SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Em assembleia histórica, com cerca de 700 servidores, Judiciário Federal do RS aprova manutenção da greve


 

Os servidores do Judiciário Federal do RS aprovaram por unanimidade, em assembleia geral na tarde desta quarta-feira, 17, manter a greve por tempo indeterminado. A assembleia ocorreu na frente do TRE Duque e reuniu cerca de 700 servidores, que fecharam o trânsito na Rua Duque de Caxias, no Centro de Porto Alegre. O quórum da assembleia geral superou o recorde histórico do Sintrajufe/RS.

A atividade começou com concentração na 1ª Instância da Justiça Federal, onde foi servido salchipão aos colegas. No iní­cio da tarde, servidores das justiças do Trabalho e Eleitoral chegaram ao local, que logo ficou com toda a escadaria e pátio frontal tomados. Os servidores fizeram uma caminhada no entorno dos prédios da JF, de onde saí­ram para a rua, em caminhada até o TRE Duque. Com palavras de ordem, apitaço e percussão, o grande volume de pessoas marcou uma participação histórica da categoria.
 
 

Demonstração da disposição da categoria de seguir lutando até a vitória

O que se via no rosto dos servidores era muita disposição, como tem sido caracterí­stica desta greve. Assim foi instalada a assembleia geral, que começou com informes da direção sobre a adesão que ultrapassou a marca de 50 cidades no estado e chegará a 21 estados no final desta semana. Foi registrada uma grande adesão na Justiça Eleitoral do interior, que nesta semana contabilizou 19 cidades, além da capital.

A direção do sindicato saudou os colegas presentes na maior assembleia da história da categoria e, especialmente, os do TRE Duque. Ontem, foi feito arrastão no prédio, quando foi reforçada a necessidade de que os colegas participassem da atividade de hoje, o que foi atendido.

No espaço aberto para manifestação dos colegas, todos reafirmaram que a força da categoria é que forçará a aprovação do PLC 28/15, de reposição salarial, e uma negociação entre governo e STF. Zé Oliveira, da JF de Porto Alegre, falou sobre falsas informações divulgadas hoje pelo grupo RBS a respeito da remuneração dos servidores do Judiciário. Ele afirmou que a RBS, novamente, usa mentiras para colocar a população contra a categoria e que é fundamental cobrar respeito ao trabalho que a gente faz .
 
 

Os colegas da JE de Porto Alegre Rodrigo Mércio e Ana Margareth Gonçalves também se manifestaram. Rodrigo destacou o momento histórico, de grande adesão da categoria à greve: nunca a Eleitoral esteve tão presente como agora . Ele afirmou que nove anos sem reposição salarial é algo inominável e que o governo não é leal; diz que é atacado pela mí­dia, mas usa a mí­dia para atacar o servidor , a exemplo da nota divulgada pelo Ministério do Planejamento (Mpog) sobre os salários da categoria. Ana Margareth disse que os servidores precisam ir para a rua, fazer a greve: nós, trabalhadores, não temos outra coisa a fazer, é preciso causar impacto .  

A greve obrigou Lewandowski e o governo a se comprometerem a apresentar uma proposta até sexta-feira , afirmou o colega da JF Marcelo Carlini. Sobre a divulgação de dados falsos sobre a remuneração, ele afirmou que é preciso mostrar para a opinião pública que a categoria não tem no contracheque a vergonha chamada auxí­lio-moradia . O diretor Ruy Almeida afirmou que atividades com as de hoje vão se repetir e que os servidores “vão trancar quantas ruas forem necessárias” até vencer a intransigência do governo. O dirigente disse que a categoria precisa ter clareza de que não é possí­vel ter confiança no governo, nos parlamentares e no STF. Precisamos ter confiança na nossa luta e ampliar a greve até a vitória , afirmou.
 


 
Não é surpresa a RBS atacar a categoria, disse o diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira, destacando que a atual onda de mentiras sobre os salários começou com a nota do Mpog, ou seja, veio de um governo que está fazendo o possí­vel para adiar a tramitação do PLC 28/15, com aval do STF. “A categoria está sendo feita de palhaça; trabalha cada vez mais e ganha cada vez menos: nada virá se não for com muita luta e muita greve”, concluiu. Para o colega Sérgio Medeiros Rodrigues, da JF, os servidores têm de fortalecer a greve para exigir a apresentação da proposta do governo dia 19 e qualificá-la, para que venha com reajuste salarial e valorizando a categoria .

O diretor do Sintrajufe/RS Paulinho Oliveira destacou o grande número de novos servidores integrados à greve e ressaltou que, quanto maior a greve, mais rapidamente será conquistada a reposição salarial. Sobre as falsas notí­cias divulgadas acerca da remuneração da categoria, o dirigente ressaltou que é necessário exigir uma retratação. Para o colega da JT Paulo Roberto Dias, o PT era o sonho de uma mudança radical , mas esse sonho vai morrer hoje, quando Dilma Rousseff vetar modificações no fator previdenciário (o que acabou ocorrendo no final desta quarta-feira).

Assembleia aprova realização de dois atos públicos ainda nesta semana

Os colegas presentes à assembleia aprovaram propostas de ato público, feitas nas assembleias de base da JT e da JF de Porto Alegre. Nesta quinta-feira, 18, às 15h, será realizado ato público no saguão do TRT. A data foi escolhida também aproveitando a presença, no TRT4, do corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro Brito Pereira.

Na sexta-feira, 19, o ato público acontecerá em frente ao TRF4, também às 15h. Nesse dia, ocorre a posse da nova administração do tribunal.

Foi aprovada realização de ato público no dia 25, em frente à Assembleia Legislativa do estado. O Sintrajufe/RS irá se somar a outras categorias na atividade, quando haverá audiência pública do Senado no RS para debater o projeto que prevê a ampliação da terceirização. O presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda não confirmou, mas poderá estar presente.

Por fim, a quanto à divulgação de falsas notí­cias sobre a remuneração da categoria por parte do grupo RBS, foi aprovado que será feito encaminhamento à assessoria jurí­dica do Sintrajufe/RS, para que estude possibilidade de ação judicial, além de realização de ação de protesto.

Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS.