SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

29 de janeiro: Dia Nacional da Visibilidade Trans

O dia 29 de janeiro foi consagrado como Dia da Visibilidade Trans, em 2004, para marcar uma das primeiras iniciativas públicas contra a transfobia, a Travesti e Respeito: já está na hora dos dois serem vistos juntos , lançada naquele ano pelo Ministério da Saúde. No mesmo dia, pela primeira vez, os parlamentares receberam, no Congresso Nacional, travestis e transexuais que falaram sobre os desafios e os preconceitos enfrentados por essa parcela da população brasileira.

De lá para cá, conquistas foram alcançadas, como o decreto presidencial, publicado em abril de 2016, que autorizou o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de travestis e transexuais no âmbito da administração pública federal. Mas falta muito ainda.

De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2017 ocorreram 179 assassinatos de travestis ou transexuais, o maior í­ndice de homicí­dios relacionados à transfobia em dez anos. A cada 48 horas, uma pessoa trans é morta no Brasil, o paí­s no mundo que mais mata transexuais e travestis. Conforme a pesquisa que resultou no livro Travestis Envelhecem , do doutor em psicologia social Pedro Sammarco, a violência faz com que a expectativa de vida dessa população seja de, aproximadamente, 35 anos; a expectativa média de vida do brasileiro é de 70 anos, ou seja, a transfobia reduz a longevidade dessas pessoas à metade.

O cientista polí­tico Marcelo Caetano afirma que a realidade das pessoas trans no Brasil é a da marginalização; 90% das mulheres trans trabalham com prostituição. Quando todo um segmento populacional é relegado a uma única profissão, especialmente uma tão marginalizada, não se pode falar em vontade e autonomia, mas sim na total falta de opção e completa exclusão das possibilidades da vida social , alerta.

Hoje com 30 anos, Caetano assumiu sua identidade de gênero aos 18 e enfatiza que não há sequer dados sobre a existência de homens trans. Para ele, é urgente compreender que as diferenças nos fazem melhores como sociedade, como indiví­duos, por isso não devem nunca ser fator de exclusão. É preciso entender que vidas trans importam, e nos garantir emprego, educação, saúde e outros direitos fundamentais é apenas nos tratar como o mí­nimo: seres humanos .

Para a presidente da Antra, Keila Simpson, é preciso ser perseverante, sonhar que a luta de hoje é lutada para que quem venha depois de nós possa experimentar alguns avanços que a gente conseguiu plantar. Por mais adversidades que a gente tenha, e a gente tem todos os dias, existe ainda esperança de continuar na luta, de reagir, de saber que um dia a gente vai viver num paí­s mais igual para todas nós .

O apoio e a valorização da diversidade e a luta do segmento LGBT+ são uma pauta já aprovada em Congresso Estadual do Sintrajufe/RS e uma constante na atuação da direção do sindicato, na luta por uma sociedade mais fraterna, sem preconceitos. Para discutir e encaminhar propostas de propiciar a inclusão de pessoas LGBT+ no Judiciário Federal, foi criado o Núcleo de Diversidade Sexual do Sintrajufe/RS (Nuds), que congrega lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais e demais diversidades sexuais. A primeira reunião do Nuds ocorrerá no dia 8 de fevereiro, às 19h, na sede (Rua Marcí­lio Dias, 660).

Sintrajufe/RS, com informações de Agência Brasil e Portal Vermelho