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Antes do início da palestra, diretores das entidades organizadoras destacaram suas lutas em comum contra os ajustes conduzidos pela presidente Dilma Rousseff (PT) e pelo governador José Ivo Sartori (PMDB). Lembraram ainda que o contexto atual é difícil, com os governos tentando desmontar o serviço público e entregar os recursos à inciativa privada, mas que é possível avançar a partir da luta conjunta da classe trabalhadora. Cristiano Moreira, diretor do Sintrajufe/RS e que também é coordenador do Núcleo Gaúcho da Auditoria Cidadã da Dívida, representou o sindicato na mesa.
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Desde o início de sua fala, Maria Lúcia Fattorelli destacou que o grande problema no combate às deficiências do Estado e, especificamente, na busca por uma auditoria da dívida pública, é o modelo econômico, no qual “falta recurso para tudo”, menos para o pagamento da dívida. “A saída desse modelo é coletiva”, destacou.
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A palestrante falou sobre as dificiuldades da conjuntura atual, que inclui aumento das tarifas, taxa de juros muito elevada, aumento de tributos que penalizam os trabalhadores e os mais pobres, ajuste fiscal com corte de gastos e continuidade das privatizações. Para ela, porém, não é apenas um problema conjuntural, e sim parte de um longo processo decorrente do modelo econômico. E a luta deve ser direcionada a colocar travas a esse modelo.
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Fattorelli apresentou dados do Orçamento da União, que demonstram pouquíssimo investimento em Saúde, Educação, Segurança e Cultura e, por outro lado, uma grande fatia (45%) de gastos com o pagamento de juros da dívida pública. A partir desse ponto, chegou de forma mais específica a sua crítica ao sistema da dívida. A auditora explicou que o problema não é a dívida em si, mas seu sistema, já que a dívida poderia ser utilizada como um complemento dos recursos necessários ao funcionamento do Estado, e que, dessa forma, não haveria nenhum mal, desde que fosse transparente. Porém, sublinhou, “quando vamos investigar a dívida, encontramos a utilização do endividamento às avessas. Virou um mecanismo de contínua subtração sem contrapartida. Essa ausência de contrapartida é a principal característica do modelo. E o maior beneficiado é o sistema financeiro”.
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Essas vantagens ao sistema financeiro, é claro, não saem de graça. Eles financiam as campanhas de diversos políticos, que, por sua vez, votam nas leis que sustentam esse modelo. “Além disso, é um modelo corrupto em si, porque explora as pessoas. (…) A grande mídia usa essa corrupção, passa para os brasileiros que o problema do país é a corrupção e ninguém enxerga a verdadeira corrupção institucionalizada”, afirmou Fattorelli.
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Outra crítica tecida pela painelista se referiu ao uso do superávit para pagar os juros da dívida pública. Ela lembrou que todo o dinheiro que porventura sobre em outras áreas é destinado à dívida, e questionou: “por que não enviar para áreas essenciais para o povo brasileiro?”. “Esse modelo provoca uma dominação financeira com graves consequências sociais”, lamentou. Fattorelli destacou que o Brasil tem a pior distribuição de renda do mundo, e que o fosso social entre ricos e pobres é o mais cruel do mundo e, mesmo assim, não faltam recursos para pagar os juros da dívida.
No combate a esse modelo, Maria Lúcia Fattorelli lembrou a trajetória da Auditoria Cidadã da Dívida, organização que coordena e que conseguiu, em 2008, a criação de uma CPI da Dívida Pública, instalada em 2009. Durante os dez meses em que a CPI funcionou, foi totalmente abafada pela grande mídia, conforme relata a auditora. A CPI, segundo Fattorelli, encontrou fortes índices de irregularidades no sistema da dívida. Ela recordou ainda que em 2000 foi realizado um plebiscito popular pedindo a auditoria da dívida, mas a iniciativa acabou ignorada pelo governo.
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Para a painelista, o Brasil deveria seguir o exemplo de países como o Equador e a Grécia. No caso grego, o processo de auditoria da dívida está em andamento, não sendo possível ainda apresentar as conclusões. Porém, no que se refere ao Equador, a auditoria da dívida públicada qual Fattorelli fez partemodificou a economia do país. “O Equador deu uma lição de ética e soberania ao criar uma comissão oficial para fazer auditoria da dívida”, avaliou, contando que, pelo relatório final, o Equador não precisaria mais pagar sua dívida, mas acabou sendo selado um acordo com a recompra dos títulos da dívida por 30% do valor. Graças a esse processo, em 2008 pela primeira vez o gasto social do governo equatoriano superou o gasto com a dívida, o que se manteve nos anos seguintes. “O Equador provou a eficiência da ferramenta da auditoria”, destacou.
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Ao final da fala de Maria Lúcia Fattorelli, Josué Martins, coordenador do Núcleo Gaúcho da Auditoria Cidadã da Dívida, falou sobre a situação da dívida estadual, lembrando que as mudanças legais recentes ajudam, mas não resolvem o problema dos estados, resultado de um “superendividamento público”. Ele ainda criticou o governador José Ivo Sartori: “O governo Sartori tem espremido a sociedade gaúcha em vez de enfrentar a questão da dívida”, afirmou.
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Diversos colegas das várias categorias presentes puderam, ao final do encontro, realizar intervenções, com questionamentos e avaliações sobre a situação expressa por Fattorelli e sobre o importante trabalho realizado pela Auditoria Cidadã da Dívida. Foi destaca, principalmente, a necessidade de ampliar esse debate, envolvendo toda a sociedade para que a população possa compreender a importância da realização de uma auditoria.









