SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Assembleia geral aprova continuidade da greve e apagão nos dias 29 e 30 de junho

 

Em assembleia geral realizada nesta terça-feira, 23, os servidores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul decidiram pela continuidade da greve e a busca pela intensificação da mobilização nos próximos dias. Com o auditório das varas trabalhistas completamente lotado, a categoria reforçou a importância do movimento grevista e a necessidade de seguir ampliando a adesão e a força da luta pela aprovação do PLC 28/2015. Além disso, foi aprovado o calendário de luta sugerido pelo Comando Estadual de Greve, que inclui um grande apagão nos dias 29 e 30 de junho.

A assembleia teve iní­cio com informes sobre a situação da greve no Rio Grande do Sul, onde quase 70 cidades já registraram adesão, e em todo o paí­s, onde apenas o estado de Tocantins ainda não está no movimento grevista. O diretor Cristiano Moreira destacou o crescimento do movimento, mas lembrou que a previsão do dia 30 não deve balizar a mobilização. Cristiano lembrou que o governo ainda não apresentou qualquer proposta, e afirmou que há informação de que o STF estaria preparando uma emenda ao projeto a ser apresentada mesmo sem acordo com o Executivo. Essa possibilidade poderia fazer com que o projeto voltasse à Câmara dos Deputados, sem previsão de novos avanços e dificultando a aprovação final.

Em seguida, ainda antes do iní­cio das falas, o diretor Fagner Azeredo, fez um relato sobre reunião realizada poucos minutos antes com o novo presidente do TRE-RS, na qual o presidente do Tribunal garantiu apoio ao PLC 28/15 e PLC 25/15 (equiparação entre chefias de cartório da capital e interior), inclusive com envio de ofí­cio, nos próximos dias, à presidência da República, presidência do Senado e presidência do STF.

Falas destacam necessidade de ampliar a luta e criticam governo e STF

Nas falas, se repetiram crí­ticas à possibilidade de que o Supremo Tribunal Federal (STF) apresente uma emenda ao projeto sem acordo com o Executivo. O diretor do Sintrajufe/RS Luis Rafael Ribeiro defendeu que é preciso “engrossar o discurso” contra o arrocho salarial: “temos que demonstrar o sofrimento que está sendo imposto pelo governo à categoria”, destacou. O colega Rafael Roggia, da JE de Cruz Alta, elogiou a impressionante participação dos servidores da Justiça Eleitoral do interior, e convocou: “momento é agora, fazer greve depois de algo votado não tem muito fundamento, temos que nos fortalecer agora”.

O diretor Fagner Azeredo se mostrou satisfeito com a grande participação da categoria na assembleia, e lembrou que a greve tem crescido constantemente em todos os setores. Para ele, “esse crescimento mostra a indignação da categoria, a revolta com a falta de respeito que nos enfrentamos, com o desrespeito do governo que, ano após ano, corta na nossa carne para garantir o ajuste fiscal. É a revolta com o Judiciário que só se preocupa em garantir autonomia quando é pra tratar de reajuste dos magistrados. Estamos dando uma resposta à altura”, afirmou. Também diretor do Sintrajufe/RS, Paulinho Oliveira sublinhou o fato de ser essa “a maior greve da nossa história”, caracterizada por ele uma grande resposta à falta de respeito por parte do governo: “Precisamos arrancar esse acordo do governo. Sejamos firmes, estejamos conscientes de que nós temos um projeto, e é nele que nós temos que centrar nossa luta. Vamos nos fazer respeitar. Se não for por bem, vai ser por mal”, garantiu.

Zé Oliveira, colega da JF de Porto Alegre, afirmou que a categoria não está sendo respeitada, e que o STF tem o dever de repassar à Fenajufe qualquer encaminhamento novo que queira apresentar em relação ao PLC 28/2015: “o foco da nossa greve continua sendo a pressão por uma proposta do governo que realmente caminhe na busca por um acordo que viabilize a aprovação do PLC”, defendeu. Israel Tvorecki, colega da JT de Porto Alegre, disse que é preciso que todos os servidores acreditem na possibilidade de vitória, e que “a bola está na frente do gol” e cabe à categoria buscar essa conquista: ” É emocionante ver tanta gente voltando a se adonar do seu destino”, afirmou.

