
Preparando o início da greve, indicada para o dia 10, os servidores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul realizaram um ato público nesta terça-feira, 2, em frente à Justiça Federal. Em diversos estados do país, foram realizadas paralisações e atividades de mobilização em defesa da aprovação da reposição salarial da categoria. No Rio Grande do Sul, são 48 horas de paralisação nos dias 2 e 3. Além do ato público de hoje, na quarta-feira será realizada uma assembleia geral para definir a entrada na greve nacional.
Na abertura do ato, o diretor Cristiano Moreira apresentou informes sobre a situação da mobilização no restante do país e no interior do Rio Grande do Sul. Conforme informado pelo dirigente, os colegas do Paraná já estão em greve e Santa Catarina aprovou adesão para a próxima semana. Além do Rio Grande do Sul, já há indicativos de greve no Distrito Federal, em Mato Grosso, São Paulo, Alagoas, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins. No interior do estado, ocorreram paralisações, nesta terça-feira, em diversas cidades: Bento Gonçalves, Cachoeira do Sul, Capão da Canoa, Carazinho, Caxias do Sul, Cruz Alta, Erechim, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santa Vitória do Palmar, Santana do Livramento, Santo í‚ngelo, São Leopoldo, São Borja, Taquara, Tramandaí, Uruguaiana e Vacaria.
 
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Ainda na abertura do ato público, foi saudada a presença do diretor do Sindicato Nacional dos Servidores do MPU e do CNMP (Sinasempu), Gerson Anversa, que manifestou apoio à luta da categoria.
As falas dos colegas presentes na atividade destacaram a importância deste momento para ampliar a mobilização, iniciar a greve e avançar rumo à aprovação do PLC 28/15. Miguel Rangel, colega a JF, citou a luta dos municipários como exemplo de uma mobilização forte e destacou que, para os servidores do Judiciário Federal, o momento é agora: “o momento é delicado, é preciso fazer uma pressão gigantesca sobre o governo e o STF, mas a hora é agora, temos que ir à luta”, convocou. Em seguida, Alan Carlos Silva, colega da JT, também ressaltou a necessidade de fortalecer a luta: “não vamos nos iludir com acordos. Não existe acordo, existe conquista dos trabalhadores com a luta”, defendeu.
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O colega Marcelo Carlini, da JF, disse que o problema para aprovar a reposição salarial da categoria é o ajuste que o governo está promovendo. Criticando a proposta de nova Lei Orgânica da Magistratura, chamou à mobilização: “temos duas escolhas: ou baixamos a cabeça, voltamos a trabalhar e ficamos sem reposição, ou vamos para a greve lutar. A gente não tem que baixar a cabeça, a gente tem que reagir e construir uma greve forte”. Ana Naiara Malavolta, colega da JT, também lembrou a necessidade de fortalecer a mobilização: “não podemos acreditar que temos um governo amigo dos trabalhadores, que vai defender nossa reposição. Quem tem que defender nossas pautas somos nós”.
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O colega Zé Oliveira, da JF, destacou que a categoria está indignada, mas que essa indignação precisa ser transformada em luta: “a pressão tem que ser agora para buscar o acordo. Ou a gente luta agora e cobra negociação, ou voltamos a trabalhar indignados, mas colaborando para ficarmos sem reposição”. O diretor do Sintrajufe/RS Ruy Almeida questionou a falta de uma proposta concreta, embora há cerca de um mês se ouça falar em negociações, e chamou os colegas à mobilização e à greve a partir do dia 10: “temos que chamar para cada um de nós a responsabilidade, pegar a rédea das nossas vidas nas nossas próprias mãos. Até quando vamos deixar pisarem na nossa cabeça?”, perguntou.
O diretor Cristiano Moreira lembrou que nenhum aumento salarial ao longo da história da categoria veio sem greve e que, agora, diferentemente do ano passado, o quadro nacional de mobilização se mostra bastante positivo. Mesmo assim, para ele, “não estamos necessariamente próximos de uma vitória, estamos próximos, sim, de um desfecho. Esse desfecho pode ser positivo ou negativo, vai depender de cada um de nós”, concluiu, convocando a categoria a somar-se à greve nacional. Na mesma linha, o colega Rafael Scherer, da JT, explicou que nenhuma proposta virá sem luta e se disse orgulhoso da categoria pela vontade de se mobilizar: “temos que construir a maior greve do Judiciário Federal dos últimos anos”, defendeu.
 
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O diretor do sindicato Andres Cevallos elogiou os colegas, afirmando que a categoria está transformando a indignação em cada vez mais luta. Ele lembrou que todos têm o dever de ir aos locais de trabalho e “chacoalhar” os colegas para que participem das mobilizações: “a bola está na marca do pênalti, mas, para fazermos esse gol, temos um goleiro gigantesco pela frente. Mas vamos fazer”, completou. Também diretor do Sintrajufe/RS, Fagner Azeredo sublinhou que a categoria não pode ficar esperando que um acordo “caia do céu” e que é fundamental construir uma greve forte a partir do dia 10 para buscar a aprovação do projeto de reposição no Senado e a sanção presidencial. Fagner ainda retomou a imagem trazida por Andres: “a bola está na marca do pênalti, temos que ter a coragem de chutar”.
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Após as falas, todos os presentes saíram em caminhada no entorno do prédio e, em seguida, até o TRF. “Servidor na rua, Dilma a culpa é tua”, “Eu não aguento, eu não aguento, são nove anos sem aumento” e “Abaixo o ajuste, eu quero reajuste” foram os cantos que, misturados a apitos e cornetas, demonstraram com muito barulho a indignação da categoria e sua disposição de luta.
Com o ato público encerrado em frente ao TRF, foi reforçado o chamado para a importante assembleia de quarta-feira, 3, que irá deliberar sobre o indicativo de greve a partir do dia 10 de junho. A assembleia começa às 14h, nas varas trabalhistas, e haverá almoço (“salchipão”) a partir das 12h30min. O Sintrajufe/RS irá disponibilizar transporte, saindo às 12h15min e às 13h45min dos prédios da Justiça Federal e da Justiça Eleitoral. Todos na assembleia, rumo à greve!








