SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Em meio à greve, categoria dá seguimento ao debate sobre desfiliação da CUT

Na tarde desta quinta-feira, 28, a atividade da greve esteve concentrada em debate sobre a desfiliação do Sintrajufe/RS da CUT, em frente ao prédio da primeira instância da Justiça Federal de Porto Alegre. Apesar do frio intenso, diversos colegas, da JT e da JF, estiveram presentes. Foi o terceiro debate sobre o tema, e essa série de diálogos irá desembocar, em novembro, em um Congresso Estadual no qual a categoria irá decidir se continua ou não filiada à Central única dos Trabalhadores. O debate contou com a participação dos painelistas Rui Muniz, dirigente da Assufrgs e membro da Intersindical; Amarildo Cenci, dirigente do Sinpro e secretário da CUT-RS; Altemir Cozer, professor estadual membro da CSP-Conlutas e Ereni Melo, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e da CTB.

 

Na abertura do debate, o diretor do Sintrajufe Ruy Almeida apresentou informes sobre o ato nacional realizado na quarta-feira em Brasí­lia e sobre a entrega do projeto de Lei Orçamentária Anual pelo Executivo ao Legislativo na manhã de hoje.

Rui Muniz, da Intersindical, foi o primeiro a falar, e lembrou que a Assufrgs se desfiliou da CUT há seis anos e não deixou de fazer lutas e buscar a construção de unidade entre a categoria que representa. Ele explicou que a entidade passou a dialogar com todas as centrais dispostas a lutar junto com os servidores. Para ele, a CUT deixou de lado as demandas dos trabalhadores: “A CUT foi muito importante, mas houve mudanças nos projetos polí­ticos e ela fez uma opção de apoiar as polí­ticas do governo”.

 

Já Amarildo Cenci, da CUT, defendeu a ideia de que a Central única dos Trabalhadores continua construindo lutas, e destacou as atuações pela reforma polí­tica, contra a terceirização em serviços-fim e contra o aparelhamento de sindicatos. Para ele, não há no Brasil um governo neoliberal, mas uma “reestruturação capitalista”. Assim, Amarildo entende que a luta e a negociação devem se alternar como forma de ação: “É preciso fazer luta e negociar, de acordo com a conjuntura que temos”.

 

Altemir Cozer, da CSP-Conlutas, também lembrou o papel histórico da CUT, mas afirmou que a central mudou quando o governo petista assumiu o governo: “O apoio da CUT à Reforma da Previdência foi uma simbologia, uma evidência de que a CUT tinha mudado de lado”, disse. Altemir ainda criticou a postura da CUT nos momentos subsequentes ao caso do “mensalão”, explicando que a central não apoiou a campanha pela anulação da Reforma da Previdência. Além disso, Altemir afirmou que a CUT perdeu democracia interna e que as bases já não conseguem ter o mesmo poder de decisão sobre os posicionamentos da central.

 

Ereni Melo, representando a CTB, iniciou sua fala ressaltando os fundamentos da organização sindical e das lutas das diferentes categorias, e destacou a necessidade de unidade dos trabalhadores: “assim vamos conquistar muito mais”, defendeu. Para ela, o governo está no caminho certo: “Para nós, da CTB, o projeto que começou com Lula e segue com Dilma é o melhor caminho para a classe trabalhadora”, garantiu.

 

O Sintrajufe/RS continuará promovendo o debate e construindo o diálogo com a categoria a respeito da proposta de desfiliação da CUT. Em novembro, em Congresso Estadual, a categoria irá decidir, de forma democrática, qual o caminho a ser seguido pelo sindicato.