SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Em evento do FSM, Auditoria Cidadã da Dí­vida debate o sistema da dí­vida e os direitos sociais

Na manhã desta quarta-feira, 20, foi realizado o painel Auditoria Cidadã da Dí­vida e direitos sociais , dentro da programação do Fórum Social Mundial (FSM), que ocorre em Porto Alegre, até o dia 26 de janeiro. O Sintrajufe/RS foi representando pelos diretores Cristiano Moreira e Eliana Falkembach Leonardi.

A atividade aconteceu na Escola Municipal Porto Alegre, que atende moradores em situação de rua. A escolha do tema teve como objetivo mostrar como a dí­vida pública afeta a vida cotidiana da população e retira recursos que deveriam ser usados para a garantia de direitos sociais como saúde, educação, segurança, transporte e saneamento.

O representante da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite) João Pedro Casarotto mostrou que o ní­vel de endividamento da União, de estados e municí­pios faz com que a maior partç da arrecadação seja voltada para o pagamento a instituições financeiras. Com isso, por exemplo, sobra muito pouco do montante arrecadado para o governo federal investir. Não tem como crescer dessa maneira , afirmou o painelista.

Dç acordo com o que explicou o painelista, busca-se, basicamente, a solvência dos entes públicos para que possam continuar a pagar a dí­vida. Por isso o superávit primário aparece como a principal preocupação do governo, e não as carências sociais. Por lei, há um limitador para o endividamento. Municí­pios podem se endividar até 120% do valor arrecadado; estados, 200 %. Quanto à União, o ní­vel de endividamento precisa ser definido pelo Senado, que se esquiva de discutir esse assunto. Como resultado, a União, em 2014, devia 530% mais do que a arrecadação e estava chegando perto dos 600% no final de 2015. Segundo Casarotto, há um descontrole total.

Infraestrutura (estradas, energia, portos, aeroportos, saneamento, etc.) é um direito social de todos os brasileiros, pois todos sofrem com a falta ou a precarização desse itens. No entanto, diante do quadro de baixí­ssimo investimento público em prol do pagamento da dí­vida, não sobram recursos, assim como também não os há para saúde, educação, segurança, habitação.

Nas intervenções dos presentes, ficou evidente a importância da realização de uma auditoria da dí­vida pública no Brasil. Com o aumento de juros e da inflação, ganham as instituições financeiras, perde toda a população. Foi lembrado que, como resultado da pressão, a atual composição do Congresso Nacional, mesmo considerada uma das mais conservadoras das últimas décadas, aprovou o projeto que prevê a realização de uma auditoria, mas a presidente Dilma Rousseff (PT) vetou (LINK). Foi acordado que sindicatos e entidades do movimento social presentes farão um esforço para uma ação conjunta a fim de derrubar o veto de Dilma.

O diretor Cristiano Moreira, coordenador do Núcleo RS da Auditoria Cidadã da Dí­vida, ressaltou que se avizinham novos ataques à Previdência e aos trabalhadores, em nome do ajuste fiscal, cujo objetivo é garantir o superávit primário para o pagamento da dí­vida. Para o dirigente, houve um avanço grande em 2015, com a constituição de núcleos da Auditoria Cidadã em vários estados e com a aprovação do projeto pelo Congresso. Cristiano referiu, ainda, que o Equador fez uma auditoria, o que reduziu em 70% a dí­vida daquele paí­s. Na Grécia, o trabalho mostrou também vários problemas em contratos com os bancos. Avançamos bastante nos últimos anos, chegando a aprovar a auditoria da dí­vida no Congresso Nacional. Agora, nosso objetivo é cobrar de parlamentares a derrubada do veto. Ainda que seja um grande desafio, essa luta certamente nos fortalecerá e fará avançar ainda mais , concluiu.

Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS