SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Artigo: Não seremos manipulados: nossa unidade deve estar do lado da classe trabalhadora, por Sérgio Amorim

A atual conjuntura tem suscitado debates em toda a sociedade, diante do quadro de ebulição da crise polí­tico-econômica no paí­s. Buscando contribuir para a ampliação da divulgação de ideias e opiniões junto à categoria, o Sintrajufe/RS abriu espaço, nos meios de comunicação do sindicato, para que os colegas sindicalizados exponham sua posição. Além disso, no dia 30 de março, o Sintrajufe/RS divulgou nota, aprovada em maioria pela Direção Colegiada, a respeito do tema.
 
O texto abaixo é de inteira responsabilidade de seu autor e não necessariamente reflete a posição da diretoria do Sintrajufe/RS.


Leia abaixo um dos artigos enviados para publicação:

 

Não seremos manipulados: nossa unidade deve estar do lado da classe trabalhadora

Por Sérgio Amorim, servidor sindicalizado, JT Taquara, membro do Coletivo Viva Voz

O Sintrajufe/RS é um dos quase 30 sindicatos que, em todo o Brasil, representam os servidores das justiças federais. Somos uma categoria heterogênea na interpretação do direito, mas que preza a justiça de forma uní­ssona. Somos muitas ideologias, mas não somos hipócritas. Temos visões diferentes sobre os avanços e os retrocessos dos últimos governos, mas conhecemos muito bem a história antes deles. Somos a diversidade e não podemos ficar em cima do muro, nem lavar as mãos, em nenhum momento crí­tico da polí­tica nacional.
 

Não somos idiotas, nem nos deixamos manipular. Sabemos que não há efetivo crime de responsabilidade que justifique o processo de impeachment. Temos ciência da total falta de legitimidade de Eduardo Cunha para continuar à frente do Congresso Nacional. Está claro pra gente que a corrupção é o que menos se quer combater num ambiente legislativo que manteve o financiamento privado de campanhas polí­ticas, principal porta de entrada da corrupção, e mantém engavetado há mais de um ano um pacote anticorrupção proposto pelo Executivo.
 

Temos capacidade de ler para além da manipulação diária da mí­dia. E, num embate onde não haverá empate, e onde quem se omite poderá estar optando pela injustiça, escolher um lado é mais que um direito. É uma obrigação cidadã. E em especial para um sindicato, que representa servidores públicos do Judiciário, o discurso infantilizado de ˜fora todos™, é um atentado à inteligência da categoria.
 

Sabemos que, por trás da crise polí­tica, há poderosos interesses econômicos avessos ao interesse público. Sabemos que a Petrobras precisa ser desgastada, para ser sucateada e vendida junto com o monopólio público do pré-sal, como foi feito com nosso rico subsolo mineral vendido a preço de banana junto com a vale do Rio [morto] Doce.
 

Sabemos que o gigantismo da operação lava-jato, proporcionado pela autonomia polí­tica concedida pelo atual Executivo às instituições republicanas responsáveis pelo sistema de combate à corrupção, tomou proporções que já perpassam os alvos polí­ticos preferenciais da seletividade midiática, e já alcançam muitos dos falsos moralistas que lideram a polí­tica desde os tempos em que quase tudo era engavetado e a corrupção não aparecia.
 

Sabemos que perder a eleição pela quarta vez consecutiva, para um projeto de governo mais popular, transformou a oposição em um lodaçal de ressentimento e ódio; que ainda causa repulsa à elite polí­tica que desde sempre governou nosso paí­s ter sido desalojada do poder pelo voto popular num nordestino metalúrgico sindicalista iletrado; que a perspectiva desse mesmo ator polí­tico ser candidato novamente, e possivelmente lhes impingir nova derrota democrática, desperta-lhes os mais nefastos sentimentos golpistas; que o brado anticorrupção soa tão hipócrita quanto cí­nico na boca das principais lideranças da oposição, de seus seguidores e dos repetidores vorazes de seus falsos moralismos.
 

Sabemos que o atual governo cometeu erros, em especial quando, sob os efeitos da crise econômica, atacou direitos da classe trabalhadora, impôs arrocho salarial para setores do funcionalismo público e aplicou capí­tulos da velha receita econômica neoliberal imposta pelo poder econômico que domina o Congresso Nacional.
 

Mas também sabemos muito bem que, numa eventual derrota de Dilma em 2014, ou de Lula em 2010, o receituário neoliberal de Estado Mí­nimo seria muito mais que uma resposta à crise, mas uma polí­tica permanente de Estado. Tão ou mais nefasta do que aquela que o povo defenestrou do poder em 2002, em troca de um Estado desenvolvimentista com distribuição de renda e crescente acesso a direitos de cidadania, interrompido pela crise mundial do sistema capitalista, a partir de 2010.
 

Enfim, os servidores do Judiciário Federal precisam mostrar para a sociedade que estão do lado da classe trabalhadora, do povo-povo. Não daquele povo de casuais batedores de panela, nem dos seletivos inimigos da corrupção, tampouco dos rancorosos manequins da corrupta CBF. Com todas as crí­ticas que temos à condução da polí­tica econômica nacional do atual governo, que precisam ser feitas de forma pontual e firme, precisamos mostrar que estamos do lado da parcela da população que mais precisa de serviços públicos de qualidade, como o que oferecemos diariamente, pois não pode pagar por saúde, educação, segurança e outros serviços privados.
 

Precisamos mostrar que estamos do lado de artistas, juristas, intelectuais, trabalhadores e estudantes que defendem o Estado Democrático de Direito, a presunção da inocência e o devido processo legal. Que estamos do lado de quem não compactua com ilegalidades ou politização na condução da justiça, nem com perseguições polí­ticas disfarçadas de combate à corrupção.