dia Nacional de Mobilização contra a Reforma da Previdência, atividade convocada pelas centrais sindicais;

“ 28 de março: atividades em memória de Edson Luí­s, estudante assassinado pela ditadura em 1968, no Rio de Janeiro;

“ 30 de março: seminário contra a reforma da Previdência, organizado pelo Fórum.