SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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CJF prioriza pagamento a juí­zes e deixa de lado passivo de servidores

Dia 18, o diretor do Sintrajufe/RS Fagner Azeredo e o coordenador-geral da Fenajufe Adilson Rodrigues estiveram no Conselho da Justiça Federal (CJF) para cobrar providências para o pagamento dos passivos ainda este ano. Eles foram recebidos pela secretária-geral, Eva Maria Ferreira Barros. Questionada sobre a possibilidade de busca de suplementação junto à Secretaria de Orçamento Federal (SOF), ela afirmou que o CJF está em negociação, mas que há sinalização de resposta negativa, ainda que ela não tenha sido dada concretamente. A negociação com este governo não está sendo fácil , afirmou.

Passados pouco mais de dois meses da publicação da Portaria Conjunta nº 4 dos conselhos sobre o reenquadramento, o CJF ainda não tomou nenhuma providência para cumpri-la. Limitou-se a fazer um ofí­cio burocrático à SOF e não realizou outra ação efetiva para assegurar os recursos necessários para quitar a dí­vida com os seus servidores. Agora, próximo ao recesso, os servidores receberão um banho de água fria. Nem sequer houve uma resposta formal da SOF ao CJF, como tradicionalmente é feito.

Os dirigentes insistiram na cobrança do pagamento dos passivos, inclusive apontando para possí­veis sobras orçamentárias. Eva disse que o CJF pagou aos servidores, este ano, mais de R$ 46 milhões referentes a passivos, numa negociação muito difí­cil com o Executivo. No que foi prontamente rebatida pelos dirigentes, que salientaram que o que ela considera passivos, na verdade, são considerados pelos servidores como direitos que deveriam ter sido pagos na folha do mês ou, no máximo, no mês subsequente, porque são decorrentes do Regime Jurí­dico único (RJU), como auxí­lios transporte e natalidade, substituição de FCs e outros, mas, por excesso de burocracia e lentidão no processamento nos tribunais e no Conselho, vêm sendo postergados excessivamente.

Com relação ao reenquadramento, a secretária-geral manifestou preocupação ao afirmar que não haverá possibilidade de quitação desse débito, que chega a R$ 110 milhões, segundo ela. Ainda respondendo à questão de possí­veis sobras orçamentárias, Eva foi taxativa ao dizer que o disponí­vel do CJF está zerado , com exceção dos valores com destinações especí­ficas previstas em lei. Ela chamou à sala o secretário de Orçamento, Gustavo Bicalho Ferreira da Silva, que reafirmou a falta de sobras para pagar o passivo dos servidores, tendo inclusive acessado a página do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siaf) na internet e tirado o extrato do CJF no sistema para comprovar isso. No extrato apresentado, consta somente verba para pagamento de passivos dos juí­zes (ATF, URV e PAE).

Prioridade para magistrados

Apesar de insistir na afirmação da grande dificuldade em conseguir recursos para o pagamento dos passivos devidos aos servidores, o CJF tem atuado intensamente para buscar verbas com o objetivo de direcioná-las prioritariamente aos magistrados. Prova disso é que o CJF obteve uma dotação suplementar de R$ 25 milhões para cobrir passivos referentes a auxí­lio-alimentação de servidores, conforme especificado na Lei 12.893, publicada em 16.12.2013, mas utilizou o montante em favor dos juí­zes.

Indagada sobre qual utilização o CJF faria desses recursos, a secretária-geral informou que, como não há passivo de auxí­lio-alimentação devido aos servidores, o órgão destinará esses valores para pagar apenas o retroativo do auxí­lio-alimentação devido aos juí­zes. É estranho que o CJF tenha feito esse tipo de solicitação, mesmo sabendo que não havia passivo de auxí­lio-alimentação pendente com os servidores. Mais estranho ainda é os valores terem sido destinados somente a passivo de juí­zes.

Lamentamos que a administração do CJF tenha atuado prioritariamente apenas para buscar recursos para pagamento de passivos devidos aos magistrados, que além dos valores significativos, que estão recebendo a tí­tulo de URV, ATS e PAE, receberão pequenas fortunas com o pagamento do retroativo de auxí­lio-alimentação , disse Adilson Rodrigues.

Só o presidente do CJF não recebeu a Fenajufe
 
Eva Maria Ferreira Barros foi muito questionada sobre a forma como o CJF vem tratando as questões relativas aos servidores, sobretudo o fato de o ministro Felix Fischer ser o único presidente de Conselho do Judiciário a não ter recebido os representantes da Fenajufe este ano para tratar da pauta emergencial de reivindicações apresentada há quase seis meses. Além disso, ele não tem demonstrado o mí­nimo esforço para atender as demandas da categoria, nem sequer no sentido de buscar recursos para pagamento dos passivos devidos aos servidores.

Eu sei que vocês estão ressentidos porque o ministro ainda não recebeu a Fenajufe”, disse Eva, garantindo que vai levar o descontentamento da federação ao presidente do CJF e tentar agendar uma audiência para o dia 10 de fevereiro de 2014.

Ao final da reunião, Adilson pediu à secretária-geral do CJF um esforço para realizar diligência até a última hora junto à SOF para conseguir a verba para o pagamento dos passivos dos servidores. Ele reforçou também na necessidade de marcação de audiência com o presidente Felix Fischer.

Para o diretor Fagner Azeredo, a prioridade que o CJF deu às demandas dos magistrados, em claro prejuí­zo ao direto já reconhecido dos servidores quanto ao reenquadramento, demonstra o descaso da cúpula da Justiça Federal com os trabalhadores desse ramo. A informação trazida pela secretária-geral de que os passivos pagos este ano (URV e auxí­lio-alimentação de juí­zes) consumiram toda a verba existente para a Justiça Federal não serve como justificativa, pois o reenquadramento deveria ter sido pago aos servidores desde o iní­cio do ano, uma vez que o atraso decorreu de uma má interpretação da lei 12.774/2012. O empenho que se verificou na busca de orçamento para os magistrados não se repetiu para atender à pauta dos servidores , afirmou o dirigente. 
 
Atualização às 17h40min:
 
Em contato com a Direção-Geral do TRF4, nesta sexta-feira, 20, o Sintrajufe/RS foi informado de que não há sobras orçamentárias que viabilizem o pagamento dos passivos do reenquadramento e que é necessária a suplementação orçamentária.
 
Com informações da Fenajufe

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