SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

VOCÊ É RICO?

Quem recebe o salário mínimo do Dieese, de R$ 5.969,17, pode ser considerado rico?; os 1% mais ricos detêm metade da riqueza

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A BBC News Brasil publicou em seu site uma “calculadora de renda” com uma pergunta: “O que é ser rico no Brasil?”. Não há um consenso sobre a “linha da riqueza”, mas é certo afirmar que não se pode considerar rica uma pessoa que vive de seu salário e cuja renda mensal é suficiente para garantir o sustento de sua família.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulga mensalmente um cálculo sobre qual seria o salário mínimo necessário no país. Em dezembro, esse valor ficou em R$ 5.969,17 ou 5,42 vezes o mínimo vigente de R$ 1.100,00. Valores maiores de R$ 5.969,17 são recebidos no país por apenas 10% da população. A realidade é que 80% dos brasileiros e brasileiras ganham menos de R$ 3,5 mil mensais, pouco mais da metade do que seria necessário conforme do Dieese. Além disso, 70% ganham até dois salários mínimos.

O Dieese considera o mínimo necessário para garantir condições básicas para uma família de dois adultos e duas crianças. Pela calculadora da BBC, essa faixa de renda seria colocada entre os “ricos”.

Brasil: 207 mil têm mais de 1 milhão de dólares no banco

Globalmente, os verdadeiros super-ricos seguem ampliando seus lucros em meio à pandemia e à crise econômica que assola a população mundial. O número de pessoas com fortuna superior a 50 milhões de dólares cresceu 24% em 2020. De acordo com relatório do Credit Suisse, há no planeta 215 mil pessoas com patrimônio líquido nesse nível, 41,4 mil a mais do que um ano antes. O próprio estudo, realizado por um banco, aponta que “a natureza da resposta política à pandemia tem, naturalmente, uma grande influência nesse quadro”. No Brasil, 207 mil pessoas têm mais do que 1 milhão de dólares no banco, conforme o mesmo estudo.

As políticas do governo federal amplificam o problema. O congelamento da tabela do imposto de renda sacrifica os assalariados e a taxação das grandes fortunas não avança no Congresso. Não bastasse isso, a inflação corrói os salários dos trabalhadores e das trabalhadoras, do setor público e privado, fazendo com que a base da pirâmide de alargue e o topo se distancie cada vez mais.