SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Em ofí­cio, governo Dilma debocha dos servidores e afirma que não atenderá à pauta de reivindicações; a resposta é intensificar a mobilização

Após três meses de descaso e o descumprimento do prazo fixado, o Ministério do Planejamento (Mpog) finalmente formalizou em documento respostas à pauta unificada de reivindicações dos servidores federais. O ofí­cio enviado pelo Mpog é uma deturpação da realidade e da relação que o governo estabeleceu com os servidores e com as entidades representativas. Parece ironia a referência a um modelo de diálogo permanente , quando os servidores, para terem uma resposta à pauta de reivindicações, precisaram esperar quase quatro meses, fazer atos públicos, marchas e paralisações.

Já no iní­cio do ofí­cio, o governo Dilma debocha dos servidores federais ao afirmar que Nos últimos doze anos, o Governo implementou uma clara polí­tica para romper com a estagnação salarial dos servidores. Só no Judiciário Federal, contabilizando o pequeno reajuste implementado na GAJ, já são mais de 37% de perdas inflacionárias desde o último PCS.

O governo Dilma toma para si a defesa da negociação coletiva, do direito de greve e da autonomia sindical. No entanto, o que fez foi simplesmente encaminhar ao Congresso a convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho, sem qualquer movimento para sua aprovação, como se não tivesse a maioria dos votos dos congressistas. Ao mesmo tempo, investe em projetos, esses sim, que caminham rapidamente para limitar o direito de greve no serviço público, com multas aos sindicatos e sanções aos trabalhadores.

Ao final, o governo Dilma, em sua soberba, reafirma o que já sabí­amos: não negocia. Diz-se aberto e democrático, mas não cede um milí­metro em sua polí­tica de achacamento do funcionalismo. Insiste que só voltará a falar em reajuste depois de 2015 (ignorando, inclusive, as eleições presidenciais deste ano), recusa-se a tratar de paridade entre ativos e aposentados e entende que debater a retirada de direitos é meramente interesse corporativo .

A postura do governo mostra que não há alternativa fora da mobilização. Algumas categorias já estão em greve. Hoje, a base do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) iniciou sua greve, com adesão em 11 estados. No Judiciário Federal do RS, a categoria discute o indicativo de greve para 29 de abril na rodada de assembleias de base e na assembleia geral deste sábado, 26 de abril. Somente a unidade dos trabalhadores poderá quebrar a inflexibilidade de Dilma e nos levar à conquista de nossas reivindicações.