SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Em palestra, professor da Ufal afirma que Funpresp é ataque à solidariedade entre os trabalhadores

 
 

Aconteceu na última sexta-feira, 7, no auditório do Sindisprev, em Porto Alegre, a palestra “As armadilhas do Funpresp e a previdência dos novos servidores públicos federais”, com a presença do professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e membro do Observatório de Politicas Públicas e Lutas Sociais da Ufal, José Menezes Gomes. O debate foi organizado pelo Sintrajufe/RS em parceria com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e o Sindicato dos Trabalhadores Federais da Saúde, Trabalho e Previdência no RS (Sindisprev). No encontro, o professor foi taxativo nas crí­ticas e preocupações com relação ao Funpresp, caracterizado por ele como um ataque à solidariedade da classe trabalhadora.
 

Menezes explicou que o que ocorre com o Funpresp é a transferência da segurança previdenciária para o mercado financeiro. A justificativa do fundo é garantir previdência segura e gerar desenvolvimento, mas, para o palestrante, “não há nem uma coisa, nem outra”. Conforme ele relatou, os fundos de pensão anteriores eram de benefí­cios definidos, e isso acabou. “O que temos agora são fundos de contribuição definidaeu sei quanto pago, mas não sei quanto vou receber”, criticou.
 


 
 
O professor da Ufal lembrou que os fundos de pensão aplicam a maior parte do que arrecadam em ações e tí­tulos públicos, e que o Funpresp mantém aberta a possibilidade de aplicação em derivativos, classificados por Menezes como “o tipo de investimento mais perigoso que existe”.

 
O professor destacou ainda o aumento da dí­vida pública, e demonstrou preocupação com o atrelamento da previdência a essa dí­vida e ao capital financeiro. Essa preocupação acabou se tornando o ponto central de sua palestra, já que é a partir dela que Menezes entende que se coloca em risco a solidariedade de classe entre os trabalhadores. Conforme explicou, o que pode acontecer podem se construir interesses contraditórios entre trabalhadores vinculados e não vinculados ao Funpresp: “Se uma parte dos servidores aderir ao fundo, teremos problemas no futuro. Os que estiverem no fundo vão precisar que o Estado aumente juros e se comprometa com o pagamento da dí­vida. É o fim da solidariedade de classe. Parte dos servidores vai dizer: ‘arroche meu salário, mas pague a dí­vida'”.

 
Para Menezes, não é apenas a previdência, mas um conjunto de medidas que traz retrocesso ao que foi conquistado nas lutas, e sindicatos comprometidos com o governo dificultam ainda mais a derrubada desses obstáculos. Ele enxerga os direitos sociais cada vez mais vitimados, e os servidores públicos cada vez mais atacados, e aponta um único caminho possí­vel: “Somente construindo a unidade entre os trabalhadores podemos reverter esse cenário”.