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Na manhã de hoje, dia de lançamento, nos estados, da campanha salarial unificada, o Fórum Gaúcho dos Servidores Públicos Federais deu entrevista coletiva à imprensa, tratando da pauta. Compuseram a mesa o diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira, a diretora da Associação dos Servidores da Ufrgs (Assufrgs/Sindicato) Bernadete Menezes, o diretor do Sindicato dos Servidores Federais no RS (Sindiserf) Marizar Melo e o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Federais da Saúde, Trabalho e Previdência (Sindisprev) José Campos.
Cristiano Moreira lembrou que a campanha salarial unificada, além de reajuste salarial, data-base e mais investimentos no serviço público, é pelo direito de greve. Ele lembrou as várias propostas que estão no Congresso Nacional e que retiram direitos dos servidores. Entre elas, uma das mais preocupantes é o anteprojeto de lei do senador Romero Jucá (PMDB-RS) em relação ao direito de greve. Essa proposta, entre outros pontos, exige que 50% dos servidores se mantenham trabalhando durante a greve e que os órgãos sejam comunicados do movimento paredista com 15 dias de antecedência. O dirigente ressaltou, ainda, que, em ano de Copa do Mundo, o governo prepara uma ofensiva contra qualquer protesto. A presidente Dilma publicou um documento de diretrizes para as Forças Armadas no qual os movimentos sociais e as manifestações populares são chamados de forças oponentes . O senador Jucá voltou à carga, em projeto conjunto com o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). O PL 728/2011 tipifica o crime de terrorismo, no qual poderão ser enquadradas manifestações populares. Todos esses movimentos, na busca da tipificação e da institucionalização da repressão, afirma Cristiano, mostram que teremos um ano de enfrentamentos muito duros pela frente.
Desde o governo FHC, o servidor vem sendo submetido a uma realidade cada vez mais parecida com o da iniciativa privada, disse José Campos. Lula e Dilma continuaram uma campanha permanente de apresentar os servidores como privilegiados, fazendo com que a população os iguale a um deputado, um senador. Campos disse que, nesses 12 anos de governo do PT, o país foi apresentado como um lugar onde tudo é belo, a 6ª economia do mundo, mas que isso mostra um esgotamento. O IBGE já mostrou que não existe pleno emprego. A campanha salarial unificada dos servidores não é só por data-base e reajuse, mas um espaço para discussão e exigência de um novo projeto para o país.
O governo do PT, com Lula e Dilma, continuou a política de entrega do patrimônio público ao capital privado, sob o nome de concessões . Para Marizar Melo, a luta dos servidores é também de denúncia do que as privatizações e as terceirizações significam na precarização do trabalho e do atendimento, na prestação de serviços. O Fórum Gaúcho de SPFs, lembrou ele, está unido ao Fórum dos Servidores Estaduais, que enfrenta os ataques do governo Tarso Genro. Os servidores não têm data-base, recebem migalhas como reajuste, que nem sequer recuperam as perdas inflacionárias: como isso pode ser considerado um privilégio? , pergunta Marizar.
Bernadete Menezes afirmou que, nas duas últimas décadas, todos os reajustes obtidos pelos servidores foram depois de movimentos grevistas. O governo Dilma ignora as pautas dos servidores. Então, no último momento, quando está acabando o prazo para aprovação do Orçamento da União, força os servidores a aceitarem um reajuste baixo, como ocorreu em 2013.
Como regra, reforçou Cristiano, as categorias têm obtido reajuste somente por meio de greve. No Judiciário, ressaltou, as perdas somam mais de 40%. Enquanto o último reajuste foi dividido em três parcelas de 5%, a inflação de 2013 já bateu os 6%.
Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS








