SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

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Vítimas de assédio na Caixa se revoltam com fala de Bolsonaro, que defendeu presidente do Banco que assediou diversas funcionárias

Durante uma entrevista na última semana, Jair Bolsonaro (PL) saiu em defesa do ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, demitido da função após diversas denúncias de assédio moral e sexual. A fala de Bolsonaro causou indignação nas vítimas, que a classificaram como algo “estarrecedor”.

Aliado muito próximo de Guimarães, Bolsonaro colocou em dúvida a credibilidade das mulheres assediadas: “Agora, não vi nenhum depoimento mais contundente de qualquer mulher. Vi depoimentos de mulheres que sugeriam que isso poderia ter acontecido. Está sendo investigado também”, afirmou.

Em nota, as advogadas que representam as vítimas afirmam ser estarrecedor Bolsonaro dizer que “não sejam contundentes atos relatados e atribuídos ao presidente de uma instituição do porte da Caixa, que deveria ter instrumentos de controle e governança eficientes, consistentes em violações profundas aos corpos, às imagens e à intimidade de servidoras do órgão”. Dizem, ainda, “ser motivo de tristeza que condutas como apalpar seios e nádegas, beijar e cheirar pescoços e cabelos, convocar funcionárias até seus aposentos em hotéis sob pretextos profissionais diversos e recebê-las em trajes íntimos, além de constantes convites para ‘massagens’, ‘banhos de piscina’ ou idas a ‘saunas’ sejam naturalizados e tidos, repetimos, como ‘não contundentes’ pelo Chefe do Poder Executivo”. Por fim, dizem que não vão se calar, apesar de posicionamentos como os de Bolsonaro: “Assim como em suas duras e desprezíveis palavras, fomos desacreditadas e relegadas à nossa própria sorte pela instituição que deveria garantir nossa integridade. Mas não nos calamos e não iremos nos calar”.

O caso

As denúncias já vinham sendo feitas há algum tempo, mas o caso se tornou público em junho deste ano. No final daquele mês, Guimarães deixou a presidência do banco, depois que um grupo de trabalhadoras diretamente ligadas ao gabinete da presidência da Caixa, decidiu, no fim do ano passado, romper o silêncio e fazer a denúncia do assédio a que vinham sendo submetidas ao Ministério Público Federal. Cinco das vítimas falaram ao site Metrópoles, na condição de anonimato, para se preservarem. A publicação da reportagem rapidamente ganhou repercussão nacional na imprensa e no meio políticos, em especial, no Congresso Nacional, onde vários parlamentares se pronunciaram em plenário, solicitando a demissão do executivo.

As cinco vítimas relatam toques em partes íntimas sem consentimento, falas e abordagens inconvenientes e convites incomuns e desrespeitosos, incompatíveis com a relação entre o presidente do maior banco público do país e suas empregadas. Em um dos relatos, uma delas diz que uma pessoa ligada ao presidente do banco perguntou o que fariam “se o presidente” quisesse “transar com você?”. Segundo a denunciante, ele estava na piscina e “parecia um boto se exibindo”. Além disso, funcionárias recebiam chamados para ir no quarto de Guimarães, que costumava dar beliscões nas mulheres, entre outros relatos.

Uma trabalhadora que não quis se identificar com medo de retaliações, afirmou à Folha de S. Paulo ter sido puxada pelo pescoço e ter ficado em choque após o episódio. Segundo ela, os assédios de Pedro Guimarães aconteciam diante de todos, dentro e fora da instituição. O caso narrado à Folha ainda não chegou às autoridades. “Não falei antes com medo e vergonha, e agora me sinto culpada porque penso que se tivesse falado antes, outras mulheres não teriam passado pelo que passei, nem por situações piores”, afirma. Ela conta que, em uma ocasião, estava a sós com o presidente do banco, quando ele perguntou se ela “estava com ele”. A funcionária entendeu, à época, que a pergunta era em relação ao governo. Ela teria, então, respondido que sim. “Aí quando fui sair, ele me puxou pelo pescoço e disse: ‘Estou com muita vontade de você’. Saí da sala, em choque e chorando”, afirma ela. “Depois, em outro momento, ele já passou a mão pela minha cintura e foi abaixando, mas saí antes que piorasse”, denuncia ela.

Em entrevista à TV Globo, outra denunciante, que também não quis se identificar, disse que, entre um abraço e outro, Pedro Guimarães tocava em seus seios e em outras partes íntimas.

Com informações do portal G1.