SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Comitê Carlos de Ré faz ato, hoje, em antigo centro clandestino de tortura

Nesta quarta-feira, 18, às 14h30min, o Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça doRio Grande do Sul promove ato público em frente à casa da rua Santo Antônio, 600, em Porto Alegre. Nesse local, conhecido como Dopinha, funcionou um centro clandestino de tortura e desaparecimento dç pessoas contrárias à ditadura civil-militar.

O casarão será abraçado por militantes polí­ticos e dos direitos humanos, poetas, chargistas, artistas plásticos, que deixarão ali seus registros, com exibição de filmes e esquetes temáticos. Na sequência, será realizado um sarau musical. Estão confirmados show com Nei Lisboa, apresentação de Raul Ellwanger e esquete do grupo ói Nóis Aqui Traveiz.

O ato objetiva chamar a atenção da população e pressionar os governos estadual, federal e municipal para a criação, ali, do Sí­tio de Memória Ico Lisboa, um memorial da luta de resistência e reparação dos crimes contra a humanidade. O Plano Nacional de Direitos Humanos, criado por lei federal, determina a preservaçãoe a criação de sí­tios de memória e reparação. No âmbito do Mercosul, os ministros de Direitos Humanos dos paí­ses do bloco assinaram o protocolo que manda criar em Porto Alegre um sí­tio de memória da resistência democrática e reparação dos crimes cometidos pelas ditaduras do continente. A cidade foi escolhida por ter sido oponto de cruzamento tanto das operações policiais-militares clandestinas da OperaçãoCondor quanto das rotas de fuga dos perseguidos polí­ticos.

Integrante da Rede Brasil de Memória-Verdade-Justiça, o Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça do Rio Grande do Sul tem proposto que o Memorial Ico Lisboa seja esse sí­tio do Mercosul. Nesse prédio, em 1966, foi torturado e desaparecido o sargento Manoel Raimundo Soares, assim comovitimados outros cidadãos e cidadãs.

O nome proposto homenageia o militante polí­tico Luiz EuricoTejera Lisboa, sequestrado e assassinado em São Paulo em 1972 e sepultadoclandestinamente pela ditadura. Seu corpo foi o primeiro no Brasil a ser encontradoe identificado, sete dolorosos anos depois, no Cemitério de Perus, em São Paulo, comprovando-se a partir de então a polí­tica oficial de desaparecimento de opositores por parte do Estado brasileiro.

Fonte: Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça doRio Grande do Sul