SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

APOSENTADOS LESADOS

Auditoria identifica que 93% dos consignados do Banco Master foram feitos sem assinatura dos aposentados

Auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que 93,3% dos contratos de crédito consignado do Banco Master começaram a valer antes da assinatura dos aposentados e aposentadas do INSS que seriam os beneficiários. Esses consignados aparecem entre os suspeitos de fraude pelo banco, de propriedade de Daniel Vorcaro, hoje preso.

Em 90,5% dos casos de contratações analisadas pela auditoria, as assinaturas foram registradas dois ou mais dias depois do começo da vigência contratual. Conforme a CGU, a averbação de um contrato desse tipo só pode ocorrer com manifestação expressa “por meio de assinatura com reconhecimento biométrico”. O relatório diz ainda que “essas situações podem gerar distorções no cálculo dos valores financiados e das dívidas dos clientes, haja vista que dificultam a identificação da real data de vigência dos instrumentos”.

Conforme as investigações em andamento contra Vorcaro e o Banco Master, as fraudes contra o dinheiro dos aposentados ocorreu em duas frentes: a operação do Credcesta, onde estão os empréstimos consignados; e o aporte de dinheiro de servidores aposentados de estados e municípios, por meio dos fundos de pensão.

18 fundos públicos de pensão foram vítimas

No total, 18 fundos previdenciários investiram no Master, totalizando R$ 1,876 bilhão em letras financeiras, título que não tem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que ressarce as perdas de investidores em caso de crises bancárias. Esse rombo está sendo coberto por estados e municípios. Conforme noticiado na imprensa, esses investimentos ocorreram mesmo com circulação de informações de que o banco não era confiável. O rombo estimado gerado pelo Banco Master para o Fundo Garantidor chega a R$ 51 bilhões, somando os fundos de pensão e os bancos que cobriram os valores. Só no Banco de Brasília (BRB), o rombo foi de R$ 17 bilhões.

Viagens, cartões de crédito, festas…

Em novembro de 2025, a partir da descoberta da venda de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos que o banco não tinha como honrar, o Banco Master se tornou o centro de uma longa investigação. Quando o celular do dono do banco, Daniel Vorcaro, foi apreendido, começaram a aparecer suas relações com altas esferas do poder, incluindo outros empresários, políticos e membros do Supremo Tribunal Federal.

Vorcaro financiou viagens de jatinho, festas luxuosas em boates e iates e também viagens. Eram as formas de agradar em troca de influência e da possibilidade de novas negociatas. Conforme reportagem da Piauí, “o banqueiro se fantasiou de Drácula em uma comemoração de Halloween com ‘novinhas’ e proporção de 120 mulheres para 20 homens”. Segundo a revista, ele “fazia das festas uma forma de estreitar laços, conquistar aliados e agradar figuras da República estratégicas para os seus interesses”.

Com informações da Folha de S. Paulo