O Salão Multicultural Alê Junqueira esteve lotado na noite da quinta-feira, 7, para mais uma edição do Conversas Impertinentes, espaço de debates que o Sintrajufe/RS vem promovendo para possibilitar que a categoria discuta temas importantes para a sociedade e que não tratam diretamente das pautas específicas dos servidores. Dessa vez, com a presença dos jornalistas Juremir Machado e Moisés Mendes, o assunto foi intolerâncias e liberdade de expressão.
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A abertura do evento foi feita pelo diretor do Sintrajufe/RS Paulinho Oliveira, que lembrou se tratar da terceira edição do Conversas Impertinentes, voltando ao tema da intolerância justamente por vivermos, no Brasil, um momento difícil no que se refere ao respeito às diferenças. Ele destacou que um sindicato deve se ocupar de pautas que vão além dos interesses corporativos, já que também é um movimento social e que, assim, se faz um “momento em que o sindicato sai do seu espírito de corpo para se tornar espírito de sociedade”.
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O primeiro convidado a falar foi o jornalista Juremir Machado, colunista do jornal Correio do Povo. Juremir lamentou a ascensão da direita entre os jornalistas: “Tem que olhar com lupa na imprensa pra ver algo na contramão. Os jornais viraram uma padaria, só tem coxinha”, brincou. Juremir lembrou que já escreveu sobre Getúlio Vargas e sobre o golpe de 1964, e agora tem a impressão de estar vendo concretamente o que estudou. Assim, fez relações entre os três momentos, recordando que, também nos dois casos do século passado, o “combate à corrupção” apareceu como forma de atacar governos mais progressistas e que, no fim, nada foi provado e a estabilidade democrática acabou rompida: “claro que tem corrupção, mas não é isso o que está mobilizando as pessoas que mexem na engrenagem do poder. Elas querem é o poder. Elas precisam de uma razão para tomar o poder”, afirmou.
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Para Juremir, a elite brasileira quer “absolutamente tudo” e dirige seu ódio contra as “migalhas” que o Partido dos Trabalhadores tem distribuído à frente do governo federal, como o Bolsa Família, o Prouni, as cotas. Ele ironizou, ainda, a postura dos partidos da oposição de direita, que, segundo Juremir, são historicamente corruptos e fisiológicos. Criticou também a seletividade da Operação Lava-Jato: “O que precisa fazer pra que o Aécio seja, enfim, investigado? Se me pegarem, me prenderem, eu vou delatar o Aécio, porque não dá em nada mesmo…se me apertarem, disserem ‘diz um nome’, eu digo ‘Aécio'”, brincou, antes de completar: “no momento em que tirarem a Dilma, acabou [a investigação]. Quero ver quem vai para o Parcão pedir a saída do Cunha e do Renan Calheiros”. Para Juremir, os dois objetivos centrais da tentativa de impeachment são acabar com a Lava-Jato e aprofundar a entrega do pré-sal: “O meu problema não é que o PT fique. O meu problema é que eu tenho certeza de que, no momento em que a Dilma cair, essas migalhas vão ser varridas. Eu tenho essa convicção. E a Lava-Jato vai dançar”.
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Em seguida, foi a vez do também jornalista Moisés Mendes, ex-repórter, editor e colunista do jornal Zero Hora, conversar com as dezenas de presentes ao debate. Desde o início, Moisés afirmou não pretender, em momento algum, ser neutro. E deixou clara sua posição sobre a conjuntura nacional: “o que está acontecendo é uma tentativa de golpe”. Para ele, o crescimento da intolerância e das manifestações de ódio é um reflexo direto do posicionamento que têm tomado muitos dos chamados “formadores de opinião”. Segundo ele, a origem dessas manifestações está na mais recente disputa eleitoral: “Esse clima de intolerância e ódio começa na eleição da Dilma, quando a direita achou que ia vencer a eleição e não conseguiu. A partir dali vem toda uma construção de preconceito. Vem preconceito contra nordestinos, vem homofobia, vem xenofobia, vem a questão das cotas, do Prouni, do Bolsa Família, vem ataque contra tudo o que foi feito de construção social”, lamentou, antes de complementar: “a política acaba agora canalizando todos esses preconceitos. Tudo isso acaba desaguando agora na política e na tentativa de golpe”.
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Moisés também lembrou a filósofa Marcia Tiburi para falar em “brutalização do pensamento”, comentando que, atualmente, há uma ameaça sempre presente de que a qualquer momento, sem motivo concreto, possa haver uma agressão na rua, até mesmo física, basta estar usando vermelho ou haver uma discordância de pensamento. Para Moisés, o jornalismo está sendo “relapso” em relação ao que está acontecendo, tanto na esfera política quanto na esfera social: “O jornalista é muito refratário à crítica. E tem que se admitir que boa parte desse golpe está sendo construído de novo por jornalistas. E não é só o dono do jornal”, afirmou.
Após as falas iniciais, diversos colegas puderam fazer perguntas aos convidados e também apresentar suas próprias análises sobre o momento político e social do país. Questionamentos sobre casos específicoscomo o da médica que se recusou a atender o filho de uma militante do PT “, sobre as raízes da criseeconômica ou geopolítica?e sobre o papel dos meios de comunicação estiveram presentes. O debate prolongou-se até perto das 22h30min, instigando os colegas a refletir criticamente sobre o tema.
Noite também teve inauguração da exposição Percurso
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Ainda antes do início do debate, os presentes puderam acompanhar a inauguração da exposição Percurso, do fotógrafo Diego Beck, colega do TRF4. A exposição, no pátio da sede do Sintrajufe/RS, trata dos trabalhadores terceirizados do tribunal, trazendo imagens e declarações sobre suas vidas para além do trabalho. Duas das retratadas estiveram presentes na abertura da exposição. Diego destacou o objetivo das fotos: “quis fazer esse trabalho para dar voz a quem tem pouca voz, retratar experiências de pessoas que fazem um trabalho tão importante para todos nós”.
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Por Alexandre Haubrich, Sintrajufe/RS; fotos de Vilmar Carvalho









