Nesta quarta-feira, 18, às 14h30min, o Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça doRio Grande do Sul promove ato público em frente à casa da rua Santo Antônio, 600, em Porto Alegre. Nesse local, conhecido como Dopinha, funcionou um centro clandestino de tortura e desaparecimento dç pessoas contrárias à ditadura civil-militar.
O casarão será abraçado por militantes políticos e dos direitos humanos, poetas, chargistas, artistas plásticos, que deixarão ali seus registros, com exibição de filmes e esquetes temáticos. Na sequência, será realizado um sarau musical. Estão confirmados show com Nei Lisboa, apresentação de Raul Ellwanger e esquete do grupo ói Nóis Aqui Traveiz.
O ato objetiva chamar a atenção da população e pressionar os governos estadual, federal e municipal para a criação, ali, do Sítio de Memória Ico Lisboa, um memorial da luta de resistência e reparação dos crimes contra a humanidade. O Plano Nacional de Direitos Humanos, criado por lei federal, determina a preservaçãoe a criação de sítios de memória e reparação. No âmbito do Mercosul, os ministros de Direitos Humanos dos países do bloco assinaram o protocolo que manda criar em Porto Alegre um sítio de memória da resistência democrática e reparação dos crimes cometidos pelas ditaduras do continente. A cidade foi escolhida por ter sido oponto de cruzamento tanto das operações policiais-militares clandestinas da OperaçãoCondor quanto das rotas de fuga dos perseguidos políticos.
Integrante da Rede Brasil de Memória-Verdade-Justiça, o Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça do Rio Grande do Sul tem proposto que o Memorial Ico Lisboa seja esse sítio do Mercosul. Nesse prédio, em 1966, foi torturado e desaparecido o sargento Manoel Raimundo Soares, assim comovitimados outros cidadãos e cidadãs.
O nome proposto homenageia o militante político Luiz EuricoTejera Lisboa, sequestrado e assassinado em São Paulo em 1972 e sepultadoclandestinamente pela ditadura. Seu corpo foi o primeiro no Brasil a ser encontradoe identificado, sete dolorosos anos depois, no Cemitério de Perus, em São Paulo, comprovando-se a partir de então a política oficial de desaparecimento de opositores por parte do Estado brasileiro.
Fonte: Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça doRio Grande do Sul







