SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

PRIVATIZAÇÕES

Sindiágua denuncia uso do código de ética da Corsan para calar servidores quanto à privatização; diretor da companhia assumiu cargo em empresa interessada na compra

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Boletim divulgado nesta semana pelo Sindiágua denuncia restrição da liberdade de expressão dos servidores e servidoras da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Conforme o boletim, em 2020 o governador Eduardo Leite (PSDB) modificou o código de ética da empresa “para tentar calar qualquer funcionário que ouse contestar, por exemplo, os números falaciosos que o governo anuncia na tentativa de privatização”. No dia 1º de junho, o governo conseguiu derrubar a exigência legal de plebiscito para privatizar a Corsan, o Banrisul e a Companhia de Processamento de Dados (Procergs).

No texto do novo código de ética estão vedadas, entre outras ações, “permitir que suas preferências ou interesses pessoais interfiram em suas decisões profissionais, em detrimento dos interesses da Companhia” e “repassar, divulgar ou fazer uso de informações privilegiadas obtidas em razão das atividades exercidas”. O Sindiágua denuncia, porém, que essas determinações podem não ter sido seguidas por um alto funcionário da estatal. Conforme o sindicato, um diretor da companhia entre 2015 e 2018 deixou a empresa levando informações de seu computador e, pouco depois, assumiu o cargo de superintendente técnico na empresa Equatorial Energia, que planeja comprar a Corsan.

O boletim do Sindiágua explica que “no dia 9 de julho, Júlio Hofer, ainda como Diretor de Expansão da Corsan determina aos seus subordinados que seja providenciado um Backup de seu computador funcional. Segundo informações extra oficiais, a determinação era para que fosse providenciado um HD externo para comportar todas as informações que Hofer queria. O que poderia incluir até o Plano de Expansão da Companhia. (…) Na quarta, 14 de julho, Hofer deixava a Diretoria de Expansão da Corsan. Na quinta, 15, ele assumia o cargo de Superintendente Técnico em uma empresa privada. Qual empresa? Sim. A Equatorial Energia, a mesma que planeja comprar a Corsan”. Assim, o sindicato apresenta alguns questionamentos: “qual o volume de informações privilegiadas que esta empresa terá (ou já tem) sobre a Corsan? O Backup total do computador foi repassado ao então Diretor? O Plano de Expansão da Corsan (informação estratégica) foi junto com o Diretor? O Código de Ética da Companhia tem como destinatários apenas os funcionários não graduados? O Presidente da Corsan sabia de tudo isto e autorizou mesmo assim?”. O Sindiágua pede, dada a gravidade da situação, uma sindicância interna e uma intervenção dos órgãos de fiscalização e controle. E conclui destacando que a situação “prova que na privatização tanto da CEEE quanto nesta tentativa sobre a Corsan, o interesse não é o bem do Rio Grande, mas sim o interesse pessoal”.

Veja abaixo vídeo explicativo sobre os interesses envolvidos na privatização da Corsan:

Sintrajufe/RS integra comitê do Plebiscito Popular contra as privatizações

No dia 14 de julho, o Sintrajufe/RS participou do lançamento do Plebiscito Popular no Rio Grande do Sul, organizado por centrais e entidades sindicais e movimentos sociais como uma resposta de mobilização e enfrentamento ao aprofundamento da política de privatização dos serviços públicos e de entrega do patrimônio aos grandes grupos privados. O sindicato faz parte do comitê que organiza a iniciativa no estado, combatendo as políticas privatistas dos governos federal, estadual e municipais.

O diretor do Sintrajufe/RS Zé Oliveira, representante do sindicato no comitê, explica que “o Plebiscito Popular do Rio Grande do Sul faz parte da luta contra as privatizações e um importante espaço para debater o papel do Estado. O objetivo é garantir o direito à população gaúcha de ser ouvida e se concorda ou não com o encaminhamento de privatizações de empresas como a Corsan e o Banrisul. Uma contraposição à postura do governador Eduardo Leite (PSDB/RS), que encaminhou proposta retirando o direito do povo opinar. No momento que enfrentamos a reforma administrativa e a ameaça de extinção dos serviços públicos, encaminhada pelo governo Bolsonaro (sem partido), a realização do Plebiscito Popular é um movimento fundamental, pois envolve o debate sobre um projeto de Estado, a garantia das políticas públicas e de serviços públicos aos mais necessitados, a necessidade de estatais prestadoras de serviços à população e a valorização do trabalho de servidores e servidoras”.

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