“Emenda sem acordo com o governo é manobra”, dizem servidores

O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira criticou a possibilidade que o Supremo Tribunal Federal apresente uma emenda ao PLC 28/2015 mesmo sem acordo com o governo, o que poderia levar o projeto de volta à Câmara dos Deputados: “Não por acaso é uma greve com fortí­ssima adesão em todo o paí­s. É expressão da indignação da categoria, depois de tantos anos sendo desrespeitada pela cúpula do Judiciário e pelo governo. E o STF tem avalizado toda essa enrolação, do iní­cio ao fim”, disse o diretor. Para Cristiano, “um substitutivo ou uma emenda tem um efeito prático apenas se for fruto de um acordo com o governo; do contrário, sendo apresentado pelo STF sem acordo com o governo, é uma manobra que joga o projeto de volta pra Câmara e dá à Dilma todo o tempo que ela precisa. Isso não podemos aceitar”, concluiu o diretor. Também diretor do Sintrajufe/RS, Eduardo Dutra lembrou a importância de seguir ampliando a greve, e afirmou que os colegas que seguem trabalhando ainda não compreenderam a importância que eles próprios têm: “Os colegas que ficaram trabalhando acham que têm que ficar lá agarradinhos no juiz para serem valorizados. É quem luta que é respeitado. Dilma está conseguindo fazer uma coisa boa: está conseguindo nos unir, na maior greve da história da categoria”, completou.

O colega da JF de Porto Alegre Marcelo Carlini avaliou que o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, não demonstra nenhuma indignação com a falta de proposta do governo: “Tudo indica que a polí­tica dele é nos empurrar com a barriga, não votar dia 30 e nos jogar num impasse. Nossa tarefa é até o final exigir o acordo”. Diretor do sindicato, Lázaro Acosta destacou a necessidade de que a Fenajufe também possa participar da negociação com o governo, juntamente com o STF, de forma a que essa negociação se efetive: “Quero ver proposta concreta, se não é enrolação. Não podemos deixar bater na trave. Temos que conseguir um acordo de verdade, não essa ladainha”, apontou o diretor.

Assembleia aprova ato no dia 25 e apagão nos dias 29 e 30

Após as falas, a assembleia foi unânime em aprovar a continuidade da greve por tempo indeterminado, assim como o calendário de lutas já aprovado anteriormente noComando Estadual de Greve, que prevê, entre outras atividades, a participação em um ato na próxima quinta-feira-, 25, na Assembleia Legislativaquando ocorre uma audiência pública sobre as terceirizações que deve ter a presença do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)e a realização de um apagão nos dias 29 e 30.

No dia 29, a categoria fará mutirões de convencimento junto aos colegas que ainda não aderiram à greve. Essas ações ocorrerão às 8h nas varas trabalhistas; às 10h30min, na 1ª Instância da JF; às 11h30min, no Anexo da JE. À tarde, a categoria irá se dividir em duas caminhadas, ambas às 14h, uma saindo das VTs e outra da JF. Os colegas seguirão rumo ao Tribunal de Justiça do RS, onde se somarão em um ato público conjunto com os servidores do Judiciário Estadual, também em greve. O objetivo é realizar uma atividade de valorização, com o mote Sem servidores, não há Justiça .

No dia 30, a categoria participa de café da manhã da greve, nas varas trabalhistas, às 8h. A partir das 13h30min, também nas VTs, haverá ato-vigí­lia, com telão, para acompanhamento da sessão do Senado em que pode ser votado o PLC 28/15. Transporte sairá da JF e JE às 13h. No mesmo dia, uma caravana de 20 colegas estará em Brasí­lia pressionando pela aprovação do PLC 28/2015.

Foi aprovada ainda uma moção de apoio à greve do Judiciário Estadual, que terá iní­cio na quinta-feira, e de repúdio à truculência e ao autoritarismo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que mesmo antes do iní­cio do movimento grevista vem ameaçando os trabalhadores e desrespeitando o direito à greve, anunciando o corte de ponto e punição a servidores em estágio probatório e detentores de função comissionada.