SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Com julgamento em 16 de agosto, direitos quilombolas e indí­genas estão em risco no STF

Na próxima quarta-feira, 16 de agosto, o Supremo Tribunal Federal vai julgar questões que colocam em risco os direitos de comunidades indí­genas e quilombolas do Brasil, representando um retrocesso para as polí­ticas relativas às comunidades tradicionais.

Com relação à questão indí­gena, serão julgadas três Ações Civis Originárias (ACOs) envolvendo o Parque Indí­gena do Xingu (MT), a Terra Indí­gena Ventarra (RS) e terras indí­genas dos povos Nambikwara e Pareci. Os autores das ações reivindicam a tese do marco temporal, segundo a qual só teriam direito à demarcação os indí­genas  que estivessem nas terras em 5 de outubro de 1988, data em que foi promulgada a Constituição.

A tese é grave na medida em que ignora todas as remoções forçadas feitas por meio de opressão e violência que as diversas etnias indí­genas sofreram e ainda sofrem ao longo dos séculos XX e XXI. Se aprovada, milhares de indí­genas deverão perder seu direito ao território.

No mesmo dia, será retomado o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) n° 3239/04, que tem por finalidade julgar o Decreto Federal n° 4887/03. O decreto  regulamenta os procedimentos administrativos para a titulação dos territórios quilombolas, possibilitando ao órgão competente, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a tramitação dos processos de titulação. O julamento foi iniciado em 2012 e interrompido após pedidos de vista. O placar está 1×1, e nove ministros ainda precisam proferir o voto.

Caso o decreto seja julgado inconstitucional, a demarcação de terras quilombolas poderá ser interrompida, devido à ausência de um marco regulatório. Atualmente, 1525 quilombos aguardam a titulação de seus territórios.

Onir Araújo, militante da Frente Quilombola do RS, avalia que, caso as ações sejam julgadas procedentes, haverá um retrocesso ao perí­odo da Lei de Terras de 1850, ou seja, se consolidará o esbulho colonial racista e se premiará todos(as) que de alguma forma se beneficiaram dos crimes de lesa humanidade cometidos contra os povos originários e os descendentes dos africanos escravizados.  Estamos em campo para que essa catástrofe não aconteça .