Por volta das três horas da madrugada de sábado, 30, para domingo, 1° de maio, encerrou-se a apuração das urnas que elegeriam a nova direção da Fenajufe. Com 121 votos, a chapa 2, Luta Fenajufe, foi a mais votada, obtendo o direito a indicar quatro dos 17 novos diretores, além de dois suplentes. A eleição para o Conselho Fiscal também teve vitória dos candidatos recomendados pelo Luta Fenajufe, nesse caso em composição com o campo União por Justiça. A posse da nova direção e do conselho fiscal ocorreu no domingo, 1° de maio, Dia do Trabalhador. Entre os novos dirigentes eleitos da Federação, está Cristiano Moreira, que é também diretor do Sintrajufe/RS.
No final da tarde de sábado, cada uma das seis chapas inscritas teve dez minutos para se apresentar e defender suas propostas. A primeira a falar foi a chapa 1, Unidade com Equilíbrio para Avançar. Em sua defesa, os representantes da chapa afirmaram que a categoria está sendo desrespeitada há dez anos, e que a Fenajufe deve defender os servidores. Também sustentaram respeito aos partidos políticos, “mas não podemos deixar a federação a reboque dos partidos”, disseram. A chapa 1 também fez forte defesa da exigência de nível superior para os técnicos judiciários.
A segunda chapa a apresentar-se foi a chapa 2, Luta Fenajufe. Um dos representantes da chapa a falar foi Cristiano Moreira, diretor do Sintrajufe/RS. Ele lembrou o histórico do coletivo, fundado em 2007 após os ataques de Lula aos servidores, a fim de resgatar a independência da Federação e dos sindicatos em relação ao governo, aos patrões e aos partidos. Cristiano também fez uma análise da greve construída pela categoria no último ano, bem como uma crítica quanto à postura de alguns dirigentes nacionais: “Enquanto estávamos nos locais de trabalho construindo a greve, tivemos dirigentes atacando a nossa categoria para defender o governo-patrão, prejudicando a nossa luta”, afirmou. Por fim, defendeu que é preciso que os dirigentes da Fenajufe priorizem a discussão das pautas e linhas de ação da categoria no âmbito da federação, “e não nos gabinetes do senhor Amarildo e do senhor Lewandowski”, finalizou, enfatizando que o próximo período deverá ser de luta e resistência por valorização e contra ataques como o PL 257/16, que congela salários.
A chapa 5, União por Justiça, foi a terceira a pronunciar-se, e defendeu uma “Fenajufe voltada para a base”, sustentando a importância de aproximar os servidores da entidade. Seus representantes defenderam renovação e lembraram que nenhum dos nomes por eles propostos fazia parte da diretoria da federação. Também destacaram a pluralidade das representações em sua chapa e sublinharam, como pauta central, a luta pela data-base.
Em seguida, foi a vez da chapa 6, Liberta Fenajufe. Assim como a chapa 2, os representantes da chapa 6 iniciaram retomando o histórico do grupo, “resultado de um movimento de base que começou com os técnicos judiciários em 2014”. Para eles, o maior obstáculo enfrentado foi “a intransigência e a intolerância dos partidos políticos dentro da categoria”. A chapa 6 também defendeu a exigência de nível superior para os técnicos judiciários, além de citar pautas mais gerais, como a data-base e a jornada de seis horas. Encerraram afirmando que “nosso partido é a base”.
A penúltima chapa a falar de suas propostas foi a chapa 4, Fenajufe sem CorrentesJuntos Somos Mais. Para seus representantes, a categoria “está cansada de ser acorrentada por partidos políticos”. Eles afirmaram que, por conta disso, a luta dos servidores não consegue avançar. Destacaram a necessidade de união entre a categoria e se afirmaram enquanto servidores “comprometidos com a base da categoria”.
Por fim, a chapa 3, Democracia e Luta! Zero Não!, apresentou suas propostas aos delegados. Entre os representantes da chapa que se pronunciaram, esteve a colega do Rio Grande do Sul e coordenadora da Fenajufe Mara Rejane Weber. De acordo com ela, “o sectarismo e o ódio nos levaram ao zero até agora”. Ela destacou a importância de se ter responsabilidade e capacidade de negociar na direção a ser eleita para que se possa buscar a aprovação do PL 2.648/2015. Ela ainda criticou o posicionamento de outros campos políticos durante a greve de 2015, afirmando que, enquanto alguns estavam preocupados em atacar o governo, os integrantes da chapa buscavam negociar para alcançar a reposição salarial.
Votação
A votação foi aberta por volta das 20h30min e encerrada às 23h40min. Teve início, então, a apuração. Ao final, com 530 votos válidos, o resultado foi o seguinte:
Chapa 2 (Luta Fenajufe)121 votos4 delegados2 suplentes
Chapa 6 (Liberta Fenajufe)120 votos4 delegados1 suplente
Chapa 3 (Democracia e Luta! Zero Não!)111 votos3 delegados1 suplente
Chapa 5 (União por Justiça)80 votos3 delegados1 suplente
Chapa 4 (Fenajufe sem CorrentesJuntos Somos Mais)68 votos2 delegados1 suplente
Chapa 1 (Unidade com Equilíbrio)30 votos1 delegadosuplentes
Dirigente do Sintrajufe/RS é eleito coordenador da federação
Para Cristiano Moreira, diretor do Sintrajufe/RS e coordenador da Fenajufe eleito pela chapa 2, Luta Fenajufe, “a nova direção terá a tarefa de buscar a necessária valorização da categoria, ainda sem reposição após 54% de perdas, mas sobretudo o papel de organizar a resistência contra os já anunciados ataques a nossos direitos, seja por parte de Dilma, seja em um eventual governo Temer”. O dirigente destacou a correlação de forças da nova diretoria e a necessidade de uma postura independente e combativa: “nossa chapa elegeu 4 representantes de um total de 17 dirigentes. Temos o desafio de buscar a unidade da direção e da categoria e, para isso, é fundamental que a independência e autonomia frente a governos, partidos e administrações dos tribunais seja respeitada. Esse é um princípio que defenderemos como essencial no âmbito da Federação”, concluiu.
Entre os novos eleitos, há outros dois colegas do Rio Grande do Sul. A colega Mara Rejane Weber, da chapa Democracia e Luta! Zero Não!, foi eleita entre os titulares, enquanto o colega Marcelo Rodrigues Ortiz foi eleito como suplente pela chapa União por Justiça.









