SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Cortes no orçamento e pagamento da dí­vida afetam direitos dos trabalhadores

O Orçamento Federal proposto pelo Executivo para 2015 reserva R$ 1,3 trilhão para os gastos com a dí­vida pública, o que corresponde a 47% de tudo que o paí­s arrecadará com tributos, privatizações e emissão de novos tí­tulos, entre outras rendas. É o que revelam dados da Auditoria Cidadã da Dí­vida, que apontam ainda que este montante representaria 13 vezes os recursos inicialmente previstos para a Educação.
 

A dí­vida é hoje o principal instrumento de transferência de recursos da nação para o capital internacional, que nada mais é que a articulação dos monopólios industriais comerciais com os bancos, em uma estreita relação com o agronegócio , afirma Alexandre Aguiar dos Santos, 1º vice-presidente da Regional Planalto do Andes-SN e representante do Sindicato Nacional na Auditoria Cidadã da Dí­vida. O diretor do Sintrajufe/RS e coordenador do Núcleo do Rio Grande do Sul da Auditoria Cidadã da Dí­vida, Cristiano Moreira, concorda: “o pagamento da dí­vida é o instrumento de transferência de recursos públicos para o mercado financeiro, e é graças a esse mecanismo e para manter os lucros de banqueiros que o governo retirou direitos trabalhistas e previdenciários recentemente”, afirma.
 

Além da reserva para pagamento da dí­vida pública e das medidas que alteram as regras para a concessão de benefí­cios, como pensões por morte e seguro-desemprego, o governo Dilma Rousseff (PT), por meio do decreto publicado nesta quinta-feira (8), bloqueou R$ 22,7 bilhões para os ministérios e secretarias especiais. O ministério da Educação responde pela maior parte do montante afetado, com o equivalente a R$ 7 bilhões anuais, o que corresponde a 31% do total de cortes.

 
O manifesto divulgado pela Auditoria Cidadã explica que o ajuste fiscal anunciado pelo governo federal, aprovado pelo mercado financeiro, que prevê uma economia de R$ 18 bilhões em 2015 é a velha polí­tica macroeconômica assentada em juros elevados, sob a justificativa de ˜combater a inflação™ . A declaração prossegue alertando que juros altos aumentam os gastos com a dí­vida pública, beneficiando apenas o setor financeiro, e são a receita infalí­vel para o baixo crescimento, que não deu certo em nenhum paí­s da Europa, mas que o Brasil teima em seguir .

 
Os novos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, anunciaram a meta de poupar, em 2015, R$ 66,3 bilhões para o abatimento da dí­vida pública – R$ 55,3 bilhões na área federal e o restante nos estados e municí­pios.

 
Para Cristiano Moreira, há uma inversão de prioridades: “Dilma fala em ‘ajuste’ quando se refere aos trabalhadores e mais pobres, mas não mexe na maior fatia do orçamento, destinada ao pagamento da dí­vida, engordando os bolsos de banqueiros e rentistas. Os cortes de gastos atingem quem mais precisa do Estado, mas os ‘de cima’ lucram como nunca, e agora inclusive foram premiados com um autêntico representante no Ministério da Fazenda”, critica.

 
Auditoria já

 
A dí­vida interna federal, atualmente, ultrapassa os R$ 3 trilhões e somente uma auditoria é capaz de reverter essa situação. Nós não estamos falando na possiblidade de pagamento da dí­vida. Estamos falando em rolagem da dí­vida, pagamento de juros e ampliação dela. Não existe no horizonte da polí­tica do Estado brasileiro uma perspectiva de fazer o pagamento da dí­vida, ao contrário, se constitui num escoamento de recursos contí­nuos para o grande capital financeiro internacional. Esse R$ 1,3 trilhão é uma ampliação do nosso endividamento, o que é uma lógica irracional do ponto de vista da saúde financeira, de qualquer nação , explica Alexandre.

 
Para o docente, a temática da dí­vida pública precisa adquirir centralidade nas lutas polí­tica e econômica da população brasileira em 2015: É necessário a auditoria da dí­vida pública para identificar quem são os proprietários desse grande negócio que não é subordinado a Lei de Licitações , conclui. Ao mesmo tempo, Cristiano destaca o papel das organizações nesse processo: “O movimento sindical e os movimentos sociais precisam colocar a auditoria da dí­vida pública na ordem do dia de sua mobilização, pois só assim enfrentaremos de fato esse problema”, defende.
 

Leia AQUI o manifesto da Auditoria Cidadã da Dí­vida.

 
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Andes-SN.