Nesta quinta-feira, em todo o país, a CUT convocou manifestações, no Dia Nacional de Mobilização. Em Porto Alegre, a CUT-RS, juntamente com as federações e sindicatos filiados, realizaram caminhada no Centro de Porto Alegre e ato público em frente ao prédio da Receita Federal. Também participaram a Via Campesina, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o Movimento dos Trabalhadores Desempregados e o Levante da Juventude. O Sintrajufe/RS foi representado pelos diretores Silvana Klein e Zé Oliveira.
Desde a madrugada, as entidades filiadas à CUT promoviam assembleias, paralisações e pequenas passeatas em suas categorias em diversas cidades do estado. Após comandar a Marcha das Centrais Sindicais e dos Movimentos Sociais e levar 50 mil pessoas às ruas de Brasília, no dia 6 de março, a CUT voltou a pressionar em uma mobilização nacional para destravar a pauta entregue ao governo e a parlamentares.
Em sua fala no carro de som, Silvana Klein falou sobre a necessária solidariedade no interior da classe trabalhadora: Por isso estamos aqui, os servidores públicos, apoiando a redução da jornada para 40 horas e o fim do fator previdenciário . A diretora afirmou que a jornada extensa explora o corpo dos trabalhadores, prejudica sua saúde, reduz a convivência familiar, o lazer e, muitas vezes, impede que eles estudem e se qualifiquem. Silvana lembrou, ainda, que os servidores públicos estão iniciando uma pauta em busca da negociação coletiva, que permita que esse setor possa sentar à mesa de negociações e tenha respeitados os acordos.
O presidente da CUT/RS, Claudir Nespolo, disse que distribuir riqueza não pode se restringir a programas como o Bolsa Família. É preciso aumentar salários, corrigir os valores das aposentadorias dos que ganham acima de um salário mínimo, reduzir a jornada de trabalho, acabar com o fator previdenciário. Temos de avançar esta pauta que vem de baixo para cima, que é da classe trabalhadora , afirmou o dirigente. Ele informou que é preciso um maior envolvimento entra as lutas dos trabalhadores do campo e da cidade. Deu o exemplo dos metalúrgicos, que colocaram na pauta de reivindicações deste ano uma luta conjunta com a agricultura familiar, que tem como meta uma alimentação mais saudável. A ideia é que nos refeitórios das fábricas e nas cestas básicas constem produtos cultivados de maneira orgânica, sem utilização de agrotóxicos, produzidos nas pequenas propriedades.
O Dia Nacional de Mobilização ganhou maior relevância diante da necessidade dos trabalhadores de impedir a aprovação do PL 4.330, de autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que autoriza a terceirização na atividade fim, a terceirização no serviço público e libera a empresa contratante de qualquer responsabilidade trabalhista com os trabalhadores terceirizados. Se aprovada, a proposta causará danos irreparáveis à classe trabalhadora, como a perda de direitos e a precarização das relações de trabalho.
Confira a pauta de reivindicações
¢ 40 horas semanais sem redução de salários
¢ Fim do fator previdenciário
¢ Reforma agrária
¢ Igualdade de oportunidades entre homens e mulheres
¢ Política de valorização dos aposentados
¢ 10% do PIB para a educação
¢ 10% do orçamento da União para a saúde
¢ Correção da tabela do Imposto de Renda
¢ Ratificação da Convenção 158 da OIT, que proíbe a demissão imotivada
¢ Regulamentação da Convenção 151 da OIT, que trata de liberdade sindical e negociação coletiva no serviço público
¢ Ampliação do investimento público
Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS, também com informações da CUT/RS









