SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Com manobras do governo, Comissão Especial da Câmara aprova reforma da Previdência; embate decisivo será no Plenário

 

Antonio Augusto/Câmara dos Deputados

O governo precisou manobrar de diversas formas para conseguir aprovar a reforma da Previdência na Comissão Especial criada na Câmara dos Deputados para debater a proposta. A aprovação se deu com 23 votos favoráveis e 14 contrários e graças à substituição de membros da Comissão representantes de partidos que defendem a proposta.
 

Mesmo na Comissão, onde o cenário era mais favorável à proposta e a maioria simples bastava para a aprovação, o governo teve que utilizar-se da possibilidade de substituir alguns membros da Comissão. Os integrantes que, ao contrário de seus partidos, posicionam-se contra a proposta, foram trocados por parlamentares mais leais ao governo. Ao mesmo tempo, partidos da base governamental – PSB, PHS, PROS e Solidariedadeorientaram votos contrários à reforma.
 

O Sintrajufe/RS esteve presente em Brasí­lia pressionando os deputados no sentido da defesa dos direitos dos trabalhadores. A caravana enviada pelo sindicato conversou com diversos parlamentares e esteve presente à sessão da Comissão. Juntamente com trabalhadores de outras categorias, os colegas reforçaram a tentativa de demonstrar aos deputados o descontentamento popular com as reformas defendidas pelo governo.
 
 

 

Veja AQUI ç AQUI ví­deos gravados pelo Sintrajufe/RS em conversas, respectivamente, com os deputados Alessandro Molon (Rede-RJ) e Edmilson Rodrigues (PSOL-PA). E veja AQUI o ví­deo feito pelo Sintrajufe/RS na Câmara após a votação na Comissão.
 

Mesmo com a aprovação na Comissão, o que se vê é um governo enfraquecido e desnorteado, com dificuldades para fazer avançar seu projeto de paí­s que desmonta os direitos dos trabalhadores. Acossado pela forte pressão popular, especialmente depois da greve geral do dia 28 de abril, Temer encontra problemas para aprovar tanto a reforma da Previdência quanto a trabalhista. No caso da reforma previdenciária, as dificuldades para o governo são ainda maiores, já que se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição, o que quer dizer que, para aprovação, são necessários os votos de dois terços da Câmara308 votos.
 

A possibilidade de derrotar a reforma da Previdência é real. Mas, para garantirmos nosso direito à aposentadoria, é necessário prosseguir e ampliar a luta e a pressão. A greve geral do dia 28 deu ao governo o recado claro de que não será fácil vencer a força dos trabalhadores. Agora, é preciso construir novos dias de greve geral e fortalecer a mobilização.
 

Diretor do Sintrajufe/RS presente em Brasí­lia nessa semana, Cristiano Moreira comenta a situação da reforma: “o resultado era previsí­vel, já que o governo precisava apenas de maioria simples na comissão, na qual, inclusive, tem a possibilidade de trocar seus membros para melhorar a correlação de forças, regra da qual fez uso na véspera da aprovação. O embate maior e decisivo ocorre no Plenário, onde Temer precisa de 308 votos, quórum qualificado por se tratar de emenda à Constituição. E o governo está bem distante desse número. Essa avaliação é corroborada por diversos parlamentares e, apesar dos discursos delirantes do Ministro da Justiça e outros prepostos do governo, até as pedras sabem que a greve geral histórica de 28 de abril fez o Planalto tremer e dificultou ainda mais a aprovação da reforma (que, na véspera da greve, já contava com 71% de rejeição da população)”.
 

Cristiano também comenta a força do enfrentamento à reforma e a participação dos trabalhadores do Judiciário Federal: “Nossa categoria está de parabéns pela adesão massiva à mobilização e participação em grandes atos em Porto Alegre e todo estado. Há resistência mesmo em setores da base aliada, pois ano que vem tem eleição e a máxima “quem votar, não vai voltar” de fato preocupa a casta polí­tica. Portanto, a avaliação é a de que estamos no caminho certo, mas a mobilização precisará aumentar. Do lado de lá, Temer também irá intensificar as negociatas de compra de votos com cargos e emendas parlamentares. Façamos nossa parte! Não vamos permitir que corruptos decidam nosso futuro e acabem com nossa aposentadoria. Podemos vencer!”.