SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

RESULTADO DOS CORTES FEDERAIS

Unisinos fecha 12 dos 26 programas de pós-graduação e demite 40 professores e professoras

Ler conteúdo

A Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos), com sede em São Leopoldo, confirmou o fechamento de 12 dos 26 Programas de Pós-Graduação (PPG) da instituição, com cursos de mestrado e doutorado sendo extintos. A universidade atribui a reestruturação ao corte do financiamento público, à redução de 38% no número de matrículas nos últimos cinco anos por conta da crise econômico e à pandemia.

Na sexta-feira, 22, a Unisinos divulgou comunicado confirmando as áreas atingidas pelos cortes: história, linguística aplicada, comunicação, psicologia, biologia, história, ciências sociais, economia, geologia, ciências contábeis, arquitetura, biologia, enfermagem, engenharia mecânica. Conforme o comunicado, “o contexto do ensino superior brasileiro mudou radicalmente ao longo dos últimos anos. Houve significativa redução do número de matrículas, resultado da crise econômica do país, da redução expressiva de financiamento público para o ensino superior e da pandemia”. Os estudantes terão o tempo regular de duração do curso para concluir seus trabalhos e a coordenação acompanhará os alunos até a conclusão de teses e dissertações, sejam eles pagantes ou bolsistas.

Ao Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS), a reitoria confirmou que 40 professores serão demitidos com a política que a universidade chama de “descontinuidade” de áreas da PPG. De acordo com a Reitoria, o cancelamento desses cursos de mestrado e doutorado visa a “promover o equilíbrio financeiro da instituição e sua preparação para crescer de forma sustentável nos próximos anos”. No comunicado, a Unisinos reitera que está “adotando algumas ações que envolvem o início do processo de desativação de uma parte de seus programas de pós-graduação. Os alunos desses programas não serão prejudicados, pois lhes será garantida a continuidade do curso até que concluam sua formação”.

Diretor do Sinpro/RS, Marcos Fuhr, avalia que poderiam ter sido empenhados mais esforços no sentido de “preservar esse patrimônio cientifico e cultural que a Unisinos tem, esse prestígio nacional e internacional amplamente reconhecido e que ficará certamente muito arranhado com essa política de desativação que está sendo desenvolvida”. Fuhr ressalta que a categoria tem a percepção de que medidas como essa são resultado da política de enxugamento dos investimentos públicos na área da educação e da ciência e tecnologia: “Os reiterados cortes orçamentários para essas áreas se materializam na despotencialização dos investimentos em bolsas de estudo, em pesquisas que são desenvolvidas não só em instituições públicas, mas também nas instituições do ensino privado. E na medida em que os números da graduação nas universidades também têm sido reduzidos drasticamente em função da incapacidade de pagamento e de falta de políticas públicas. Isso também tem despotencializado as instituições para investirem na pós-graduação”, avalia.

Mais de 30 entidades se manifestam contra fechamentos

No sábado, 23, mais de 30 entidades, entre associações de ensino e instituições científicas, se manifestaram em nota conjunta contra os fechamentos dos PPGs. O texto avalia que “tal atitude tem como fundamento privilegiar resultados financeiros em detrimento das contribuições da produção científica e do impacto social desses Programas” e que “o fechamento dos Programas traz impactos para além da demissão de valorosos/as pesquisadores/as, referências em suas áreas de expertise, e do enxugamento do compromisso com a ampliação do sistema de Pós-Graduação, até então meta da CAPES, do Plano Nacional de Pós-Graduação e do Plano Nacional de Educação 2014-2024. Com a extinção dos programas desaparecem Grupos de Pesquisas essenciais e com repercussão nacional e internacional, revistas acadêmicas, além do prejuízo a pesquisadores/as com bolsas de produtividade científica que compõem o quadro de docentes”.

Manifestação no campus está marcada para terça-feira, 26, às 16h

O Diretório Central de Estudantes (DCE) da Unisinos convocou uma manifestação para a próxima terça-feira, 26, a partir das 16h, no campus São Leopoldo. Em um comunicado à comunidade acadêmica, a entidade manifestou surpresa e “indignação” com o anúncio da extinção de “vários cursos de pós-graduação e com o aviso de que outros devem ser extintos em breve, além da ameaça generalizada para todos os cursos (até de graduação) da universidade e da constante demissão de professores sem qualquer critério transparente”. Para a entidade, a medida visa a “máxima lucratividade, independente da vida das pessoas e da qualidade do ensino e do destino da comunidade.

“Queremos a volta imediata dos PPGs e reavaliação estrutural desses cursos com a presença de representantes dos alunos e professores e a readmissão imediata de professores com projetos de pesquisa e orientadores de bolsistas até a conclusão dos projetos de pesquisas”, afirma Rosana Cartena, da direção do DCE. A entidade encaminhou pedido reunião com a reitoria para encaminhamento da pauta e vigília no campus de São Leopoldo. “O ato é pela readmissão de professores e a revisão da medida de descontinuação de PPGs”, diz a nota.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Extra-Classe.