SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

QUEM VOTOU, NÃO VOLTA

Saiba quem são os 32 deputados que autorizaram a privatização da Corsan e agora são candidatos nas eleições

Dos 33 deputados e deputadas estaduais do Rio Grande do Sul que autorizaram a privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e, portanto, votaram contra a classe trabalhadora, 32 são candidatos nas eleições deste ano. Seis concorrem para deputado federal, 25 tentam a reeleição como deputado estadual e um é candidato a vice-governador. O levantamento foi realizado pela CUT/RS junto ao TRE/RS e à Assembleia Legislativa e tem a finalidade de alertar os trabalhadores e as trabalhadoras que forem às urnas no dia 2 de outubro, para que escolham candidatos comprometidos com os direitos sociais e trabalhistas e a defesa do patrimônio público.

Veja quem são os deputados que votaram a favor da privatização da Corsan e são candidatos nas eleições

Candidato a vice-governador
Gabriel Souza (MDB) – Concorre a vice na chapa de Eduardo Leite (PSDB)
Candidatos a deputado federal
Sérgio Turra (PP)
Vilmar Lourenço (PP)
Tenente Coronel Zucco (Republicanos)
Fábio Ostermann (Novo)
Eric Lins (PL)
Any Ortiz (Cidadania)
Candidatos a deputado estadual
Mateus Wesp (PSDB)
Neri, o Carteiro (PSDB)
Pedro Pereira (PSDB)
Rodrigo Maroni (PSDB)
Zilá Breitenbach (PSDB)
Beto Fantinel (MDB)
Carlos Búrigo (MDB)
Clair Kuhn (MDB)
Gilberto Capoani (MDB)
Vilmar Zanchin (MDB)
Adolfo Brito (PP)
Ernani Polo (PP)
Frederico Antunes (PP)
Issur Koch (PP)
Marcus Vinícius (PP)
Aloísio Classmann (União Brasil)
Dirceu Franciscon (União Brasil)
Kelly Moraes (PL)
Paparico Bacchi (PL)
Elizandro Sabino (PTB)
Fran Somensi (Republicanos)
Sergio Peres (Republicanos)
Giuseppe Riesgo (Novo)
Gaúcho da Geral (PSD)
Faisal Karam (Podemos)

Luta contra a privatização continua

Os deputados que votaram a favor do projeto de lei (PL 211/2021), enviado em regime de urgência pelo governador Eduardo Leite (PSDB), autorizaram a privatização da Corsan, que atende 317 municípios gaúchos. A votação ocorreu em 31 de agosto de 2021. As bancadas do PT, PDT e Psol votaram contra o projeto, junto com seis parlamentares de outros partidos.

Esse projeto revelou que a promessa de não vender a Corsan e o Banrisul foi uma das mentiras do governador que renunciou. Eduardo Leite também apoiou uma proposta que rasgou a Constituição Estadual, acabando com o plebiscito sobre a venda da Corsan, impedindo que o povo se manifestasse. Ele aplicou a mesma política de retirada de direitos e privatização de estatais do conduzida nacionalmente por Jair Bolsonaro (PL).

Após recuar, governo de Eduardo Leite e Ranolfo Vieira Junior piora modelo de privatização

A intenção do governo de Eduardo Leite e Ranolfo Vieira Junior, ambos do PSDB, é realizar o leilão em dezembro deste ano, antes do encerramento do mandato. A privatização da Corsan, defendida pelo governo estadual, foi autorizada pela Assembleia Legislativa em 31 de agosto de 2021, o que estava previsto para ocorrer por meio de oferta pública inicial de ações (IPO). A partir do IPO, o Estado passaria a ter cerca de 30% das ações da empresa, deixando de ser acionista controlador para ser acionista de referência. A expectativa do governo era concluir o processo ainda em julho. Porém, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) acolheu posicionamento do corpo técnico do órgão e do Ministério Público de Contas de que a oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias não pode ocorrer sem a “promoção de fundamentadas correções na modelagem econômico financeira adotada para a desestatização” da entidade. O Tribunal também determinou que estas correções deveriam ser incorporadas no preço mínimo admitido para a venda das ações.

Em junho de 2022, milhares de trabalhadores e trabalhadoras realizaram um grande ato denominado “RS pela Água”, organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Rio Grande do Sul (Sindiágua-RS) em conjunto com o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) e com apoio de diversas entidades. A mobilização foi construída como parte da luta que já vem sendo travada há meses em defesa da água e do saneamento público e contra a privatização da Corsan e do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae).

A luta teve uma vitória parcial quando, duas semanas depois, o governo decidiu não recorrer da decisão do TCE-RS que determinou a suspensão do processo de privatização da Corsan até que fossem feitas correções no modelo usado pelo governo para calcular o valor da empresa. Agora, o modelo de privatização mudou – para pior. Inicialmente, o governo planejava abrir o capital da estatal na bolsa de valores, mantendo 30% dos papéis, ficando como acionista de referência e, portanto, atuando na administração. No novo modelo, a venda da companhia será completa, como ocorreu com CEEE e Sulgás.

Como em julho, apenas a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras pode impedir a entrega do patrimônio do povo gaúcho. O Sindiágua prepara novas mobilizações para o mês de setembro.