SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Ameaça: Paulo Guedes fala que servidores ficarão sem salários se reforma da previdência não for aprovada; chantagem indica dificuldades do governo

Nessa segunda-feira, 25, em uma clara tentativa de chantagear os trabalhadores, o ministro da Economia Paulo Guedes disse, em evento da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que a interrupção do pagamento de salários aos servidores públicos será a primeira coisa a acontecer caso a reforma da previdência não seja aprovada.

Nesta terça-feira, 26, Paulo Guedes compareceria à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados para explicar a reforma da previdência e também a reestruturação da carreira dos militares, com aumento generoso da remuneração principalmente das maiores patentes por meio de penduricalhos , mas acabou desistindo. A participação estava prevista na agenda oficial, mas, pela manhã, a assessoria do ministro informou que ele não iria mais e enviaria representantes da área técnica, o que causou revolta em parte dos deputados. Foi fechado um acordo entre oposição e a base aliada do governo para Guedes ser ouvido na próxima quarta (3), na condição de convidado e não de convocado.

No Congresso, oposição e centrão criticam a proposta do governo

Nesta terça-feira, 26, os lí­deres dos partidos de oposição (PDT, PT, PCdoB, PSB, Psol e Rede, além dos lí­deres da Minoria e da Oposição) se manifestaram sobre a reforma da Previdência por nota oficial. Eles criticaram o teor da reforma e reafirmaram a intenção de lutar pela rejeição da proposta, debater propostas que garantam a sustentatibilidade da Previdência Pública, “incluindo a eliminação de distorções e privilégios, o reforço das fontes de financiamento por meio da taxação de lucros e dividendos, das grandes fortunas e dos juros sobre capital próprio, revisão de isenções e desonerações e o combate à sonegação”, e defender a Previdência Pública e a Seguridade Social.

Também nesta terça, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que tem andado às turras com o governo, criticou dois pontos especí­ficos da proposta de Bolsonaro. Para Maia, as mudanças propostas pelo governo na aposentadoria rural e no Benefí­cio de Prestação Continuada (BPC) “têm mais atrapalhado do que ajudado” a reforma da Previdência. Mais cedo, lí­deres de 13 partidos do chamado centrão (PSDB, DEM, PP, PR, PRB, PSD, PTB, SD, MDB, Podemos, Cidadania, PROS e Patriota) divulgaram nota apoiando a proposta de Bolsonaro, mas defendendo as mesmas mudanças no texto que seriam reivindicadas por Maia.

Para o diretor do Sintrajufe/RS Rafael Scherer, essa chantagem do Paulo Guedes é inaceitável. Ele quer que a gente acredite que com a aprovação da reforma da previdência vai sobrar dinheiro para outras áreas. Pelo contrário. Hoje os trabalhadores da ativa pagam as aposentadorias. Quando nós nos aposentarmos quem vai pagar a conta, se os próximos trabalhadores entrarão no regime de capitalização? Se a reforma for aprovada, aí­ sim teremos menos recursos para o serviço público. Paulo Guedes ajudou o ditador Augusto Pinochet a jogar milhões de idosos chilenos na miséria. Não podemos permitir que essa proposta criminosa de desmonte da previdência seja aprovada também no Brasil .

Em Porto Alegre, no dia 30 de março o Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência realiza seminário sobre a proposta de reforma da Previdência de Bolsonaro. buscando aprofundar os debates a respeito dos efeitos da possí­vel aprovação da reforma e também para organizar a continuidade da luta, que impõe também a construção de uma greve geral o mais rápido possí­vel.