Como parte de um movimento nacional, entidades empresariais do Rio Grande do Sul organizam-se para pressionar pelo fim das medidas restritivas impostas em todos os estados no combate à crise do coronavírus e com isso assumem a responsabilidade das mortes que estão por vir decorrente da pandemia. A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio) lançaram, nesta quinta-feira, 26, um manifesto propondo o retorno ao trabalho a partir do dia 1º de abril.
Em Rio Grande, há inclusive uma manifestação convocada para defender a reabertura das empresas, uma postura absolutamente irresponsável em um momento em que até mesmo hospitais de campanha estão sendo montados em diversas partes do país. A proposta vai na contramão do que tem sido feito em todo o mundo, em especial nos países que vêm conseguindo reduzir os danos causados pela pandemia.
Embora contrariem as recomendações de especialistas e das autoridades mundiais de saúde, notadamente a Organização Mundial da Saúde (OMS), as propostas dos grandes empresários estão afinadas com a posição que vem sendo sustentada pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes. Trata-se de uma postura que coloca o lucro e o dinheiro acima das vidas das pessoas, posição defendida também pelo presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, para quem a vida não tem valor infinito . Em mensagem em um grupo de Whatsapp, Novaes foi taxativo: Muita bobagem é feita e dita, inclusive por economistas, por julgarem que a vida tem valor infinito. O vírus tem que ser balanceado com a atividade econômica .
Enquanto os casos de coronavírus explodem no Brasil e a OMS adverte que milhões poderão morrer se não houver ações agressivas em todos os países , Bolsonaro e os mais ricos demonstram que não se importam com as vidas dos trabalhadores. Junto com lideranças parlamentares, o governo aproveita a crise sanitária para tentar confiscar o salário dos servidores públicos, ao mesmo tempo em que minimiza o problema mundialque já causou mais de 20 mil mortese força o fim da mais eficaz medida de combate ao coronavírus, o distanciamento social.
Defender a saúde e a renda dos trabalhadores e das trabalhadoras
Do lado dos trabalhadores, a luta é em defesa das nossas vidas e de nossos familiares. Por isso, é necessário defender a manutenção e ampliação do isolamento e do distanciamento social. Ao mesmo tempo, medidas que garantam a sobrevivência financeira de todos os trabalhadores e trabalhadoras são urgentes, bem como políticas de fortalecimento e instrumentalização da saúde pública.
O Sintrajufe/RS, assim como muitas outras entidades e especialistas, vem defendendo a criação de mecanismos de apoio a trabalhadores informais e formais e a empresas grandes, médias e pequenas. O sindicato defende, também, alternativas para reforçar os recursos disponíveis para o combate ao coronavírus. É o caso, por exemplo, da revogação da emenda constitucional 95/2016 (do teto de gastos ). Também é o caso da taxação dos mais ricos, proposta em estudo apresentado nesta semana pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) e por outras entidades.










