SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Com gás de pimenta nos olhos, servidores cobram negociação no STF

“Negocia, Lewandowski!”. Isso foi o que servidores do Distrito Federal e de mais 15 estados do paí­s disseram ao presidente do STF, com faixas, bandeiras, apitos e cornetas na tarde e no iní­cio da noite de quarta-feira, 27, em Brasí­lia. O ato nacional da greve do Judiciário Federal e do MPU reuniu cerca de mil trabalhadores e percorreu os quase dois quilômetros que separam a Catedral da Praça dos Três Poderes, na Esplanada dos Ministérios. Apesar de pací­fico o tempo todo, ao avançar para além da grade de contenção que cerca o tribunal e ocupar parte da rampa de acesso ao Supremo, acabou reprimido com violência pela Polí­cia Militar, que lançou gás de pimenta nos olhos de servidores.
 

Outra vez, o ministro Ricardo Lewandowski indicou o diretor-geral do tribunal, Amarildo Vieira, para receber uma comissão formada por dirigentes da Fenajufe e do sindicato do Distrito Federal (Sindjus/DF). Do lado de fora, o protesto continuava e a reunião chegou a ser interrompida por certo perí­odo quando a ação violenta da PM tumultuou o ato dos servidores. Na conversa, Amarildo disse que Lewandowski vai assinar o substitutivo do PL 6613/2009, o que o ex-presidente Joaquim Barbosa não fez, e reenviá-lo até sexta-feira, 29, à Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, onde o projeto salarial dos servidores está parado. Mas também disse que até o momento não houve negociação entre o STF e o governoinformação que desagradou os representantes sindicais.
 

Os servidores avaliam que sem que Lewandowski busque negociar diretamente com a presidente Dilma Rousseff (PT) para fechar um acordo, o projeto salarial não avançará. Esta preocupação foi explicitada durante toda a manifestação. Nas faixas que traziam referências e fotos dos dois presidentes e nos cerca de 30 minutos que o ato parou em frente ao Palácio do Planalto, sede do governo, obstruindo o trânsito de todas as pistas na frente do prédio.
 

Repressão da polí­cia
 

O ato simbólico de derrubar as grades e ocupar a rampa de acesso do STF também demonstrou, de certa forma, a impaciência da categoria com a demora no iní­cio das negociações entre os poderes. A ação foi pací­fica e não teria maiores incidentes não fosse a violenta e também impaciente reação de um major da PM ao barulho de uma corneta. Quando ele arrancou à força o instrumento das mãos de um servidor de Brasí­lia, manifestantes que ainda não haviam ultrapassado o gradil avançaram para defender o colega. Foi aí­ que o gás de pimenta foi lançado contra os trabalhadores e o tumulto começou, com a calma se restabelecendo após alguns minutos. Não houve feridos. A reunião, interrompida, foi retomada cerca de 20 minutos depois, só que mais tensa. O STF não se pronunciou sobre o ocorrido.
 

O ato demonstrou que a categoria não aguenta mais o descaso de Dilma e Lewandowski com a questão salarial dos servidores e vai continuar nas ruas até o acordo , disse à reportagem Cristiano Moreira, da direção do Sintrajufe/RS. A repressão da polí­cia a um ato pací­fico demonstra qual é a resposta do Supremo, que não negocia com o Executivo, à nossa justa reivindicação , disse.
 

De fato, a resposta dada pelo diretor-geral aos servidores não agradou nem um pouco. Foi positiva a assinatura de Lewandowski no texto do substitutivo, proposta salarial formatada na comissão de negociação que foi instalada no STF em meio à greve do primeiro semestre. A promessa é de que o texto será mantido na í­ntegra, sem alterações e sem parcelamentosnão houve apresentação de ˜plano b™, como o próprio Lewandowski sugeriu na semana passada quando conversou rapidamente com os servidores, aparentemente porque as negociações não aconteceram.

 

Mas a falta de respostas concretas sobre quando a negociação acontecerá foi mal recebida. Não há também qualquer garantia de que o governo não voltará a cortar a proposta orçamentária do Poder Judiciário quando enviá-la ao Congresso Nacional, o que deverá acontecer até sexta-feira. O diretor-geral, aliás, chegou a admitir que isso seja o mais provável que aconteçao que repetiria o ocorrido em 2011 e que levou o então presidente do STF, Cesar Peluso, a procurar a presidente Dilma para cobrar explicações, numa das raras iniciativas nos últimos anos em que o chefe do Judiciário parecia disposto a bancar a autonomia entre os poderes, o que ao final não se confirmou.
 

Manter a pressão
 

Após a reunião, já noite e com o ato já bem reduzido, a comissão que participou da reunião repassou para os servidores o resultado da negociação. Em termos de negociação não há negociação , disse Pedro Aparecido, coordenador da Fenajufe e dirigente do sindicato de Mato Grosso (Sindijufe/MT). Falei a ele que temos greve em nove estados com a participação de dez sindicatos e que tí­nhamos que ter uma palavra para a categoria, que não tí­nhamos nada além da boa-vontade de Lewandowski , disse. O dirigente também relatou a Amarildo que na Bahia e no Mato Grosso, além da falta de respostas às reivindicações, os servidores da Justiça do Trabalho em greve estão sofrendo corte de ponto prévio. Solicitou que o STF se pronunciasse sobre issoo diretor-geral disse desconhecer os casos.
 
 
 
Os servidores voltaram a reivindicar uma reunião formal com o presidente do STF. O representante do tribunal disse que isso seria praticamente impossí­vel até a solenidade de posse do ministro no cargo, marcada para 10 de setembro. Também participaram da reunião Cledo Vieira, João Evangelista e Mara Weber, pela Fenajufe, e Jailton Assim, do Sindjus/DF.
 

O ato em Brasí­lia deu o recado da categoria ao governo e ao presidente do STF, avaliaram alguns servidores ao final do protesto. A ocupação da rampa deu uma pressão maior, incomodando. E a gente tem que incomodar, criar fatos polí­ticos , disse Elcimara de Souza, servidora do Tribunal de Justiça de Brasí­lia e integrante do Renova Sindjus/DF, oposição à direção sindical da entidade. Agora precisamos que mais gente participe , defendeu. O servidor Tarcí­sio Ferreira, dirigente da Fenajufe e da base do Sintrajud/SP, criticou o ataque ao direito de manifestação, mas disse que o protesto repercutiu e pressionou por negociações. Pressão que, avalia, tem que continuar.
 

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Hélcio Duarte Filho, LutaFenajufe Notí­cias.