
Os servidores do Judiciário Federal no RS realizaram, mais uma vez, uma grande manifestação pública pela reposição salarial, desta vez aproveitando a vinda do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, a Porto Alegre. Na tarde desta quinta-feira, 30, a Marcha pela Reposição Salarial e Derrubada do Veto, convocada pelo Sintrajufe/RS reuniu cerca de mil pessoas, entre servidores das justiças do Trabalho, Federal, Eleitoral e Militar de Porto Alegre e várias cidades do interior, além de colegas aposentados. Estavam presentes também servidores do Judiciário Federal de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais e representantes do Sindicato dos Servidores da Justiça do RS (Sindjus) e do Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Estado (Simpe). O deputado estadual Pedro Ruas (Psol), acompanhado de Luciana Genro, da coordenação do partido, fez uma saudação e manifestou o apoio da bancada federal na derrubada do veto.
A atividade começou com concentração no final da manhã nas varas trabalhistas, onde foi servido salchipão. Depois, os servidores fecharam uma das vias do binário da Av. Praia de Belas e seguiram em caminhada até o TRT, onde, com muito barulho, convidaram colegas a descer. O incentivo funcionou, e vários servidores do tribunal se uniram à marcha, que seguiu pela Av. Ipiranga, novamente fechando a avenida, no sentido bairro-Centro, até a chegada ao Foro Central da Justiça Estadual, onde Lewandowski participava de um evento.
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Os servidores tomaram a Rua Márcio Veras Vidor. Em frente ao Foro, era forte o barulhaço, com apitos, buzinas e palavras de ordem. No início do ato público, o diretor Ruy Almeida pediu um minuto de barulho, pela morte do Poder Judiciário. O som alto, mostrando a indignação dos servidores, foi a marca da atividade. Antes de receberem a notícia de que o presidente do STF receberia a representação da categoria, os servidores realizaram um grande “megafone humano”, exigindo em uníssono que o sindicato fosse recebido e a categoria, respeitada.
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Nas falas durante a atividade, foi destacado que a unidade da categoria é fundamental para derrubar o veto no Congresso ou garantir uma negociação que seja aprovada pelos servidores. Os colegas criticaram a postura do presidente do STF de não ir a público defender o projeto de reposição salarial, que teve origem no próprio tribunal, e por fazer uma negociação com o Executivo sem transparência e sem a presença da Fenajufe. Também foi criticada a presidente Dilma Rousseff (PT), que vetou o projeto sob as falsas alegações de que a proposta seria inconstitucional e irresponsável . Nas manifestações, os servidores destacaram que a reposição salarial é um direito constitucional e que Lewandoswki deve mostrar o mesmo empenho nessa questão como o que apresentou para aprovar o aumento da magistratura. Os colegas foram unânimes ao afirmar que os servidores não aceitarão pagar pela crise e vários destacaram que, enquanto corta direitos e congela salários, o governo Dilma continua enriquecendo banqueiros e empresários.
 
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Lewandowski recebe os servidores, que cobram dele a defesa da reposição salarial
A pressão era para que o ministro recebesse representantes da categoria, o que acabou acontecendo. Lewandowski reuniu-se com um grupo formado pelos diretores do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira e Paulinho Oliveira, o coordenador da Fenajufe Ramiro López e o colega da JT do RS cedido ao TRT3 David Landau, que representou o Sitraemg/MG a convite do Sintrajufe/RS.
O grupo cobrou de Lewandowski que ele faça a defesa do projeto, que é de autoria do próprio STF, e que vá à imprensa para corrigir falsas informações que estão sendo divulgadas sobre a proposta. Também foi perguntado ao ministro se, em caso de não vir proposta da negociação, ele apoia a derrubada do veto. O ministro disse que não pode se comprometer a agir pela derrubada (confira a matéria completa aqui).
 
Quando acabou o encontro, os dirigentes deram relatos aos presentes ao ato público. A indignação foi expressada em vaias e muito barulho. Cristiano destacou que a categoria está em greve, lutando por reposição salarial, e exige respeito: vamos continuar fazendo a nossa parte, com muita luta, até conquistar a reposição salarial , disse Cristiano. Para Paulinho, a categoria deve intensificar a luta, aumentando ainda mais a greve: Se pararmos totalmente o Judiciário por três dias, eles resolvem a questão em dois . Ramiro destacou que cada manifestação no país em visitas de Lewandowski nos estados mostra que a categoria está unida e que essa é a nossa força . Para David, a aprovação do PLC 28/15 no Senado representou uma vitória contra Dilma, contra o STF, contra o Congresso e, principalmente, contra o poder econômico: a categoria não aceita ser enrolada .
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Ao final do ato público, os servidores fizeram mais um grande barulhaço, manifestando a disposição de luta.
Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS; fotos: Alexandre Haubrich, Cíntia Rodrigues, Leandro Dóro e Marcos Pereira









