SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

A luta conquista: garis do Rio de Janeiro conseguem acordo e 37% de reajuste

Os garis da cidade do Rio de Janeiro conquistaram, no dia 8, um piso salarial de R$ 1.100, após uma greve de oito dias para cobrar melhorias nas condições de trabalho. A audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) se arrastou durante toda a tarde de sábado e chegou ao fim com a aceitação da administração Eduardo Paes (PMDB) da última proposta feita pelos representantes da categoria.

O novo piso fica abaixo dos R$ 1.200 pleiteados por um segmento da categoria, mas é R$ 225,21 maior que o previsto no acordo fechado previamente entre a prefeitura e o Sindicato de Empregados de Empresas de Asseio e Conservação e representa um reajuste de 37%. Um grupo dos profissionais não gostou da proposta obtida previamente e passou a desconhecer a mediação sindical, o que levou a administração Paes a promover crí­ticas e a não reconhecer a manutenção da greve iniciada em meio ao Carnaval. A prefeitura do Rio de Janeiro, além de criminalizar e judicializar o movimento, utilizou a Polí­cia Militar e a Guarda Civil para coagir os trabalhadores e fazer escolta daqueles que se viram forçados a trabalhar sob a ameaça de demissão.

O uso da força policial contra os grevistas em lugar do diálogo e do atendimento às reivindicações não é prática exclusiva dos governos Cabral e Paes no Rio de Janeiro. Em Porto Alegre, no iní­cio do ano, o prefeito José Fortunati (PDT) buscou a todo momento criminalizar a greve dos trabalhadores rodoviários. A lógica é a mesma em relação às manifestações populares: Fortunati e o governador Tarso Genro (PT) preferem fazer uso do aparato repressor a negociar com as demandas das ruas. Na mesma linha, Dilma Rousseff (PT), aliada de Tarso, Fortunati, Cabral e Paes, opta por reprimir as manifestações e greves, com projetos que restringem as liberdades individuais e coletivas, em lugar de governar com democracia e respeitar a luta legí­tima dos trabalhadores que reivindicam seus direitos.

Mudança no discurso

A reunião no TRT estava marcada para terça-feira, após o fracasso da véspera, mas foi antecipada devido aos problemas causados pela suspensão da coleta de lixo em várias regiões da cidade. O presidente do tribunal, Carlos Alberto Araújo Drummond, chegou a propor um intervalo de 20 dias na greve, manifestando preocupação com a previsão de chuva para os próximos dias.

A prefeitura apresentou proposta de R$ 1.050, mas os garis, que recusaram a intermediação do sindicato, decidiram fazer uma contraproposta no valor de R$ 1.100, que acabou aceita. Além do novo piso, os trabalhadores terão R$ 20 de tí­quete-refeição diariamente, R$ 4 a mais que o valor que havia sido fechado pelos representantes sindicais.

O aumento acertado foi resultado da contraproposta da categoria. Um dos representantes da comissão de greve, Angelo Ricardo Freitas, disse que os garis ficaram satisfeitos. Estamos todos satisfeitos, pois não querí­amos nada além disso, sentar e conversar e poder propor nossa pauta , disse.

Em carta à população distribuí­da dia 6, o Comando de Greve dos Garis denuncia que a culpa da greve é do prefeito Eduardo Paes, do presidente da Comlurb e do presidente do sindicato, que não vem representando a nossa categoria. Sofremos há muito tempo com péssimas condições de trabalho, banheiros insalubres, não temos equipamentos de segurança adequados, e baixos salários. A situação é tão absurda que no café servido pela Comlurb já encontramos baratas no pão e leite estragado. Há ainda assédio moral contra os trabalhadores. Estamos sendo coagidos a realizar um trabalho .

O documento aponta ainda que a direção do sindicato abandonou a pauta de reivindicação da categoria quando aceitou as imposições do Prefeito Eduardo Paes sem o consentimento dos trabalhadores trazendo indignação dentro de toda a categoria aonde se iniciou o processo da greve . 

Fonte: Andes-SN, editado por Sintrajufe/RS