Nos últimos dias, ganhou espaço na imprensa a intenção de Flávio Bolsonaro (PL) de, caso seja eleito, cortar R$ 250 bilhões do orçamento. O senador e candidato, porém, não diz onde vai fazer esses cortes. Embora o tema tenha voltado à tona agora, não se trata de uma novidade: há meses a equipe de Flávio Bolsonaro fala do corte, e segue sem contar à população onde o “tesouraço” vai passar. A falta da informação completa não acontece por acaso: os cortes podem afetar direitos fundamentais dos brasileiros e brasileiras e, com a proximidade da eleição, detalhar o plano pode prejudicar a candidatura.
Notícias Relacionadas
Em agosto, em entrevista à Folha de S. Paulo, a principal assessora econômica de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, defendeu “enxugar a estrutura na largada e fazer um corte de gastos”. Essas medidas gerariam, apenas no primeiro ano, um “ajuste” equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), índice que depois passou a 2% e que representa R$ 250 bilhões. Perguntada pela entrevistadora sobre quais seriam as medidas específicas, Daniella Marques desconversou mais de uma vez, sem responder. A jornalista insistiu, sem sucesso.
Reportagem da Folha publicada na última semana confirmou o que todos já sabiam e a equipe de Flávio Bolsonaro não quer admitir: os recursos que estão na mira são os da saúde, da educação, das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A ideia é retomar o que já era defendido pelo governo de Jair Bolsonaro e seguiu como proposta desse setor: acabar com os gastos obrigatórios em saúde e educação, encerrar a política de valorização do salário mínimo e desvincular do mínimo os reajustes das aposentadorias do INSS e do BPC. Assim, aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC, que garante pagamentos a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de qualquer idade que comprovem baixa, poderiam ficar sem sequer a reposição da inflação.
Medidas como a reforma administrativa, para desmontar os serviços públicos, e uma nova reforma da Previdência, dificultando ainda mais a aposentadoria dos brasileiros e brasileiras, também estão nos planos de Flávio. Além de uma nova reforma trabalhista, que pode acabar com a regulamentação da jornada e da escala de trabalho e estrangular a Justiça do Trabalho.











