O Sintrajufe/RS promoveu na noite dessa quarta-feira, 18, em seu piquete no Acampamento Farroupilha, o debate “Agroecologia e o papel das mulheres na atual conjuntura brasileira e latino-americana”. Estiveram presentes como convidadas as ativistas Michele Ramos, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM); Isabella Cunha, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM). As diretoras do Sintrajufe/RS Ana Naiara Malavota e Marcia Coelho fizeram a mediação da atividade, que contou com a presença de cerca de 20 pessoas, entre colegas e militantes de movimentos populares, entre elas as diretoras Clarice Camargo e Luciana Krumenauer e os diretores Paulinho Oliveira e Zé Oliveira.
Naiara abriu o encontro falando sobre a participação do Sintrajufe/RS no Acampamento Farroupilha e a importância de levar um debate como esse, protagonizado por mulheres e que tem em pauta a agroecologia, para um espaço com faces conservadoras como o Acampamento, a importância de ocupar todos os espaços com a luta contra as diversas formas de opressão. Marcia, em sua fala inicial, reforçou a perspectiva de que é justamente em ambientes “menos amigáveis” que a reflexão deve ser feita, furando barreiras.
Mudar o consumo e questionar a produção
O debate teve formato de conversa, com as pessoas presentes sentadas em círculo e intervindo durante as falas. Mesmo assim, as convidadas guiaram o encontro. Isabella Cunha, da MMM, foi a primeira a falar. Ela abriu sua explanação lembrando que os movimentos de mulheres têm estado à frente de algumas das principais mobilizações do último período, como o #EleNão e a Marcha das Margaridas. Foi justamente a partir da lembrança da Marcha das Margaridas que Isabela passou a falar sobre a crescente integração entre campo e cidade e a importância de se perceber essa dinâmica do ponto de vista não apenas do consumo consciente, mas do questionamento da forma de produção.
Há, destacou a debatedora, uma ofensiva do governo e de setores do agronegócio contra os territórios, afetando a produção agroecológica e, ao mesmo tempo, a autonomia de indígenas e quilombolas. Nesse sentido, destacou o enfrentamento que essas comunidades têm construído contra esse avanço, uma resistência que passa pela afirmação de sua identidade mas que deve passar, também, pela integração das lutas no campo e na cidade.
Mina Guaíba: risco para toda a sociedade
Michele Ramos, do MAM, focou sua fala na necessidade de combater o projeto da Mina Guaíba, uma mina de carvão que a empresa Copelmi Mineração pretende implementar a 16 km de Porto Alegre. Michele mostrou às pessoas presentes um mapa com a distribuição dsa regiões produtivas do Rio Grande do Sul e demonstrou os riscos desse e de outros projetos de mineração que estão sendo implementados no Rio Grande do Sul, como o de São José do Norte. Dentre esses riscos, no caso da Mina Guaíba, a poluição que será gerada em Porto Alegre e em toda a Região Metropolitana; a contaminação dos lençóis freáticos; e a ameaça ao Parque Estadual do Delta do Jacuí, uma área preservada, com enorme sócio-biodiversidade, que fica junto ao local do projeto de mineração.
A convidada comentou que existem vários erros no processo de licitação, informações mal explicadas e distorções, como a falta de demonstração das especificidades da rocha de carvão que será objeto da mina e os efeitos que pode gerar em contato com a água.
Mobilizar a sociedade
No debate após as falas iniciais, a diretora do Sintrajufe/RS Ana Naiara levantou um questionamento sobre o discurso que busca justificar esse tipo de projeto pela geração de empregos e movimentação da economia, lembrando que há custos muito altos implicados nesses casos, custos para toda a sociedade, e que o retorno é baixo e de baixa qualidade. Ainda no debate, algumas das pessoas presentes fizeram falas criticando a liberação desenfreada de agrotóxicos pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) e a quebra da soberania nacional com o atual governo. Também foi criticada a falta de debate junto à sociedade para projetos de grande impacto, como os da mineração.
Com essa preocupação, as convidadas apresentaram suas falas finais conclamando à mobilização. Pensando especificamente na categoria, Isabella ressaltou a importância de construir a conscientização sobre esses temas dentro do próprio Judiciário, passando por reflexões sobre a agroecologia, os modelos de produção e a divisão sexual do trabalho. Já Michele defendeu a necessidade de união dos movimentos populares e da sociedade neste momento, em que as licenças dos projetos de mineração ainda não saíram, projetos que, ressaltou, são a porta de entrada para outros avanços contra o território e o meio ambiente.
No encerramento, Ana Naiara reforçou o apoio do Sintrajufe/RS à luta contra a instalação da Mina Guaíba. O sindicato convoca a categoria a juntar-se a essa importante causa. No dia 30 de setembro, os colegas estão convidados a participar de audiência pública sobre o tema que ocorre no Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa do RS, às 18h.












